Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» A Tecnologia da Adaptação — e como vencê-la

» O Irã e os idiotas úteis… a Washington

» “Atire na cabeça!”

» Um reino de farsas e encenações necessárias

» Jogue no Google, senhor ministro

» Religião, violência e loucura

» O consenso pela Educação acabou

» O dia em que o governo perdeu as ruas

» Galeria: Brasil nas ruas

» Um governo tóxico

Rede Social


Edição francesa


» Une obligation morale

» Mais pourquoi cette haine des marchés ?

» Les militants français confrontés à la logique de l'entreprise

» Une machine infernale

» Pour sauver la société !

» Des réformes qui ne sont pas allées assez loin

» Controverses et débats en Allemagne

» Un nouveau maître à penser : l'entreprise

» Le problème de l'épuisement des matières premières peut, aujourd'hui, être envidagé avec un optimisme relatif

» Incontrôlable avant l'an 2000, l'explosion démographique accroit le risque d'une double catastrophe mondiale


Edição em inglês


» Iran and the US, a tale of two presidents

» Terry Gou, Taiwan's billionaire and political wildcard

» Ecuador's crackdown on abortion is putting women in jail

» Traditions of the future

» Boondoggle, Inc.

» Sisi amends Egypt's constitution to prolong his presidency

» May: the longer view

» The languages of Ukraine

» Chile's day of women

» Notre Dame is my neighbour


Edição portuguesa


» 20 Anos | 20% desconto

» EUROPA: As CaUsas das Esquerdas

» Edição de Maio de 2019

» Os professores no muro europeu

» Chernobil mediático

» Edição de Abril de 2019

» A nossa informação, as vossas escolhas

» O cordão sanitário

» O caso do Novo Banco: nacionalizar ou internacionalizar?

» Edição de Março de 2019


ANÁLISE

Um G20 descartável

Imprimir
Enviar

Ler Comentários
Compartilhe

Dois meses após o crash de Wall Street, seria inútil esperar dos países mais influentes do mundo a contestação das políticas injustas que promovem a desigualdade. Um “novo Bretton Woods” não se monta em algumas semanas

Serge Halimi - (05/12/2008)

Inaugurada há 30 anos, a reunião anual do clube dos países ricos parecia ter envelhecido. O círculo se tornara estreito demais, ocidental demais, abastado demais. No início, a Ásia estava ali representada somente pelo Japão, geralmente mudo. A América Latina e a África não figuravam lá de maneira alguma. Queda de muros, sacudidas no mundo, aldeia global, diálogo de culturas: o Grupo dos 5 (G5) de 1975, que tinha se tornado G7 no ano seguinte (com a entrada da Itália e do Canadá), depois G8 em 1997 (com a Rússia), se transformou em G20 desde 1999.

Com a irrupção do Brasil, da Argentina, da África do Sul, da Índia e da China, o G20, como previsto, chacoalhou uma ordem internacional carcomida ao dar a palavra aos países do Sul e anunciar a morte do “consenso” de Washington. Em novembro de 2008, a reunião dessas nações parecia um sonho.

Será que a quebra financeira e a urgência econômica não constituiriam uma oportunidade para recomeçar do zero, para “refundar” tudo na polifonia do novo mundo?

Aparentemente, isso poderia ocorrer em função da diversidade desse grupo. Mas, afastada do movimento social, essa diversidade apenas maquia as velhas relações de poder, substituindo gerentes usados por associados mais dispostos. “Guiaremos nossos trabalhos pela convicção comum de que os princípios do mercado financeiro e da economia, se corretamente regulamentados, favorecem o dinamismo, a inovação e o espírito empreendedor que são indispensáveis ao crescimento econômico, ao emprego e à redução da pobreza”, anunciaram os líderes do G20. E o comunicado insiste, com serenidade: “Tais princípios tiraram milhões de pessoas da pobreza e permitiram elevação importante do nível de vida mundial”. Isso equivale a declarar que a estratégia escolhida há 30 anos foi a mais adequada, e que a crise atual – um acidente de percurso banal? – será remediada pela regulamentação mais “correta” dos mercados financeiros.

Saudemos aqui a abnegação da Argentina, cujas feridas ainda abertas exibem a nocividade do breviário liberal que acaba de subscrever.

Dois meses após o crash de Wall Street, seria inútil procurar nesse texto do G20 – mistura de discurso raso com lengalenga dogmática – a contestação das políticas injustas que promovem desigualdades ou uma crítica às instituições financeiras que encorajaram, por exemplo, dezenas de milhões de pessoas a se endividar para compensar o esboroamento contínuo de seus lucros. Nenhuma palavra tampouco sobre os paraísos fiscais, a menos que eles devam temer – como uma guilhotina suspensa sobre suas nucas – o anúncio de que medidas serão estudadas com o fito de “proteger o sistema financeiro mundial de jurisdições não cooperativas e não transparentes que representam o perigo da atividade financeira ilegal [1].”

Quanto aos fundos especulativos, o futuro é mais assustador, uma vez que os países do G20 prometeram “aumentar as exigências em matéria de transparência sobre produtos financeiros complexos”. Sinceramente, como o G20 poderia indicar culpados pela crise global se continua a redigir esses comunicados?

É preciso reconhecer que um “novo Bretton Woods” não se monta em algumas semanas. O acordo original, de 1944, foi preparado durante dois anos. E nem a improvisação da reunião, acompanhada pela passagem do bastão em Washington, seria suficiente para explicar tudo. Mas os “20” souberam falar claramente: “Acentuamos quão vital é rechaçar o protecionismo. Nos próximos 12 meses nos absteremos de erguer novas barreiras ao investimento e ao comércio de bens e serviços. Nós nos esforçaremos para chegar este ano a um acordo sobre mudanças que conduzam à conclusão da agenda para o desenvolvimento da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OM C) com um resultado ambicioso e equilibrado”. Que o livre mercado e a mundialização financeira possam se valer do aval de governos que representam 65% da população mundial, eis o que significa uma conclusão bastante singular – e certamente provisória – da atual tempestade econômica.



[1] Tradução francesa da Declaração de Cúpula de Washington, de 15 de novembro de 2008. Disponível no site da presidência da República [francesa], esse texto é acompanhado da seguinte precisão, insólita: “Dá-se fé somente à versão inglesa”.


Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos