Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» A desigualdade brasileira posta à mesa

» Fagulhas de esperança na longa noite bolsonarista

» 1 de setembro de 2020

» O fim do mundo e o indiscreto racismo das elites

» O milagre da multiplicação de bilhões — para os bancos

» Movimento sindical em tempos de tormenta

» 31 de agosto de 2020

» A crucificação de Julian Assange

» Nuestra America: os cinco séculos de solidão

» Ir além do velho mundo: lições da pandemia

Rede Social


Edição francesa


» L'Amérique latine a choisi l'escalade révolutionnaire localisée

» Le national-conservatisme s'ancre dans la société hongroise

» Au Venezuela, la tentation du coup de force

» « Tout ce qu'ils nous proposent, c'est de devenir flics ! »

» Les loups solitaires de Boston

» Le Front national sur un plateau

» Karl Kraus, contre l'empire de la bêtise

» Hors-la-loi

» Révolte américaine contre les ogres du fast-food

» Au Soudan du Sud, l'écroulement des espoirs démocratiques


Edição em inglês


» Nagorno-Karabakh conflict: its meaning to Armenians

» How will the US counter China?

» October: the longer view

» America, year 2020

» The ministry of American colonies

» America, the panic room

» Independent only in name

» An election result that won't be accepted

» Into the woods, it's nearly midnight

» Canada's cancel culture


Edição portuguesa


» Um resultado que ninguém aceitará

» Edição de Outubro de 2020

» Distâncias à mesa do Orçamento

» Falsas independências

» Trabalho na cultura: estatuto intermitente, precariedade permanente?

» RIVERA

» Edição de Setembro de 2020

» Cuidar dos mais velhos: por uma rede pública e universal

» Restauração em Washington?

» Cabo Delgado: névoa de guerra, tambores de internacionalização


DEPOIS DA CRISE

A prudência islâmica

Imprimir
enviar por email

Ler Comentários
Compartilhe

Em respeito à xariá, os banqueiros do mundo árabe não participaram da ciranda da especulação financeira e hoje estão em posição mais confortável que os colegas ocidentais. Porém, para desviar-se da interdição dos juros, eles aplicaram em ativos imobiliários e em matérias-primas, setores igualmente voláteis

Akram B. Ellyas - (23/11/2008)

O que aconteceria se Wall Street adotasse as regras das finanças islâmicas? A questão pode ser surpreendente e chegou a irritar alguns executivos, mas desde que foi lançada está dando a volta ao mundo. A razão é simples: condenando a política de taxa de juros, essa indústria financeira de mais de US$ 400 bilhões aparece como a mais preparada para resistir aos desgastes gerados pelos subprimes e à especulação sobre os mercados de produtos derivados.

Na França, num editorial bastante surpreendente, o diretor de redação da revista semanal Challenge, Vincent Beaufils, abordou de frente a questão. No mesmo momento em que o papa bento XVI visitava o país, o jornalista observou que o planeta passava por uma crise financeira e recomendou:“Neste caso, é melhor reler o Alcorão do que os textos pontificais. Se os banqueiros, ávidos pela rentabilidade sobre os próprios fundos, tivessem respeitado pelo menos um pouco a xariá (a lei canônica islâmica), nós não estaríamos assim”. Para concluir sua matéria, beaufils elogiou os banqueiros do Golfo, “que não fazem concessões sobre o princípio sagrado de que dinheiro não deve produzir dinheiro”.

Traduzido em vários idiomas, esse editorial rodou a internet e se juntou a múltiplas declarações que colocavam em evidência o fato de que os bancos islâmicos eram controlados por regras rígidas, diferentemente das finanças internacionais, que se livraram delas por intermédio da desregulamentação.

Vários canais árabes organizaram transmissões especiais sobre esse tema, questionando-se sobre a hipótese de um afluxo de poupança dos países não-muçulmanos para esses estabelecimentos. Todavia, no banco Central de bahrein, cerne mundial das finanças islâmicas, o julgamento é circunspecto: “As finanças no Golfo não estão baseadas na xariá. É verdade que essa atividade passa por um desenvolvimento importante, mas, se os bancos da região ficaram fora da crise dos subprimes, significa que eles não tinham meios técnicos e humanos para investir nesses tipos de produto”.

É uma posição exatamente oposta à de um banqueiro francês instalado em Dubai, para quem as finanças islâmicas vão certamente aproveitar a crise para aumentar sua influência no ocidente. “Nos países onde vivem importantes comunidades muçulmanas, a crise que estamos passando vai permitir que os bancos islâmicos disponham de um argumento de marketing suplementar: essas comunidades já colocavam em evidência o fato de que sua atividade era lícita do ponto de vista da xariá e, daqui para frente, vão insistir na sua desconexão em relação aos distúrbios do sistema financeiro. Eu as vejo em uma posição confortável, apresentando-se como socialmente responsáveis e em oposição aos bancos clássicos, que jogaram com as economias dos depositantes.”

Apesar disso, nada nos permite afirmar que esse setor, mesmo indo de vento em popa, esteja, por isso, protegido de acidentes. Nos anos 1990, a falência estrondosa dos bancos islâmicos egípcios provocou uma parada brusca no desenvolvimento desse tipo de atividade nos países muçulmanos.

No mesmo sentido, lembra um banqueiro tunisiano que vê com pessimismo a instalação de bancos islâmicos em seu país, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou várias vezes esses estabelecimentos, dizendo a seus proprietários que deveriam ser mais transparentes e se colocarem de acordo com as normas contábeis internacionais. Outros especialistas se perguntam sobre a sofisticação sem freios e sempre crescente dos investimentos propostos pelos bancos islâmicos. Para desviar-se da interdição dos juros, essas aplicações são freqüentemente baseadas em ativos tangíveis, como os imobiliários e as matérias-primas. Estes são setores que estão confrontados com a especulação e a volatilidade, o que, cedo ou tarde, deveria causar prejuízos aos produtos islâmicos vinculados a eles.

Essas críticas importantes não devem, todavia, reduzir a dinâmica ascendente das finanças islâmicas. Crise ou não, estão previstas mais de dez grandes conferências so- bre esse tema para os próximos meses na europa e na África do norte.




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos