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SOCIEDADE EM REDE

Techies e gambiarras

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Sob o ponto de vista das redes, o foco não está nas máquinas: a revolução parte das pessoas. Minhas ferramentas digitais não funcionam como deveriam. Adapto a impressora, turbino o celular. Penso que conviver com a improvisação me torna mais humano

Hernani Dimantas - (12/11/2008)

O cyberpunk Willian Gibson diz que "A rua encontra seus próprios usos para as coisas". A apropriação está no uso das tecnologias. E, enxergo essa apropriação como um atalho para o futuro das conversações. Pois, sob o ponto de vista das redes, o foco não está nas máquinas. A revolução está nas pessoas e o que elas fazem com as máquinas.

É exatamente na gambiarra que faço uma interpolação no âmbito da tecnologia. Por exemplo: estou montando em casa uma proto-estrutura para os meus estudos de doutorado. Ganhei, por empréstimo, uma HP, impressora com scanner, xerox e outros quitutes techies. Fiquei feliz. Afinal essa tríade me dá condições para trabalhar intensamente na tese.

O scanner somado ao um OCR potencializa as possibilidades de citações. A tecnologia trouxe ao mundo acadêmico alguns facilitadores que fazem da relação sádica, um mamãozinho com açúcar. Mas que surpresa!!! Esqueci que meu notebook está equipado com um Ubuntu. A HP não funciona sem uma camada de esforço, pesquisa e gambiarra. Estou, nesse momento, na fase do esforço para configurar a resolução na captação da imagem do scanner.

Mas essa proposta de apropriação parece que é recorrente na minha vida. Minhas ferramentas digitais não funcionam como deveriam. Comprei um Nokia E65 faz uns 6 meses. Já atualizei o software, desenvolvi algumas gambis para aumentar o contato da bateria e do cartão de memória SIM. No entanto, o aparelho se comporta muito mal. Liga e desliga "n" vezes ao dia. Acho que é um probleminha no contato com a tela, mas é um achômetro que pode ser facilmente corrigido pela assistência técnica. Porém, não tenho tempo para levar o aparelho. Prefiro sobreviver às desmedidas do gap na tecnologia que pressupõe ação. Ou seja, é melhor conviver com intermitência da techie.

Eu acho que as tecnologias não precisam funcionar sempre e que conviver com a gambiarra me faz mais humano.

Mais:

Hernani Dimantas assina, no Caderno Brasil, a coluna Sociedade em Rede. Edições anteriores:

A invasão bárbara
No ensino, ao contrário do que sempre ocorreu, o professor terá de partir partir do mundo real para o pedagógico. Isso significa que a escola começa se alimentar da inteligência coletiva que emerge da rede. Uma revolução não-televisionada, que rompe os muros da educação

O que é pedagógico?
A revolução que a internet promove nas relações sociais afetará radicalmente as trocas de informações e conhecimentos. Como a pegadogia está lidando com estas mudanças? De que modo se dispõe a lidar com modos de aprender e ferramentas que estão se tornando universais?

Diferentes platôs
Nossa sociedade vive em diferentes platôs. São muitas redes que se interconectam. Formam as redes de informação. O que é físico torna-se virtual e, catalisado, retorna ao físico gerando ações interligadas. O desafio é entender a rede como um movimento múltiplo

Sobre conversas e revoluções
Longe das baboseiras impostas como grandes verdades, estamos rompendo paradigmas, modificando a economia e o trabalho, mostrando que, fora do capitalismo selvagem, existe inteligência. Tem gente que acha isso utopia. A nossa utopia! Eu creio, tu crês ser realidade... só por prazer

O paradoxo do real
Somados os percursos, teremos reconstituído uma pluralidade de mundos dentro de um mesmo e único mundo. Ou como escreveu Borges: "... sentia que o mundo é um labirinto, do qual era impossível fugir, pois todos os caminhos, ainda que fingissem ir ao norte ou ao sul, iam realmente a Roma"

A era das trocas par-a-par
Na virada do século, o desenho das redes na internet passou por uma grande transformação. Ao invés da subordinados a um servidor, os computadores e seus usuários passaram a falar uns com os outros. A mudança abriria um leque de possibilidades — inclusive no terreno da Educação

A cultura hacker
Confundidos propositalmente, pelo pensamento conservador, com invasores de rede, hackers somos todos os que agimos para que informações, cultura e conhecimento circulem livremente. E esta ética de cooperação, pós-capitalista, vai transbordando do software livre para toda a sociedade

Em busca da ativação
Desenvolvido desde 2002, método simples e instigante quebra barreiras em relação às redes sociais on-line e cria, em comunidades e instituições, ambientes de colaboração e compartilhamento. Prática revela como é tênue a diferença entre a presença "virtual" e a que se dá "em carne e osso"

Caminhos da revolução digital
Apesar de dominante, o capitalismo não consegue mais sustentar a lógica de acumulação e trabalho. Seus principais alicerces — a economia, a ética burocrática e a cultura de massas — estão em crise. Com a internet florescem, em rede, novas formas de produzir riquezas, diálogos e relações sociais

O desafio do Open Social
Em nova iniciativa supreendente, o Google sugere interconectar as redes sociais como Orkut, Facebook e Ning. Proposta realça sucesso dos sistemas que promovem inteligência coletiva e convida a refletir sobre o papel da individualidade, na era da colaboração e autorias múltiplas

Multidões inteligentes e transformação do mundo
Esquecidas na era industrial, mas renascidas com a internet, as redes sociais desafiam a fusão entre o poder e o saber, permitem que colaboração e generosidade sejam lógicas naturais e podem fazer da emancipação um ato quotidiano

Por trás dos links, as pessoas
Há dois séculos, a ciência descobriu e passou a analisar as redes. Há vinte anos, elas estão revolucionando o jeito de a sociedade se relacionar consigo mesma



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