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Palavra 41

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Rodrigo Gurgel - (15/08/2008)

No centenário de sua morte Machado de Assis mostra-se mais eterno do que se poderia supor – para benefício de seus leitores atuais e das gerações que, no futuro, se debruçarão, com renovado prazer, sobre o universo de ceticismo e ironia do velho Bruxo, aprendendo com ele essas duas virtudes que dignificam os homens.

A fim de celebrar esses 100 anos, David Oscar Vaz escreve, especialmente para o Palavra, uma série de artigos dedicados à obra machadiana, iniciando com suas notas aos contos do autor de Memórias póstumas de Brás Cubas, marco não só do Realismo brasileiro, mas da fase adulta de nossa literatura.

Um dos méritos de Machado foi dar as costas ao Romantismo – e à sua tentativa de sobrevalorizar o local, o nacional, em detrimento de uma literatura universalista. Coube a esse mulato epiléptico e de origem humilde a tarefa de empreender o caminho inverso, o caminho da grande literatura: dialogar com a experiência humana em seu todo, não se prender a bairrismos, recusar-se à pequenez.

Sem tratar especificamente de Machado, Renata Miloni discute em seu texto quinzenal exatamente essa questão: é possível, no Brasil contemporâneo, criar a literatura universal que propunha Goethe? Em outros termos, é possível, no Brasil de hoje, repetir a experiência machadiana – ou estamos condenados a um eterno e tosco regionalismo? Para completar a discussão aberta pela Renata, proponho a leitura do debate publicado no suplemento Babelia, do El País, em janeiro de 2008.

Ainda voltados ao tema do universalismo – e do diálogo com outras realidades, com culturas diversas – Marina Della Valle e Fábio Fernandes fecham esta edição: Fábio escreve sobre uma insólita revista-portal, a Solaris, recentemente lançada e que congrega uma nova geração de escritores dedicados à ficção científica; e Marina analisa o romance Meio sol amarelo, da jovem escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie.

Boa leitura – e até a próxima semana!

Rodrigo Gurgel, editor de Palavra.



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