Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» “Não esqueçam Julian Assange”

» Índia ocupa a Caxemira muçulmana

» Portugal, o novo alvo da extrema-direita

» Portugal, o novo alvo da extrema-direita

» E quando nos levantaremos contra os rentistas?

» “Quem tá na rua nunca tá perdido”

» Eles querem organizar a população de rua

» Municipalismo, alternativa à crise da representação?

» A China tem uma alternativa ao neoliberalismo

» Marielle, Moa, Marley, Mineirinho

Rede Social


Edição francesa


» Population, subsistance et révolution

» Une nouvelle classe de petits potentats domine les villages

» Vers une « révolution agricole »

» En dehors de la « Petite Europe » d'autres débouchés s'offriront aux produits tropicaux

» Dans le domaine agraire il serait dangereux de vouloir brûler toutes les étapes

» L'expérience de M. Fidel Castro pourrait être mise en péril par une socialisation trop rapide de l'industrie cubaine

» Au Japon, le ministre de la défense s'inquiète

» Les soucoupes volantes sont-elles un sous-produit de la guerre froide ?

» Ovnis et théorie du complot

» Boulevard de la xénophobie


Edição em inglês


» Manufacturing public debate

» August: the longer view

» Trump returns to the old isolationism

» Yellow vests don't do politics

» Kurdish territories in northern Syria

» The changing shape of the Balkans: 1991 / 2019

» Minorities in Kosovo

» Borders 1500-2008

» Man with a mission or deranged drifter

» The Louise revolution


Edição portuguesa


» Edição de Agosto de 2019

» Plural e vinculado à esquerda

» Os talibãs de São Francisco

» Edição de Julho de 2019

» Inconsistências (ou o sono da razão?)

» Comércio livre ou ecologia!

» Edição de Junho de 2019

» As pertenças colectivas e as suas conquistas

» A arte da provocação

» 20 Anos | 20% desconto


3º FESTIVAL LATINO-AMERICANO DE CINEMA

Memórias do Desenvolvimento será dois filmes

Imprimir
Enviar
Compartilhe

Dirigida por Miguel Coyula, obra homônima ao romance está focada em Sérgio, personagem principal, que surge como alguém existencialista e desconforme. Já O pai, a filha e o desconhecido, de Lorenzo Regalado, baseia-se na relação entre Sérgio e a filha que ele descobre ter em Cuba

Iana Cossoy Paro - (10/08/2008)

O novo livro de Edmundo Desnoes, Memórias do Desenvolvimento, [Memórias del desarrollo, Mono Azul, Madri, 2007], será transformado em dois filmes. Um deles, Memórias do Desenvolvimento está sendo filmado há três anos pelo diretor cubano Miguel Coyula, 31, e tem previsão de lançamento para 2009. O segundo, que tem como título provisório O pai, a filha e o desconhecido, será dirigido por Lorenzo Regalado, também cineasta cubano, em colaboração com o próprio Desnoes, que diz haver participado mais de perto deste processo. “O outro saiu das minhas mãos”, afirma.

Desnoes conta que Memórias do Desenvolvimento é a história de um Sérgio [1]mais velho, no exílio. É sobre a velhice, o ser latino-americano e cubano nos Estados Unidos, o não adaptar-se a nenhum modelo de sociedade, o pensar o que se fez e o que se deixou de fazer. Sem abandonar a ambigüidade que caracteriza o Sérgio Corrieri de Memórias do Subdesenvolvimento.

As memórias e a identidade-árvore

Desnoes não acredita em escrever como oficio, no escritor que senta todos os dias e escreve durante um determinado número de horas. Diz que há “escritores que escrevem por falta, outros por excesso de experiências”. Seu caso, conta, é o primeiro, já que escreve sobre o que poderia ter feito, dito, decidido. Conta que seu longo silêncio entre Memórias do Subdesenvolvimento e Memórias do Desenvolvimento se deve a um prolongado período de reflexão. E complementa afirmando que, para ele, “pensar também é uma forma de agir”.

Quando chegou aos Estados Unidos, em 1979, dedicou-se a lecionar e a entender sua identidade ali. Viu-se em um mundo em que o latino-americano era visto como “mais criativo” e “imaginativo”. Refletiu sobre os estereótipos e imagens que nós, latino-americanos, aceitamos como nossas.

Desnoes tem um pouco da dificuldade de adaptação desse segundo Sérgio, exilado. E define que sua identidade e a de muitos cubanos vai além da geografia. Afirma que na ilha estão as raízes de muitos ramos de uma árvore que extrapola o Caribe e a América Latina.

Os Sérgios e as gerações

O novo personagem, que tem algo do Sérgio anterior e algo do próprio Desnoes, descobre que tem uma filha em Cuba e a conhece. O livro termina com parte do diário dessa filha, que faz perguntas dignas de Sérgio Corrieri: “O que faço e aonde vou?” O filme de Desnoes e Regalado será centrado nessa relação pai-filha e está baseado em Te sigo, o diário da filha de Sérgio ao final do romance.

Mais

Esta é a quinta de uma série de matérias sobre os latino-americanos e seu cinema a partir do 3º Festival de Cinema Latino-americano de São Paulo, redigidas em colaboração por Iana Cossoy Paro, Javier Cencig, Thiago Mendonça e Moara Passoni. Veja os outros textos:

1.
Imagens de um continente em busca de si mesmo
Filmes, debates e oficinas expõem, em São Paulo, estado da produção cinematográfica na América Latina. Festival reflete momento em que tanto o continente quanto seu cinema buscam novos rumos — mas já não o fazem com as lentes e projetos que marcaram o século 20

2.
O universal e o latino-americano: diálogos entrecruzados
Jornalismo-cinema: numa mesa imaginária, colagem de falas reais, personagens presentes ao 3º Festival, em São Paulo, debatem tanto as condições de produção e distribuição do cinema latino-americano quanto a possibilidade de um projeto estético que expresse a identidade da região

3.
Fernando Solanas: entre a Terra e as Nuvens, o Sonho
Em entrevista especial para Le Monde Diplomatique Brasil, um dos grandes cineastas latino-americanos contemporâneos descreve sua formação política, explica como ela influenciou sua obra e defende uma estética que articule investigação profunda da realidade com invenção formal incessante

4.
Memórias do Subdesenvolvimento, arte e revoluções
Edmundo Desnoes, romancista e inspirador de um filme que marcou o cinema cubano, conversa sobre seu processo criativo, as encruzilhadas da Ilha, política e literatura na América Latina, a banalidade do consumo e a importância do ato de narrar, como sentido da própria existência humana

6.
"Sérgio nunca estaria conformado. Por isso, identifico-me com ele"
Miguel Coyula, diretor de um dos dois filmes que estão surgindo a partir de Memórias do Desenvolvimento, explica como a obra dialoga com romance de Desnoes. Para cineasta, personagem principal expressa o sentimento — entre anárquico e apático — de sua geração diante da revolução cubana



[1] Sérgio é o pesrsonagem principal de Memórias do Subdesenvolvimento. Sobre ele, e sobre seu primeiro livro, Edmundo Desnoes conversou longamente, em entrevista publicada por Le Monde Diplomatique e disponível aqui

Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» Cuba
» Cinema
» Arte e Utopia
» América Latina


Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos