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CULTURA PERIFÉRICA

Jardim Santo André na Galeria Vermelho

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Um espaço badalado das artes de São Paulo reproduz os grafites que estão mudando a paisagem de um dos bairros mais violentos do ABC. Retrato de um país secularmente desigual — onde, no entanto, a periferia cobra seus direitos, e se expressa cada vez mais por meio da criação simbólica

Eleilson Leite - (22/12/2008)

Em 17 de outubro, a neblina que normalmente encobre o Jardim Santo André, na periferia do ABC Paulista, formou um denso véu, como se fosse um recurso de cena para a tragédia iminente, cujo desfecho teve transmissão ao vivo em cadeia nacional. Às seis da tarde daquele fatídico dia, Eloá Cristina, uma jovem de 15 anos, foi assassinada pelo seu ex-namorado, que a havia mantido em cativeiro por cinco dias em sua própria casa.

Numa manhã comum de um dia qualquer no mês de setembro, no mesmo Jardim Santo André, Richard, garoto de dez anos, foi atropelado por um motorista imprudente que conduzia seu carro em alta velocidade nas estreitas ruas do bairro.

Viver nesse bairro é estar exposto ao risco permanente. Encravado na parte serrana de Santo André, o Jardim é cercado de mata, que serve de local de desova de corpos de vítimas do conflito entre grupos rivais ligados ao narcotráfico. Somente no primeiro semestre de 2008, foram registrados 45 homicídios no local. Isso representa 75% de todos os casos da cidade e 20% de todo o ABC. Nesse bairro, formado por seis favelas em processo de urbanização, vivem 7,5 mil famílias, mais de 30 mil pessoas. Um terço da população não tem fonte de renda e 75% têm menos de 40 anos e baixíssimo índice de escolaridade.

Do Jardim Santo André, como em geral acontece com toda a periferia, o que se conhece são suas tragédias — que infelizmente não são poucas. Mas nesse bairro, o pulso ainda pulsa. Em duas de suas comunidades, a Lamartine e a Dominicanos, as cores do grafite deram um tom mais alegre aos muros, escadarias e fachadas de casas. Durante seis meses um ateliê foi instalado no local. Vinte pessoas, entre adolescentes, jovens e adultos, receberam capacitação na arte de pintar e deram um colorido novo ao bairro.

Identificados em um mapa, os pontos configuram um roteiro de arte que proporciona um encanto em cada canto. É um movimento de apropriação simbólica do espaço público

São 48 pontos de intervenção artística, que formam uma galeria a céu aberto. Essas intervenções foram feitas pelas ONGs Jardim Miriam Arte Clube (Jamac) e Ação Educativa, no Projeto Arte em Toda Parte, que integra as ações do programa São Paulo de Cara Nova, da secretaria de Habitação e da CDHU – Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Governo do Estado de São Paulo. Identificados em um mapa, esses pontos configuram um roteiro de arte que proporciona um encanto em cada canto. É um movimento de apropriação simbólica do espaço público. A idéia do projeto era despertar nos moradores um sentimento de pertencimento que fortalecesse os laços de identidade e o tecido social daquelas comunidades. Deu certo.

O êxito do projeto pode ser verificado com nitidez no trabalho desenvolvido pelo Jamac. Esta ONG, fundada e coordenada pela artista plástica Mônica Nador, foi procurada pela CDHU em função do reconhecido trabalho que Mônica desenvolve em fachadas de casas, em bairros de periferia no Brasil e em vários países do mundo. No Jardim Santo André, 29 residências tiveram suas paredes externas rebocadas, para receberem pinturas em stencil graffiti. As casas ficaram com o mesmo padrão visual, mas com desenhos e cores diferentes, o que resultou num conjunto bastante interessante.

O processo foi filmado pelo cineasta Carlos Jerônimo Vilhena de Toledo, que editou um belo documentário. Jerônimo também fotografou as casas, registrando o antes e o depois. As fotos foram impressas em um folder, que traz também o mapa localizando as casas. Tanto o mapa quanto o filme podem ser vistos na Galeria Vermelho, que fica na região da avenida Paulista, em São Paulo. Algumas das pinturas feitas pelo Jamac no Jardim Santo André foram reproduzidas nas paredes internas e externas da galeria. Se você não tiver como ir pessoalmente à periferia de Santo André, poderá tomar contato com o projeto Arte em Toda Parte numa galeria de bacana. Aproveita. Não é todo dia que a arte da periferia tem acolhida no circuito in. A Exposição vai até 17 de janeiro, mas a Galeria Vermelho ficará fechada entre os dias 20 de dezembro e 4 de janeiro.

