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CULTURA PERIFÉRICA

Na Primavera, a leitura supera o marketing

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Alternativa à Bienal, mostra de editoras independentes relembra que livros são, acima de tudo, espaço para idéias, inteligência e utopia. Evento abre espaço para iniciativas que não se submetem ao mercado, e combina exposição de obras com programação cultural – onde tem espaço a arte periférica

Eleilson Leite - (27/09/2008)

Se você é daqueles que ficam sem comer, mas não deixam de ler; um sujeito que tem sempre um livro na mão, que lhe salva do tédio da fila de um banco, consultório médico ou na repartição pública. No caminho para casa ou para o trabalho é um livro que lhe faz companhia no metrô, trem, ônibus ou mesmo no carro — onde ouve um “livro falante”. Se acha que o Djavan compôs para você os versos da bela canção: “um dia frio / um bom lugar pra ler um livro…” Você possivelmente detesta a Bienal do Livro e não perdeu seu tempo no Anhembi, no mês passado, para ver mais do mesmo. Mas se ainda não sabe, existe um evento que foi feito na medida para você: A Primavera dos Livros.

Realizada todos os anos, desde 2002, no Rio de Janeiro e São Paulo, a Primavera dos Livros terá sua sétima edição entre 25 e 28 de setembro (domingo). O evento acontece no Centro Cultural São Paulo (CCSP), das 10h às 22h, e conta com a participação de quase todas as cem editoras filiadas à Liga Brasileira de Editoras (Libre), organizadora da feira. Trata-se do encontro de editoras de pequeno porte que resolveram fazer um movimento contra-hegemônico, criando elas próprias um espaço diferenciado da Bienal – que vêem como um evento cada vez mais atrelado aos interesses das grandes corporações.

Na Primavera do Livro o mais importante é o livro e sua relação com o leitor – ou seja, a leitura. A Libre organiza a feira como um evento cultural, sem perder de vista, é claro, o aspecto comercial. Todas as editoras têm estandes iguais no tamanho e design. Assim, o leitor não desvia sua atenção nas armadilhas de marketing das editoras, como acontece na Bienal. O evento é gratuito e o CCSP fica do lado do metrô (estação Vergueiro da linha azul). As sessões de autógrafos acontecem num local especial, uma de cada vez, sem causar aglomerações e badalações desnecessárias. A sobriedade, porém não significa falta de encanto. O lugar é organizado com muito charme, decorado fartamente com flores e o mais importante de tudo se sobressai: o livro.

As pequenas editoras ali presentes têm dificuldade de fornecer seus títulos nas livrarias, em função da alta concentração que tem caracterizado o mercado do livro. Hoje, cinco redes do varejo absorvem mais de 70% do mercado. A figura do distribuidor perdeu força e a compra direta e centralizada pelas redes de mega-livrarias dita condições que as pequenas têm dificuldade de aceitar. Além disso, as livrarias – ao menos as grandes — estão muito influenciadas pelos ditames do mercado. Há editoras que compram ponta de gôndola, pagam para ter seus livros com destaque nas vitrines e fazem uso de muitos outros artifícios comuns às indústrias que escoam seus produtos em supermercados. Num cenário assim, as pequenas editoras ficam muito fragilizadas.

Os editores trabalham pessoalmente nos estandes. Sua atuação é uma característica da mostra. Permite quer o leitor conheça quem faz o livro acontecer, e que os autores fiquem cara-a-cara com quem pode lhes dar a chance tão procurada

Para enfrentar a concorrência, o trunfo das editoras da Libre, embora não apenas destas, é a qualidade de seus livros. Incrível, mas qualidade não é o principal requisito para uma editora se estabelecer no mercado. Então, elas juntam-se num trabalho em rede, fazendo da Primavera um grande acontecimento. Os editores trabalham pessoalmente nos estandes. A atuação do editor num corpo-a-corpo com o leitor é uma característica interessante da Primavera, e mais um importante diferencial do evento. É a oportunidade de o leitor conhecer a pessoa que faz o livro acontecer. Fica aí a dica para os autores que buscam publicar seus escritos. É a chance de ficar cara-a-cara com aquele que pode lhe dar a chance tão procurada.

A Libre assemelha-se muito a uma ONG. Não por acaso, sua atual presidente, Renata Borges, diretora da Editora Peirópolis, é muito próxima das organizações do terceiro setor, e mantém no catálogo de sua empresa uma ampla oferta de livros para este segmento. Como uma ONG, a Libre está focada numa causa – não nos interesses de uma classe ou grupo social. O objetivo é formar leitores, formular e defender políticas públicas para o livro, democratizar o acesso, fortalecer as livrarias, entre outras ações.

A Primavera do Livro reflete isso bem. Lá, o leitor sente-se a todo momento atraído pelo que o livro guarda em seu conteúdo e pela beleza de seu acabamento. O livro tem um fetiche que todo ávido leitor não despreza. Sou daqueles que acham que a um livro não basta ser bom, tem que ser bonito. Por isso, recomendo um passeio no CCSP, neste final de semana. As editoras da Libre fazem livros de excelência e com muito esmero. A programação está ótima, tanto pra adultos como para crianças. E se na Bienal os artistas da periferia eram intrusos num ambiente de requinte enlatado, na Primavera não é assim. Tem quatro atrações culturais com artistas da quebrada, além de vários livros de interesse para quem quer entender esse fenômeno sócio-cultural que é a periferia dos grandes centros urbanos.

Na quinta-feira, às 20h30, subiu ao palco o grupo de afoxé Umoja, da zona sul de São Paulo que trabalha música, dança, poesia e dramaturgia em seus espetáculos. O grupo tem quinze integrantes, que envolvem o público em suas performances artísticas de matriz africana. Na sexta, as 20h, foi a vez da roda de samba Pagode da 27, que é do Grajaú, também no extremo Sul de São Paulo. Formado predominantemente por jovens sambistas, este grupo tem como padrinho o Chapinha, do Samba da Vela. São músicos de primeira, com um repertório próprio e de clássicos do samba de terreiro.

Versão Popular assume os microfones no sábado, mandando um rap diferenciado e sem a marra de outros grupos. No domingo, Sérgio faz, criador e criatura da Cooperifa, faz, num recital, ode à poesia, amor e alegria

No sábado, às 18h, o grupo Versão Popular assume os microfones, mandando um rap com swing, ginga afro, letras de beleza poética, além de uma performance diferenciada, sem a marra que caracteriza ainda muitos grupos de rap. Para encerrar, no domingo, às 18h, o grande poeta Sergio Vaz, criador e criatura da Cooperifa, fará um recital com seus poemas, num clima de sarau, numa ode à poesia, ao amor e à alegria. Imperdível.

Entre os livros, minha principal dica são dois títulos da Editora Aeroplano, do Rio de Janeiro, que acabaram de ser lançados. Trata-se de Cooperifa – Antropofagia periférica, de Sergio Vaz, e Favela Toma Conta, de Alessandro Buzo. Ambos os títulos são da Coleção Tramas Urbanas que é coordenada por Heloisa Buarque de Holanda. Trazem o relato autobiográfico dos dois autores e agitadores culturais da periferia paulistana, que enfatizam suas trajetórias culturais do início da carreira até os dias de hoje. A Aeroplano, no entanto, não consta na lista de expositores. Acredito que esteja associada a alguma outra editora do Rio. Procurem, vale à pena. Se não acharem, adquiram os livros pelo site da editora.

Na Editora Peirópolis, a dica é um livro que também acaba de sair do forno: Transformar é Possível, de Ute Craemer e Renate Keller. Esta obra traz o relato da atuação da Associação Comunitária Monte Azul, que se organizou nos anos 1970, na Favela Monte Azul, Zona Sul de São Paulo. É uma das experiências mais lindas de trabalho comunitário em área de pobreza urbana. Mostra a atuação importantíssima de uma ONG, num tempo em que pouca gente sabia o que significava esse termo. A associação é hoje um dos centros culturais mais importantes da periferia paulistana. Uma história de êxito que tem muitos colaboradores, como deixam claro os autores, que não assumem sozinhos a autoria do livro.

Procure no estande da Editora 34 a edição número 8 da revista Sexta Feira. Publicada em dezembro de 2006, essa edição traz como tema a periferia. É ótima. Tem vários textos interessantes de gente bamba, como o antropólogo Hermano Vianna e ensaios instigantes de estudantes de pós-graduação e ativistas. Os editores tanscreveram a letra da rap Capítulo 4, Versículo 3, dos Racionais MC’s cuja leitura é fundamental por dois motivos. Primeiro, porque é um manifesto de altíssimo calibre político. Segundo, porque mostra que, quando bem feito, um rap pode ser lido e ganha força como poesia.

