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CULTURA PERIFÉRICA

Na Bienal do Livro, um roteiro alternativo

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Debate sobre literatura periférica e um punhado de editoras, universitárias e semi-artesanais, valem a visita. Aí persiste o encanto de uma feira que foi indispensável — mas chega aos 40 anos um tanto decadente e deselegante. Talvez por apostar no gigantismo, e se render à lógica de mercado

Eleilson Leite - (22/08/2008)

Desde 14 de agosto, a 20ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo está instalada no Pavilhão de Exposições do Anhembi. Segundo os organizadores, o evento — que seguirá até o próximo final de semana — reúne 350 expositores e 210 mil títulos, sendo 4.100 lançamentos. Totalmente dominada pela lógica de mercado, a mega-feira transforma-se em marketing em torno do produto livro, deixando de lado a celebração de sua expressão cultural. Grandes empresas patrocinam a Bienal e estampam sua marca em auditórios e outros espaços de eventos (tais lugares são identificados pelos nomes-logos das diversas marcas). Isso reforça a exploração comercial por parte de empresas que nada têm a ver com livro — tais como, distribuidoras de combustível, fábrica de automóveis e bancos.

A feira, promovida pela Câmara Brasileira do Livro, é um ambiente de promoção e venda. Até aí tudo bem. O problema é que ela anda desprovida de conteúdo, sem densidade de idéias, com pouco requinte, charme ou outras nuances que seduzem o leitor. Mas mesmo no aspecto de promoção e venda, pelo menos esta edição está deixando muito a desejar. Há uma clara percepção de que o número de visitantes caiu. Conversei com Richard Alves, diretor comercial da Global Editora, e ele afirma que não há, na cidade, um clima que motive as pessoas para o evento. “A Bienal é um grande negócio para muita gente, menos para o expositor que investe muito recurso e tem seu retorno comprometido com a pouca presença de público”, disse o editor. Richard acredita que pelo preço do metro quadrado, em torno de R$ 400 (A Global tem um estande de 150 m), seria possível lançar mais ações de mídia. “A Lei Cidade Limpa restringiu a mídia externa. Uma das alternativas seria fazer mais inserções em TV e rádio”, opina o empresário.

A impressão que se tem é que a Bienal é um grande pacote. Poderia estar no Anhembi paulistano, no Rio ou em qualquer outra grande cidade. Os estandes são previsíveis. Tem editoras que não mudam seus espaços de exposição há anos. Há pouquíssima inovação arquitetônica, e os eventos são a consagração do consagrado. A Bienal está virando o reino da mesmice. Visitá-la era, em outras épocas, indispensável para qualquer pessoa que preze a leitura; hoje, é algo pouco atraente, com um agravante: é muito cara. Começa pelo estacionamento de R$ 20, depois o ingresso de R$ 10 e por fim os livros, há tempos com o preço salgado.

Na praça há 35 anos, a Global ampliou seu foco e ocupou espaço. Mas continua investindo no autor e na literatura, mantém comportamento crítico e não se rende às ondas fugazes do marketing

A Bienal chega aos 40 um tanto decadente e deselegante. Não por acaso, a FLIP – Festa Internacional do Livro de Paraty — atrai cada vez mais pessoas e interesse da mídia. Por outro lado, a Libre — Liga Brasileira de Editoras — vem ganhando força, com a realização, há cerca de cinco anos consecutivos, da Primavera do Livro, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Tal evento reúne mais de cem editoras de pequeno e médio porte. Além disso, há o grande incremento das mega-livrarias como a Saraiva, FNAC e Cultura e as menores, porém charmosas, como a Livraria da Vila e Martins Fontes, em São Paulo. Elas atraem cada vez mais pessoas com uma ampla oferta de títulos em ambientes aconchegantes (inclusive para as crianças). O que torna a Bienal mais atraente do que uma ida a uma dessas livrarias bacanérrimas? FLIP, Libre e as grandes livrarias são fenômenos recentes e podem ser sinais de que talvez este tipo de mega-evento — como a Bienal do Livro — não faça mais tanto sentido.

A conversa com Richard Alves, diretor da Global, foi muito importante para uma reflexão sobre tal cenário. A editora da família Alves está no centro, mas mantém o olho na periferia. A Global, no mercado há 35 anos, foi uma editora com perfil de esquerda nos anos 70 e 80; ampliou seus negócios na década seguinte e chega neste início de século bem posicionada. Mantém a postura de investimento no autor e na literatura brasileira. Ao mesmo tempo em que investe quase R$ 100 mil em sua presença na Bienal, não se deslumbra com os números oficiais, mantém um comportamento crítico e não se rende às tendências mercadológicas.

Visitar o estande desta editora é um dos melhores atrativos da Bienal. Nele o leitor vai encontrar a melhor e mais importante seleção de contos, poemas, crônicas e teatro dos principais autores brasileiros. Lá tem também toda a obra do Luiz da Câmara Cascudo, Ignácio de Loyola Brandão e as principais obras do Gilberto Freire.

Além desses atrativos, o estande da Global tem uma das mais importantes, entre as poucas novidades desta Bienal: a coleção Literatura Periférica. Iniciada em julho do ano passado, com o livro Colecionador de Pedras, do poeta Sergio Vaz, conta também com o romance Guerreira, de Alessandro Buzo, e o livro de contos 35 Letras e um Disparo, de Sacolinha (Ademiro Alves). Os três foram lançados no ano passado. Agora, sai o quarto volume: Da Cabula, dramaturgia de Allan da Rosa. A obra será lançada no sábado, dia 23, e precedida de um debate: O lugar da escrita periférica na literatura brasileira contemporânea, bate-papo que vai rolar às 13h, no Salão de Idéias, com mediação do jornalista Chico Pinheiro. Além dos quatro autores, participará também a Dinha, poeta que terá seu livro De Passagem, mas a Passeio publicado na mesma coleção, ainda neste ano.

Ao trazer o novo, debate com os autores da coleção Literatura Periférica destaca-se na mesmice do Salão de Idéias. Não deixe de vê-lo, nem de visitar o rico espaço das editoras universitárias

Sergio Vaz, 44 anos, é o grande poeta da periferia paulistana, criador e criatura do sarau da Cooperifa. No livro Colecionador de Pedras, ele fez uma antologia dos seus mais de 20 anos de produção poética, publicada em quatro livros anteriores. Alessandro Buzo, 35 anos, hoje conhecido nacionalmente pelo quadro Buzão Circular Periférico, do Programa Manos e Minas, da TV Cultura, também tinha quatro livros publicados e faz, com o romance Guerreira, sua primeira obra de ficção. Sacolinha, jovem de 24 anos é coordenador de literatura da secretaria de Cultura de Suzano, município da Grande São Paulo. Antes de 85 Letras e um Disparo, publicou o romance Graduado em Marginalidade. Allan da Rosa, 31 anos, publicou seu primeiro livro, chamado Vão, em 2005, numa editora coletiva e periférica, a Edições Toró, que hoje ostenta 13 livros em catálogo. Dinha, de 28 anos, publicará seu livro de estréia. Todos eles periféricos. Todos eles reeditando obras que publicaram de forma independente e que venderam de mão em mão, em filas de cinema e teatro, dando palestras em escolas e universidades, em mesas de bares e nos saraus e outros eventos literários da periferia paulistana.

Fui a esta edição da Bienal duas vezes, examinei toda a programação e posso garantir que o debate que reunirá os autores da coleção Literatura Periférica é um dos poucos eventos que apresenta um fato novo. Por isso, destoa do marasmo da gigante feira de livros. O Salão de Idéias tem muito pouca imaginação na proposição das mesas. Está tudo muito repetitivo e as ementas dos eventos refletem a pouca criatividade. Tem uma sessão com a Nélida Piñon, onde a grande escritora, única mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras, é apresentada como a “nossa querida dama da literatura…”. O mesmo fazem com a Lygia Fagundes Telles e com a Maria Adelaide Amaral. Uma pieguice só. Nesse mesmo auditório passarão, ou já passaram, Fernanda Takai, João Bosco, Chico Anysio, Gabriel o Pensador, artistas que andam se aventurando no mundo das letras. O rapper carioca até ganhou Prêmio Jabuti em 2006. O respeitável bibliófilo José Mindlin aparece numa mesa com o título: O Brasil está formando leitores? Até aí tudo bem, o problema é como apresentam o evento: “Ninguém melhor que José Mindlin para incentivar as crianças de todas as idades a mergulharem no fantástico mundo dos livros…”. O Mindlin virou uma espécie de Padre Marcelo Rossi que vai contagiar a multidão para o caminho da leitura...

Portanto, caro leitor, caso queira aceitar minha modesta sugestão, não perca tempo. Vá direto ao ponto. O Allan da Rosa lançará outro livro, Zagaia, também no sábado, às 19h no estande da DCL. Além dos periféricos, tem outras coisas bacanas que eu recomendo na Bienal. O estande da ABEU — Associação Brasileira de Editoras Universitárias — merece uma visita demorada. Só tem coisa boa. As editoras das três universidades paulistas (USP, Unesp e Unicamp) estão lá, além de muitas outras. Indico uma boa olhada nos livros da UFMG. Junto deste estande está a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, que tem excelentes títulos. Entre eles, um livrão de mais de mil páginas: Passagens, de Walter Benjamim (em co-edição com a UFMG). Esta obra, que reúne textos inéditos do grande pensador alemão do século passado custa R$210 e está sendo vendida a R$140, uma das poucas promoções da Bienal.

Afastada de centro, próxima a orelhões e banheiros, há uma periferia da feira. Lá estão pequenos tesouros, como o estande da Livro Falante. Também vale ficar de olho no espaço infanto-juvenil

Os 304 estandes estão espalhados em sete avenidas e 15 ruas, como se fosse uma cidade. Uma cidade efêmera; dura apenas 11 dias. Como todo espaço urbano, tem a concentração do capital no centro, onde estão as grandes editoras; e a periferia, onde dezenas de expositores, com estandes entre 12 e 20 metros quadrados, vão disputando o público que passa a caminho dos banheiros, à procura de telefone público ou da praça de alimentação. E como toda periferia, ali há encantos. Vale a pena conferir o estande da Livro Falante que tem obras clássicas e contemporâneas da literatura passadas para CD. Eu conhecia o CD do livro Contos Negreiros, de Marcelino Freire, que comprei no início do ano. Adquiri agora um CD com poemas do Chico César recitados por ele mesmo. A obra chama-se: Cantáteis, Cantos Elegíacos de Amizade. É maravilhoso! Comprei também a Seleta, de Fernando Sabino, na voz de Ivan Cabral e Contos de Anton P. Tchkhov, lido por Clovis Torres.

É uma excelente idéia, essa da Livro Falante. A editora-gravadora recupera algo muito comum nos anos 60 e 70: os discos com poemas recitados. Outra dica da periferia da Bienal são duas editoras da Libre, discretamente instaladas na última rua: Cosac Naify e a Editora 34. Na primeira, recomendo o livro Satolep, do cantor e compositor gaúcho Vitor Ramil. Satolep é Pelotas escrito ao contrário. O menos conhecido dos irmãos Ramil (da dupla Kleyton e Kledir ) ambienta sua prosa na cidade do extremo sul gaúcho de onde também extraiu sua Estética do Frio, concepção que norteia toda sua obra musical e literária. Na 34, a dica é o livro da antropóloga francesa Michele Petit, Os Jovens e a Leitura – Uma nova perspectiva. Petit realizou sua pesquisa com jovens de bairros periféricos de cidades da França e também nas áreas rurais do interior do país. Outras editoras da Libre dividem um estande no extremo oposto da Cidade do Livro. A Anita Garibaldi e a Boitempo montaram, com outras editoras, uma pequena livraria, que poderia estar um pouco mais organizada. A Casa Amarela, que publica a revista Caros Amigos está enfiada lá pelo meio, na mesoperiferia.

A Global Editora, as universitárias e as editoras da periferia da Bienal acabam formando o Lado B da Bienal. A visita a esses estandes já compensa a ida ao evento. Mas há também o Espaço Infanto-Juvenil Ler é Minha Praia, com quatro auditórios com espetáculos de teatro de fantoches, contação de estórias e atividades lúdicas, uma biblioteca e uma atividade cênica que introduz as crianças no mundo do livro e da leitura. Essa é uma novidade da Bienal em termos de programação oficial que vale a pena destacar também. É uma iniciativa do Instituto Pró-Livro. Essa ONG, criada pelas principais entidades de classe do setor, tem por missão desenvolver atividades que promovam o livro e a leitura. Cumpre assim contra-partida estabelecida em recente acordo com o governo federal, que estendeu às empresas do livro a alíquota zero do PIS/PASEP e Confins. Por este acordo, as editoras são obrigadas a repassar 1% do faturamento para um fundo que financiará as atividades do Instituto Pró-livro. É importante tomar ciência disso, para que sejam cobradas mais ações efetivas em favor do livro. Andei sabendo que as editoras não estão cumprindo o acordo e uma boa iniciativa pode se esvaziar. Vamos ficar de olho.

Freqüento a Bienal do Livro desde 1986. Daquele ano para cá, não faltei em nenhuma e trabalhei em nove das doze edições. Estive no Pavilhão da Bienal do Ibirapuera, sede do evento até 1994. Depois, trabalhei em todas as edições realizadas no Expo Center Norte. Por duas vezes, a mostra aconteceu no Pavilhão da Imigrantes ( 2002/04); numa trabalhei e noutra passeei. Em 2006, primeira edição em que a Bienal foi realizada no Anhembi, antiga reivindicação das editoras, trabalhei no estande Francal Cidadania. Agora, volto à Bienal na condição de colunista deste Jornal franco-brasileiro com um olhar diferente, porém comprometido. Converti-me em livreiro em 1991, e reza a lenda que uma vez livreiro, sempre livreiro. Saí do ramo há mais de dez anos, mas os livros nunca mais saíram de mim. Por isso, não deixo de ir à Bienal do Livro e apesar de todas as críticas continuo achando indispensável participar deste evento.

Mais

Eleilson Leite é colunista do Caderno Brasil de Le Monde Diplomatique. Edições anteriores da coluna:

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O biscoito fino das quebradas
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A arte que liberta não pode vir da mão que escraviza
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