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FSM: Mais do que nunca, apostar na imaginação

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"A sociedade planetária enfrenta uma crise emaranhada e complexa: elementos ambientais, alimentares, energéticos.Temos que ver se as idéias e alternativas que se constroem na Amazônia serão escutadas e incorporadas por outras sociedades do planeta. Para mim, esse é o grande desafio de Belém"

Sergio Ferrari - (24/01/2009)

Entre o dia 27 de janeiro de o dia 1o de fevereiro de 2009, será realizada uma nova edição do Fórum Social Mundial (FSM). Nessa ocasião, o evento será em Belém, Pará, emblemática entrada para a Amazônia brasileira. Desde sua criação, em 2001, o FSM converteu-se em um espaço de articulação das principais redes e movimentos sociais em âmbito planetário. A edição de Belém estará marcada por um duplo desafio. Não se limitar somente ao diagnóstico de uma crise que ninguém mais discute. Mas, também, acelerar a proposição das alternativas à mesma. "Devemos apostar na imaginação", sublinha nessa entrevista exclusiva Antonio Martins, jornalista e militante social, um dos promotores do nascimento do FSM. Fundador de ATTAC Brasil; membro da equipe organizadora dos primeiros fóruns; atual diretor da versão brasileira de Le Monde Diplomatique na Internet, Martins integra também o Conselho Internacional do FSM, o espaço facilitador do FSM.

P: Um novo Fórum Social Mundial, dessa vez em Belém do Pará. Que novidade pode trazer esse cenário particular à reflexão mais globalizada, altermundista?

R: A eleição de Belém foi feita em maio de 2007 durante uma sessão do Conselho Internacional, realizada em Berlim. Para essa escolha, foram considerados dois fatores. O primeiro -mas não o principal- foi a volta ao Brasil para recuperar visibilidade internacional. Recordemos que em 2006 foram realizados três fóruns descentralizados: em Mali, na Venezuela e no Paquistão. Em 2007, foi em Nairobi (Quênia). E em 2008 foram promovidas várias iniciativas e atividades em muitos lugares. Porém, todos causaram menos impacto do que os fóruns anteriores, realizados entre 2001 e 2005, quatro vezes em Porto Alegre e a quinta vez em Mumbai. Então, apostamos novamente, em 2009, em assegurar a grande participação social que aconteceu nas primeiras cinco edições e transmitir a energia mobilizadora protagonizada naqueles momentos. Por outro lado, ao designar Belém, apostou-se que no Brasil certas idéias chaves, tais como horizontalidade, diversidade, múltiplos protagonismos, já estão bastante enraizadas e não temos o que temer por conta de competições partidárias ou por falta de transparência entre quem organiza e quem financia o Fórum.

No entanto, estou convencido de que o fator decisivo para designar Belém está ligado ao valor simbólico de realizar um encontro na Amazônia, região sob pressão constante das forças mais selvagens do capitalismo: a devastação da selva; a exploração irresponsável do meio ambiente -para responder às necessidades do mercado mundial-; o assassinato de camponeses e indígenas; a presença ativa do crime organizado e de grandes latifundiários com mais peso do que o próprio Estado.

Outra relação homem-natureza

P: Com a presença ativa de atores e movimentos sociais?

R: Sim. A Amazônia expressa, ao mesmo tempo, a possibilidade de estabelecer outra relação entre o ser humano e a natureza. Apesar do embate brutal do modelo econômico preponderante, 80% da floresta ainda está em pé. Os movimentos sociais e a sociedade civil organizada estão ativamente presentes, de forma capilar, em toda essa região. Inclusive em cidades ou povoados pequenos é possível encontrar um grupo ativo de mulheres, uma organização de quilombolas. A população indígena, que conserva sua herança cultural, está conquistando reservas naturais. Há uma forte presença de grupos que se relacionam com a natureza e com a produção de forma alternativa: cooperativas de extração sustentável; agricultura orgânica, assentamentos camponeses, comércio justo e trocas solidárias.

Em síntese, a Amazônia é hoje um símbolo tanto da destruição do planeta - o que antecipa maiores catástrofes climáticas-, como da possibilidade de outro tipo de civilização pós-capitalista. E nesse contexto, Belém, entre todas as cidades da região amazônica é a que oferece melhores condições de infra-estrutura. E garante também a possibilidade de acesso terrestre, o que não acontece com Manaus ou Iquitos (Peru).

P: Não se corre o risco de que a realidade interna do Brasil condicione a reflexão ampla sobre os grandes temas globais?

R: Não creio. A sociedade planetária enfrenta uma crise emaranhada e complexa: elementos ambientais, alimentares, energéticos. Penso que isso será determinante. Temos que ver se as idéias e alternativas que se constroem na Amazônia serão escutadas e incorporadas por outras sociedades do planeta. Para mim, esse é o grande desafio de Belém.

Repetição ou novidade?

P:Os organizadores anteciparam recentemente os eixos temáticos do FSM 2009. De certa forma, não são muito diferentes aos dos fóruns anteriores. Qual será a principal contribuição do debate de Belém à reflexão altermundista global?

R: Os denominados "eixos temáticos" nunca significaram muito nos fóruns sociais. Eles são, mais que tudo, uma referência. Um meio para que atividades ligadas aos temas que são promovidas a partir de distintos lugares do mundo e por diversas organizações se reconheçam entre si.

Penso que o desafio vai além dos eixos temáticos pré-definidos. Trata-se de responder de maneira concreta e efetiva aos desafios sociais e políticos que se desprendem da atual crise econômico-financeira mundial.

Digo isso por várias razões. Em primeiro lugar, porque essa situação implicará consequências dramáticas no âmbito de desemprego, desestruturação produtiva, ataques aos direitos sociais, deslocamento da produção, seguindo a pauta de salários menores. Um marco que pode significar o caldo de cultura de novas formas de fascismo, chauvinismo e racismo. E de pensar que o vizinho é o responsável por teus problemas e dores. Ou de pensarmos que é necessário dar poder a um líder para que ele enfrente a crise.

Em segundo lugar, porque, ao mesmo tempo -e quase contraditoriamente ao que dissemos antes- pelo menos desde o início do século passado, está se abrindo uma janela única de oportunidades inéditas. É o momento oportuno para demonstrar o fracasso dos valores e das lógicas capitalistas e, particularmente, para propor alternativas viáveis para o conjunto do planeta. A crise tem revelado que os mercados são incapazes de regular a si mesmos e menos ainda de regular as sociedades.

É por isso, por exemplo, que o Prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, compara a dimensão dessa crise à queda do Muro de Berlim para o socialismo real dos antigos países da Europa oriental. O desenvolvimento dessa crise desnudará outras contradições típicas do sistema. Entre elas, a desigualdade enquanto fenômeno que está por detrás da produção de mercadorias; ou a alienação, isto é, a produção e o consumo desvinculados da consciência...

O que torna mais difícil aproveitar essa janela de oportunidades é que a reconstrução de uma teoria da emancipação e do pós-capitalismo é algo que começou há pouco tempo. Sabemos, por exemplo, que é possível cultivar lógicas alternativas; que é imprescindível articular milhares de ações de caráter mundial e potente; que são múltiplos os sujeitos sociais que podem participar nesse esforço. A pergunta chave é: já conseguimos aglutinar uma massa crítica capaz de multiplicar tanto nossas ações quanto nossas respostas à crise?

Altermundialismo renovado

P: Alguns catalogam os fóruns sociais como espaços esgotados; especialmente após experiências "débeis" como o último Fórum Social Europeu, que se realizou em Malmö (Suécia). Qual é sua visão?

R: Minha impressão é totalmente diferente. Não constato um esgotamento dos fóruns e do altermundismo. Esse termo é utilizado, em geral, por aqueles que apostaram em que o FSM se converteria em uma espécie de V Internacional. Um grupo de intelectuais lançou, em 2005, em Porto Alegre, um Manifesto e a Declaração de Bamako, em 2006. Propunham que, para ganhar em eficácia, os fóruns deveriam reduzir um pouco sua diversidade e concentrar-se em um número menor de temas, para ser supostamente capazes de desencadear ações verdadeiramente anti-sistêmicas. E propunham transferir o eixo da luta pelas transformações para uma série de governos progressistas, como o de Chávez, na Venezuela. Como essa concepção não prosperou nos fóruns, então lançaram a tese do "esgotamento" e da necessidade de um "pós-altermundismo".

Apesar de que respeito e admiro muito alguns dos partidários desse ponto de vista, creio que não puderam compreender certas características de novidade dos Fóruns e, por isso, tentam reproduzir certas velhas fórmulas em uma nova realidade.

A nova cultura política que surge nos FSMs não reconhece a centralidade da tomada do poder institucional para as mudanças. Nem tampouco a representação, isto é, a possibilidade de expressar nossos próprios desejos de novos projetos, transferindo-a para um partido político, seja pelo voto ou pela insurreição.

As pessoas que vão aos fóruns são, principalmente, as que crêem necessário fazer política durante os 365 dias do ano, ainda que seja através de ações localizadas e pequenas; são as que se orientam, na prática cotidiana, por valores como a igualdade na diversidade, não na homogeneidade; as que não aceitam relações hierárquicas; que ambicionam uma nova atitude em relação à natureza... E tais idéias ganham apoio crescente na opinião pública.

O déficit do altermundismo

P: Seu marcado otimismo reconhece deficiências e debilidades nesse processo?

R: Claro. Creio que estamos atrasados em uma tarefa imprescindível. Ao acreditarmos nesses caminhos novos, devemos poder articular a força para obter essas mudanças. Isto é, poder desencadear campanhas, ações mais significativas. E, por exemplo, se dizemos que são muito valiosas todas as ações locais de produção orgânica de alimentos, temos que lutar ao mesmo tempo por novas regras de comércio internacional. E essa articulação das ações locais para conseguir campanhas de efeito mais global, necessita de teoria. Ao continuarmos repetindo e não fazermos o esforço para propor ações mais ousadas, o setor da sociedade que está aberto e receptivo aos nossos valores pode decepcionar-se. E aí está, na minha opinião, a causa de alguns fóruns sociais debilitados.

P: Voltando ao tema da crise atual, até que ponto, em Belém, o diagnóstico do que está acontecendo pode prevalecer sobre essa tentativa de encontrar respostas mais ousadas, de mais impacto?

R: Paradoxalmente, se pudesse escolher, creio que seria melhor que a crise chegasse um pouco mais tarde. E que os movimentos sociais tivessem um pouco mais de experiências em novas formas de transformação social. Porém, trata-se, de fato, de uma hipótese absurda. A crise está aqui e agora. Então, a construção de alternativas tem que ser feita agora, correspondente à velocidade e à profundidade da crise. Conseguiremos? Não sei. Porém, temos que tentar.

Propostas imaginativas

P: Como poderíamos tentar? Por onde ir?

R: O caminho é apostar na imaginação. Isso implica em idéias principais. Primeiro, temos que superar muito mais rapidamente uma cultura política que priorizava a denúncia, porque deixava a construção de novas relações sociais para depois do dia "iluminado" em que conquistaríamos o poder. Uma postura dessa natureza é particularmente trágica em tempos de crise, quando a gente, muitas vezes desesperada, necessita mais do que nunca de respostas concretas. E se não lhes oferecemos uma saída, podemos correr o risco, inclusive, de que as pessoas busquem alternativas em posições simplistas de ultra-direita.

Segundo, o muro ideológico que proibia a busca de novos caminhos caiu em pedaços. Somente nos Estados Unidos investiram até agora 5 bilhões de dólares para evitar a quebra do sistema financeiro. Essa realidade desmente por si mesma a idéia segundo a qual os Estados "somente gastam o que arrecadam". Não! O Estado, o único emissor atual de dinheiro também redistribui (o reconcentra) a riqueza por meio de intervenções fiscais e monetárias.

Temos, então, o direito de perguntar-nos: Se é possível destinar 5 bilhões para salvar os bancos, por que não uma quantidade similar para garantir uma vida digna para todos? Representaria uns 770 dólares para cada habitante do planeta ou 2.1 dólares por dia sobre uma base anual. Isso em um mundo onde, segundo o Banco Mundial, 2.7 milhões de pessoas sobrevivem com menos de 2 dólares por dia e 1.1 bilhão com menos de 1 dólar por dia.

Podemos questionar também: Por que não destinar esses 5 bilhões em todo o mundo para infra-estrutura e serviços públicos? E devemos tomar a iniciativa e demonstrar, com dados das Nações Unidas, que esses recursos seriam suficientes, por exemplo, para reduzir a fome no planeta; para diminuir significativamente o contágio ou as mortes provocadas por pandemias e enfermidades como a Aids ou a diarréia; para preservar os bosques; para assegurar a educação básica universal; para promover o acesso público à Internet; para promover a construção de centrais de energia eólica etc.

Daí que podemos passar a propostas muito concretas. Por exemplo, a fórmula 1 + 1 +1. Ou seja, que por cada centavo utilizado para salvar o sistema financeiro, os governos deveriam investir, também, um centavo para infra-estrutura e serviços públicos e um centavo para programas de redistribuição de ingressos, tudo em escala mundial.

E para articular essas respostas, o espaço Fórum Social Mundial não somente é uma necessidade, mas também é uma oportunidade. Daí o desafio enorme do FSM de Belém do Pará.

[Colaboração de imprensa de E-CHANGER, ONG de cooperação solidária que organiza desde 2001 a delegação suíça para os FSMs]

Tradução: ADITAL



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