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O mistério é o lugar onde não estamos, nem chegamos, a não ser por acreditar nele como algo a aceitar

André Resende - (19/12/2008)

No dia 10 de setembro de 2008, nove mil cientistas de todo mundo, reunidos em torno do Centro de Ciências da Europa, comemoraram o início da reprodução do que teria sido o começo do Universo. Se não lembra bem o que isso significa, remonto um pouco. Os cientistas anunciaram aquela que é, neste momento, a ‘mais poderosa máquina do mundo’ – o Grande Colisor de Hádrons, que fez circular, em sentido horário, um feixe de milhões de prótons, com o objetivo de reproduzir a explosão que deu origem ao Universo.

Até aqui, o projeto foi um sucesso. Conseguiu que as partículas dessem uma volta completa no túnel de 27 quilômetros. Antes do encontro, vozes discordantes – a mídia as tratou anonimamente, mas sem se inclinar à ironia – teriam dito que a máquina criaria um buraco negro e engoliria a Terra. A opinião, de um coletivo sem nome e sem lugar, acentuava um obscurantismo que a mídia aproveitou quase na mesma proporção em que fez divulgar o acontecimento. O equipamento estará em seu pleno potencial no final de 2009. O único risco, por enquanto, é o da máquina quebrar. Ao final, os cientistas acreditam – e a palavra outra não é: saberão alguns segredos do Universo, como a origem da massa e a estrutura da matéria.

Fora desse contexto de euforia e promessas para respostas que se acredita nascerem de perguntas e dúvidas comuns a cada um de nós, outro grupo de cientistas questionara, um pouco antes, a teoria do Big Bang, quando, no final do século 20, se descobriu uma gigantesca nuvem de gás isolada no espaço cósmico e se concluiu ser uma galáxia em estágio inicial. A descoberta mostrou que o Universo permanece em expansão e novas galáxias continuam surgindo. Estima-se existir mais de 170 bilhões de estrelas. Na teoria do Big Bang, as galáxias se formaram dentro de um intervalo de tempo relativamente curto, logo depois da ‘grande explosão’ da origem do Universo – isso, anote aí: 15 a 20 bilhões de anos atrás.

Não vou seguir com mais informações que qualquer um pode conseguir por conta própria. Quis apenas introduzir a questão e mostrar que aquilo em experimento merecera contestação em seus fundamentos. Só fiz essa lembrança geral para introduzir meu interesse de estar atento à realidade científica como parte de minha curiosidade, mas que, como filho de Deus, também tenho minhas dúvidas sobre os resultados – ainda que os resultados possam incomodar o que penso ou acredito. Na mídia, a simulação/experimentação européia foi chamada de partícula Deus. Os cientistas sabem que estão em busca do átomo primordial. A alusão não é sem propósito. Confia que, com a revelação e descoberta dos fragmentos que deram origem ao Universo, tal como a teoria do Big Bang acredita estar certa, estariam os cientistas descobrindo Deus.

Como eu, logo outros entrarão no mérito da questão. Vale a pena aguardar os resultados, as conclusões e as promessas. Sempre é bom lembrar que, ao descobrir o início, pode-se perguntar o que está atrás do início. De maneira que, se há um início, algo a mais há que possibilitou o início.

Os cientistas não aceitam uma máxima de evocação filosófica, de que o mistério não significa obscurantismo, a não ser quando se propaga como verdade (e isso até a ciência pode fazer). O mistério é o lugar onde não estamos, nem chegamos, a não ser por acreditar nele como algo a aceitar. Não é a partícula Deus que está em questão, tampouco a revelação de quem Deus é – ou se existe –, porque tais conclusões não estão na base das expectativas, nem à altura do que a máquina mais poderosa do mundo pode revelar. Claro que haverá esse ou aquele que verá nos resultados a prova da existência de muitas coisas, incluindo Deus. Ou de muitas desistências, talvez.

Falar em nome do pai ou falar em seu nome para desautorizar o pai tem sido um movimento muito comum para quem acompanha de perto as experiências e revelações com o inconsciente. Não faz sentido pensar que a ciência se esforça em mostrar que não há Deus e não há distância entre humanos e outros seres. O que a ciência revela não é a semelhança ou dessemelhança, nem é a referência de Deus como vida. Para a ciência, cada vez mais é isso – goste-se ou não, se aceite ou não –, a catalogação dos detalhes e a exploração dos detalhes na constituição dos seres dão à pesquisa um senso de organização das coisas e das causas. E pára aí. Contudo, e ainda bem, há muito mais a fazer e a pensar do que toda nossa vã ciência imagina ou consegue entender, ainda. Mais que a filosofia algum dia prometeu, chamando para si as cadeias de palavras repletas de significações. Mais que a literatura pode dar como uma realidade imensamente diferente.



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