Já a Ação Educativa enfatizou o processo formativo, realizando inúmeras aulas teóricas e práticas, formando doze alunos que participaram de pinturas em muros de casas, escadarias, rampa de skate entre outros suportes, utilizando, além do stencil, o graffiti a mão livre e mosaico. O resultado ficou mais próximo do que se chama de Arte Pública. Com uma estética de rua, o conjunto é aparentemente desconexo, em função da liberdade de escolha dos desenhos dada aos moradores. Mas confere ao transeunte uma sensação de arrebatamento, tamanha a vibração que as cores concentradas provocam. O trabalho da Ação Educativa mobilizou três importantes grafiteiros: Bete Nóbrega, Tota e Thiago Vaz — que deram aulas no ateliê — e alguns convidados, como Chorão, Celso Gitahy, Rodrigo Medeiros, Moises e Eymard Ribeiro — que atuaram nas intervenções.

No vídeo de Jerônimo Vilhena, moradores contam como passaram a dar valor estético à casa, que antes só servia de abrigo. A nova estima pessoal se estendeu para a rua e o bairro, num movimento subjetivo que só a arte pode produzir

Há tempos, acredito que a arte é a expressão humana de maior potencial transformador. Com o projeto Arte em Toda Parte, percebi o quanto essa idéia é verdadeira. No vídeo de Jerônimo Vilhena, há depoimentos comoventes dos moradores que passaram a dar valor estético à casa que antes só lhes servia de abrigo. Esta nova estima pessoal se estendeu para a rua e o bairro, num movimento subjetivo que só a arte pode produzir.

Em algumas das muitas escadarias do bairro, a Ação Educativa reproduziu, na testeira dos degraus, versos de poemas de Solano Trindade e Sergio Vaz. O poeta da Cooperifa ficará imortalizado no bairro, entre outras, por sua poesia Receita para Um Novo Dia que nos ensina a ter esperança no futuro sem esquecer as dores do passado e o sofrimento do presente. E essa é uma receita muito boa para o povo do Jardim Santo André que, cansado de tanta guerra e morte, cria por si próprio uma nova forma de viver.

O projeto Arte em Toda Parte concluiu uma etapa experimental e superou as expectativas. Presente à Galeria Vermelho no lançamento do Mapa das Artes do Jardim Santo André, no último dia 10, o secretário de Habitação de São Paulo, Lair Krähenbühl, ficou impressionado com os resultados e comovido com a motivação da comunidade, que lotou dois ônibus para entregar a ele uma moção pedindo a continuidade do projeto. Espero que o secretário, que também é presidente da CDHU, continue apoiando a iniciativa, idealizada por Viviane Frost, que responde pela Superintendência de Ações de Recuperação Urbana do órgão. É a chance para que garotas como Michelli da Silva e Joyce dos Santos, meninas com a mesma idade da Eloá Cristina e que receberam o certificado do projeto, possam continuar fazendo muita arte em toda parte do Jardim Santo André.

Mais:

Eleilson Leite é colunista do Caderno Brasil de Le Monde Diplomatique. Edições anteriores da coluna:

A nova arte da Cooperifa
Ela veio para ficar. A primeira Mostra Cultural da Cooperifa reunirá guerreiros e guerreiras fortemente armados com canetas, cadernos e livros. Trava-se uma luta incansável contra a ignorância,mediocridade, conformismo, tristeza e as pobrezas material e espiritual que insistem em saquear a quebrada

Na Primavera, a leitura supera o marketing
Alternativa à Bienal, mostra de editoras independentes relembra que livros são, acima de tudo, espaço para idéias, inteligência e utopia. Evento abre espaço para iniciativas que não se submetem ao mercado, e combina exposição de obras com programação cultural – onde tem espaço a arte periférica

Linha de Passe: um gol de letra e um gol-contra
Em seu novo filme, Walter Salles e Daniela Thomas constroem uma história brasileira que debate, com profundidade e sutileza, a existência e os dramas humanos. Mas o cacoete de associar periferia a infelicidade dá à obra um tom de chavão e frustra a própria intenção de esperança do diretor

Cooperifa: veja o filme, leia o livro e ouça o disco
Série de obras artísticas celebra os saraus que ajudaram a construir o conceito de cultura periférica — e o mundo de iniciativas que está surgindo a partir deles. Trabalhos ressaltam opinião da jornalista Eliane Brum: "A Cooperifa é um abalo sísmico a partir de uma esquina de quebrada"

Na Bienal do Livro, um roteiro alternativo
Debate sobre literatura periférica e um punhado de editoras, universitárias e semi-artesanais, valem a visita. Aí persiste o encanto de uma feira que foi indispensável — mas chega aos 40 anos um tanto decadente e deselegante. Talvez por apostar no gigantismo, e se render à lógica de mercado

Gilberto Gil: LadoA e LadoB
Único artista a dirigir o ministério da Cultura até hoje, ele foi também o primeiro ministro a traçar políticas públicas efetivas para a produção simbólica. Valorizou a diversidade e a autonomia. Faltou assegurar recursos condizentes, e evitar que fossem canalizados para o marketing empresarial

"O Hip Hop nunca foi tão pop"
Vinte e cinco anos depois de despontar no Brasil, a cultura hip-hop está bombando como nunca. Ligou-se ao showbizz, mas é capaz de manter, mesmo assim, seus princípios e essência. É claramente periférica. Dez eventos a celebram, a partir deste fim de semana, em São Paulo

"Meu bairro era pobre, mas ficava bonito metido num luar"
Mídia tradicional multiplica referências a Machado e a Rosa, rendendo-lhes homenagens previsíveis e banais. Coluna destaca outro centenário: o de Solano Trindade. Poeta, dramaturgo, ator e artista plástico, ele cantou a dignidade, as lutas, amores e dores dos negros e dos que vivem do trabalho

Um passo à frente e você já não está mais no mesmo lugar
Escola Pernambucana de Circo organiza, em festa, seu centro de arte-educação. Ao invés de adotar postura "profissionalizante", iniciativa busca emancipar. Por isso, aposta na qualidade artística, técnica e cultural de seu trabalho, e foge do conceito de "arte para pobre”

Plano Nacional de Cultura: realidade ou ficção?
Ministério lança documento ousado, que estabelece, pela primeira vez, política cultural para o país. Dúvida: a iniciativa será capaz de driblar a falta de recursos e a cegueira histórica do Estado em relação à produção simbólica? Coluna convida os leitores a debate e mobilização sobre o tema

Semeando asas na quebrada paulistana
De como a trupe teatral Pombas Urbanas, criada por um peruano, chegou a mudar o nome do Brasil, trocou os palcos pelas ruas, sofreu a perda trágica de seu criador mas reviveu, animada pela gente forte da periferia — para onde regressou e de onde não pretende se afastar

Humildade, dignidade e proceder
Agenda da Periferia completa um ano de publicação. Como diria Sergio Vaz, não praticamos jornalismo — "jogamos futebol de várzea no papel". Fazê-la é exercício de persistência, crença e doação. O maior sinal de êxito é o respeito que o projeto adquriu no movimento cultural das quebradas

A revolução cultural dos motoboys
Um evento em São Paulo, um site inusitado e dois filmes ajudam a revelar a vida e cultura destes personagens de nossas metrópoles. Sempre oprimidos, por vezes violentos, eles vivem quase todos na periferia, são a própria metáfora do caos urbano e estão construindo uma cultura peculiar

Manos e Minas no horário nobre
Estréia na TV Cultura programa que aborda cena cultural da periferia com criatividade, sem espetacularização e a partir do olhar dos artistas do subúrbio. Iniciativa lembra o histórico Fábrica do Som, mas revela que universo social da juventunde já não é dominado pelos brancos, nem pela classe média

Pequenas revoluções
Em São Paulo, mais de cem projetos culturais passam a ter financiamento público, por meio do VAI. Quase sempre propostos por jovens, e a partir das quebradas, eles revelam as raízes e o amadurecimento rápido da arte nas periferias. Também indicam uma interessante preferência pela literatura

A periferia na Virada e a virada da periferia
Em São Paulo, a arte vibrante das quebradas dribla o preconceito e aparece com força num dos maiores eventos culturais do país. Roteiro para o hip-hop, rap, DJs, bambas, rodas de samba, rock, punk e festivais independentes. Idéias para que uma iniciativa inovadora perdure e supere limites

Retratos da São Paulo indígena
Em torno de 1.500 guaranis, reunidos em quatro aldeias, habitam a maior cidade do país. A grande maioria dos que defendem os povos indígenas, na metrópole, jamais teve contato com eles. Estão na perferia, que vêem como lugar sagrado

Cultura, consciência e transformação
A cada dia fica mais claro que a produção simbólica articula comunidades, produz movimento, desperta rebeldias e inventa futuros. Mas a relação entre cultura e transformação social é muito mais profunda que a vã filosofia dos que se apressam a "politizar as rodas de samba"...