Contribuição à cultura brasileira: mais de 7 mil títulos expostos, sem artifícios marqueteiros que escamoteiam o que o livro tem de melhor: seu conteúdo. Tudo grátis – exceto os livros, é claro. É bem possível que a Primavaera seja o seu lugar

Uma terceira e última dica é o livro Jovens na Metrópole – Etnografias de circuitos de lazer, encontro e sociabilidade, obra com dez textos extraídos de trabalhos de pós-graduação de alunos ligados ao Núcleo de Antropologia Urbana da USP. Lançado em 2007, o livro, organizado pelo professor José Guilherme Magnani e Bruna Mantese de Souza, disseca os percursos de grupos que se articulam em diferentes espaços da cidade, fazendo de lugares inusitados seus pontos de encontro. É uma obra essencial para se entender a cultura urbana e as formas de apropriação do espaço da metrópole.

O fato de a Primavera dos Livros acontecer no Centro Cultural São Paulo agrega muito à feira e sua pretensão de ser, antes de tudo, um evento cultural. O CCSP é um espaço que acolhe bem todas as expressões artísticas e um dos mais importantes pontos de encontro da juventude paulistana. Outro aspecto muito relevante é o fato de o CCSP ter a maior biblioteca braile da cidade. Estará integrada ao evento. Haverá uma cabine para gravação de poemas, que depois serão incorporados ao acervo da biblioteca. Se você quiser deixar sua poesia gravada, passe por lá. Tem também o ônibus-biblioteca, que estará estacionado no local durante o evento. Criado na gestão de Mario de Andrade no Departamento de Cultura do Município, na década de 1930, esse ônibus circula pela cidade sempre com 3 mil livros, extraídos de um acervo com mais de 130 mil títulos.

As cem editoras da Libre reúnem um acervo de 7.138 títulos. É, sem dúvida, uma contribuição inestimável à cultura brasileira. Essas obras estarão por quatro dias num mesmo lugar, exposta ao público despida de artifícios marqueteiros que escamoteiam o que o livro tem de melhor: seu conteúdo. É tudo de graça – exceto os livros, é claro. Se você quer ter sempre a companhia de um bom livro em casa, no buzão, na fila do banco ou em qualquer outro canto, vá à Primavera dos Livros, porque lá é seu lugar.

Mais:

Libre na Internet: www.libre.org.br
Primavera dos Livros: www.primaveradoslivros.com.br

Eleilson Leite é colunista do Caderno Brasil de Le Monde Diplomatique. Edições anteriores da coluna:

Linha de Passe: um gol de letra e um gol-contra
Em seu novo filme, Walter Salles e Daniela Thomas constroem uma história brasileira que debate, com profundidade e sutileza, a existência e os dramas humanos. Mas o cacoete de associar periferia a infelicidade dá à obra um tom de chavão e frustra a própria intenção de esperança do diretor

Cooperifa: veja o filme, leia o livro e ouça o disco
Série de obras artísticas celebra os saraus que ajudaram a construir o conceito de cultura periférica — e o mundo de iniciativas que está surgindo a partir deles. Trabalhos ressaltam opinião da jornalista Eliane Brum: "A Cooperifa é um abalo sísmico a partir de uma esquina de quebrada"

Na Bienal do Livro, um roteiro alternativo
Debate sobre literatura periférica e um punhado de editoras, universitárias e semi-artesanais, valem a visita. Aí persiste o encanto de uma feira que foi indispensável — mas chega aos 40 anos um tanto decadente e deselegante. Talvez por apostar no gigantismo, e se render à lógica de mercado

Gilberto Gil: LadoA e LadoB
Único artista a dirigir o ministério da Cultura até hoje, ele foi também o primeiro ministro a traçar políticas públicas efetivas para a produção simbólica. Valorizou a diversidade e a autonomia. Faltou assegurar recursos condizentes, e evitar que fossem canalizados para o marketing empresarial

"O Hip Hop nunca foi tão pop"
Vinte e cinco anos depois de despontar no Brasil, a cultura hip-hop está bombando como nunca. Ligou-se ao showbizz, mas é capaz de manter, mesmo assim, seus princípios e essência. É claramente periférica. Dez eventos a celebram, a partir deste fim de semana, em São Paulo

"Meu bairro era pobre, mas ficava bonito metido num luar"
Mídia tradicional multiplica referências a Machado e a Rosa, rendendo-lhes homenagens previsíveis e banais. Coluna destaca outro centenário: o de Solano Trindade. Poeta, dramaturgo, ator e artista plástico, ele cantou a dignidade, as lutas, amores e dores dos negros e dos que vivem do trabalho

Um passo à frente e você já não está mais no mesmo lugar
Escola Pernambucana de Circo organiza, em festa, seu centro de arte-educação. Ao invés de adotar postura "profissionalizante", iniciativa busca emancipar. Por isso, aposta na qualidade artística, técnica e cultural de seu trabalho, e foge do conceito de "arte para pobre”

Plano Nacional de Cultura: realidade ou ficção?
Ministério lança documento ousado, que estabelece, pela primeira vez, política cultural para o país. Dúvida: a iniciativa será capaz de driblar a falta de recursos e a cegueira histórica do Estado em relação à produção simbólica? Coluna convida os leitores a debate e mobilização sobre o tema

Semeando asas na quebrada paulistana
De como a trupe teatral Pombas Urbanas, criada por um peruano, chegou a mudar o nome do Brasil, trocou os palcos pelas ruas, sofreu a perda trágica de seu criador mas reviveu, animada pela gente forte da periferia — para onde regressou e de onde não pretende se afastar

Humildade, dignidade e proceder
Agenda da Periferia completa um ano de publicação. Como diria Sergio Vaz, não praticamos jornalismo — "jogamos futebol de várzea no papel". Fazê-la é exercício de persistência, crença e doação. O maior sinal de êxito é o respeito que o projeto adquriu no movimento cultural das quebradas

A revolução cultural dos motoboys
Um evento em São Paulo, um site inusitado e dois filmes ajudam a revelar a vida e cultura destes personagens de nossas metrópoles. Sempre oprimidos, por vezes violentos, eles vivem quase todos na periferia, são a própria metáfora do caos urbano e estão construindo uma cultura peculiar

Manos e Minas no horário nobre
Estréia na TV Cultura programa que aborda cena cultural da periferia com criatividade, sem espetacularização e a partir do olhar dos artistas do subúrbio. Iniciativa lembra o histórico Fábrica do Som, mas revela que universo social da juventunde já não é dominado pelos brancos, nem pela classe média

Pequenas revoluções
Em São Paulo, mais de cem projetos culturais passam a ter financiamento público, por meio do VAI. Quase sempre propostos por jovens, e a partir das quebradas, eles revelam as raízes e o amadurecimento rápido da arte nas periferias. Também indicam uma interessante preferência pela literatura

A periferia na Virada e a virada da periferia
Em São Paulo, a arte vibrante das quebradas dribla o preconceito e aparece com força num dos maiores eventos culturais do país. Roteiro para o hip-hop, rap, DJs, bambas, rodas de samba, rock, punk e festivais independentes. Idéias para que uma iniciativa inovadora perdure e supere limites

Retratos da São Paulo indígena
Em torno de 1.500 guaranis, reunidos em quatro aldeias, habitam a maior cidade do país. A grande maioria dos que defendem os povos indígenas, na metrópole, jamais teve contato com eles. Estão na perferia, que vêem como lugar sagrado

Cultura, consciência e transformação
A cada dia fica mais claro que a produção simbólica articula comunidades, produz movimento, desperta rebeldias e inventa futuros. Mas a relação entre cultura e transformação social é muito mais profunda que a vã filosofia dos que se apressam a "politizar as rodas de samba"...

É tudo nosso!
Quase ausente em É tudo Verdade, audiovisual produzido nas periferias brasileiras reúne obras densas, criativas e inovadoras. Festival alternativo exibe, em São Paulo, parte destes filmes e vídeos, que já começam a ser recolhidos num acervo específico

Arte de rua, democracia e protesto
São Paulo saúda, a partir de 27/3, o grafite. Surgido nos anos 70, e adotado pela periferia no rastro do movimento hip-hop, ele tornou-se parte da paisagem e da vida cultural da cidade. As celebrações terão colorido, humor e barulho: contra a prefeitura, que resolveu reprimir os grafiteiros

As festas deles e as nossas
Num texto preconceituoso, jornal de São Paulo "denuncia" agito na periferia e revela: para parte da elite, papel dos pobres é trabalhar pesado. Duas festas são, no feriado, opção para quem quer celebrar direito de todos ao ócio, à cultura, à criação e aos prazeres da mente e do corpo

Arte independente também se produz
Às margens da represa de Guarapiranga, Varal Cultural é grande mostra de arte da metrópole. Organizado todos os meses, revela rapaziada que é crítica, autogestionária, cooperativista e solidária — mas acredita em seu trabalho e não aceita receber migalhas por ele

Nas quebradas, toca Raul
Um bairro da Zona Sul de São Paulo vive a 1ª Mostra Cultural Arte dos Hippies. Na periferia, a pregação do amor e liberdade faz sentido. É lá que Raul Seixas continua bombando em shows imaginários, animando coros regados a vinho barato nas portas do metrô, evocando memórias e tramando futuros

No mundo da cultura, o centro está em toda parte
Estamos dispostos a discutir a cultura dos subúrbios; indagar se ela, além de afirmação política, está produzindo inovações estéticas. Mas não aceitamos fazê-lo a partir de uma visão hierarquizada de cultura: popular-erudita, alta-baixa. Alguns espetáculos em cartaz ajudam a abrir o bom debate

Do tambor ao toca-discos
No momento de maior prestígio dos DJs, evento hip-hop comandado por Erry-G resgata o elo entre as pick-ups, a batida Dub da Jamaica e a percussão africana. Apresentação ressalta importância dos discos de vinil e a luta para manter única fábrica brasileira que os produz

Pirapora, onde pulsa o samba paulista
Aqui, romeiros e sambistas, devotos e profanos lançaram sementes para o carnaval de rua, num fenômeno que entusiasmou Mário de Andrade. Aqui, o samba dos mestres (como Osvaldinho da Cuíca) vibra, e animará quatro dias de folia. Aqui, a 45 minutos do centro da metrópole

São Paulo, 454: a periferia toma conta
Em vez de voltar ao Mercadão, conheça este ano, na festa da cidade, Espaço Maloca, Biblioteca Suburbano Convicto, Buteco do Timaia. Delicie-se no Panelafro, Saboeiro, Bar do Binho. Ignorada pela mídia, a parte de Sampa onde estão 63% dos habitantes é um mundo cultural rico, diverso e vibrante

2007: a profecia se fez como previsto
Há uma década, os Racionais lançavam Sobrevivendo no Inferno, seu CD-Manifesto. O rap vale mais que uma metralhadora. Os quatro pretos periféricos demarcaram um território, mostrando que as quebradas são capazes de inverter o jogo, e o ácido da poesia pode corroer o sistema

No meio de uma gente tão modesta
Milhares de pessoas reúnem-se todas as semanas nas quebradas, em torno das rodas de samba. Filho da dor, mas pai do prazer, o ritmo é o manto simbólico que anima as comunidades a valorizar o que são, multiplica pertencimentos e sugere ser livre como uma pipa nos céus da perifa

A dor e a delícia de ser negro
Dia da Consciência Negra desencadeia, em São Paulo, semana completa de manifestações artísticas. Nosso roteiro destaca parte da programação, que se repete em muitas outras cidades e volta a realçar emergência, diversidade e brilho da cultura periférica

Onde mora a poesia
Invariavelmente realizados em botecos, os saraus da periferia são despojados de requintes. Mas são muito rigorosos quanto aos rituais de pertencimento e ao acolhimento. Enganam-se aqueles que vêem esses encontros como algo furtivo e desprovido de rigores

O biscoito fino das quebradas
Semana de Arte Moderna da Periferia começa dia 4/11, em São Paulo. Programa desmente estereótipos que reduzem favela a violência, e revela produção cultural refinada, não-panfletária, capaz questionar a injustiça com a arma aguda da criação

A arte que liberta não pode vir da mão que escraviza
Vem aí Semana de Arte Moderna da Periferia. Iniciativa recupera radicalidade de 1922 e da Tropicália, mas afirma, além disso, Brasil que já não se espelha nas elites, nem aceita ser subalterno a elas. Diplô abre coluna quinzenal sobre cultura periférica



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