É tudo nosso!
Quase ausente em É tudo Verdade, audiovisual produzido nas periferias brasileiras reúne obras densas, criativas e inovadoras. Festival alternativo exibe, em São Paulo, parte destes filmes e vídeos, que já começam a ser recolhidos num acervo específico

Arte de rua, democracia e protesto
São Paulo saúda, a partir de 27/3, o grafite. Surgido nos anos 70, e adotado pela periferia no rastro do movimento hip-hop, ele tornou-se parte da paisagem e da vida cultural da cidade. As celebrações terão colorido, humor e barulho: contra a prefeitura, que resolveu reprimir os grafiteiros

As festas deles e as nossas
Num texto preconceituoso, jornal de São Paulo "denuncia" agito na periferia e revela: para parte da elite, papel dos pobres é trabalhar pesado. Duas festas são, no feriado, opção para quem quer celebrar direito de todos ao ócio, à cultura, à criação e aos prazeres da mente e do corpo

Arte independente também se produz
Às margens da represa de Guarapiranga, Varal Cultural é grande mostra de arte da metrópole. Organizado todos os meses, revela rapaziada que é crítica, autogestionária, cooperativista e solidária — mas acredita em seu trabalho e não aceita receber migalhas por ele

Nas quebradas, toca Raul
Um bairro da Zona Sul de São Paulo vive a 1ª Mostra Cultural Arte dos Hippies. Na periferia, a pregação do amor e liberdade faz sentido. É lá que Raul Seixas continua bombando em shows imaginários, animando coros regados a vinho barato nas portas do metrô, evocando memórias e tramando futuros

No mundo da cultura, o centro está em toda parte
Estamos dispostos a discutir a cultura dos subúrbios; indagar se ela, além de afirmação política, está produzindo inovações estéticas. Mas não aceitamos fazê-lo a partir de uma visão hierarquizada de cultura: popular-erudita, alta-baixa. Alguns espetáculos em cartaz ajudam a abrir o bom debate

Do tambor ao toca-discos
No momento de maior prestígio dos DJs, evento hip-hop comandado por Erry-G resgata o elo entre as pick-ups, a batida Dub da Jamaica e a percussão africana. Apresentação ressalta importância dos discos de vinil e a luta para manter única fábrica brasileira que os produz

Pirapora, onde pulsa o samba paulista
Aqui, romeiros e sambistas, devotos e profanos lançaram sementes para o carnaval de rua, num fenômeno que entusiasmou Mário de Andrade. Aqui, o samba dos mestres (como Osvaldinho da Cuíca) vibra, e animará quatro dias de folia. Aqui, a 45 minutos do centro da metrópole

São Paulo, 454: a periferia toma conta
Em vez de voltar ao Mercadão, conheça este ano, na festa da cidade, Espaço Maloca, Biblioteca Suburbano Convicto, Buteco do Timaia. Delicie-se no Panelafro, Saboeiro, Bar do Binho. Ignorada pela mídia, a parte de Sampa onde estão 63% dos habitantes é um mundo cultural rico, diverso e vibrante

2007: a profecia se fez como previsto
Há uma década, os Racionais lançavam Sobrevivendo no Inferno, seu CD-Manifesto. O rap vale mais que uma metralhadora. Os quatro pretos periféricos demarcaram um território, mostrando que as quebradas são capazes de inverter o jogo, e o ácido da poesia pode corroer o sistema

No meio de uma gente tão modesta

Milhares de pessoas reúnem-se todas as semanas nas quebradas, em torno das rodas de samba. Filho da dor, mas pai do prazer, o ritmo é o manto simbólico que anima as comunidades a valorizar o que são, multiplica pertencimentos e sugere ser livre como uma pipa nos céus da perifa

A dor e a delícia de ser negro
Dia da Consciência Negra desencadeia, em São Paulo, semana completa de manifestações artísticas. Nosso roteiro destaca parte da programação, que se repete em muitas outras cidades e volta a realçar emergência, diversidade e brilho da cultura periférica

Onde mora a poesia
Invariavelmente realizados em botecos, os saraus da periferia são despojados de requintes. Mas são muito rigorosos quanto aos rituais de pertencimento e ao acolhimento. Enganam-se aqueles que vêem esses encontros como algo furtivo e desprovido de rigores

O biscoito fino das quebradas
Semana de Arte Moderna da Periferia começa dia 4/11, em São Paulo. Programa desmente estereótipos que reduzem favela a violência, e revela produção cultural refinada, não-panfletária, capaz questionar a injustiça com a arma aguda da criação

A arte que liberta não pode vir da mão que escraviza
Vem aí Semana de Arte Moderna da Periferia. Iniciativa recupera radicalidade de 1922 e da Tropicália, mas afirma, além disso, Brasil que já não se espelha nas elites, nem aceita ser subalterno a elas. Diplô abre coluna quinzenal sobre cultura periférica



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