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Daniel Cariello

Daniel Cariello é publicitário e editor da revista Brazuca, em Paris.


Seus artigos nesse site:

Marchinhas para um carnaval francês

Quem é de fato um bom parrisiense
Já pertence
A toda essa geleirra
Porrém quem veio de um país que é quente
Não fica, não, contente

10 de março de 2009

E por falar em saudade

Para alguns, o brasileiro é demasiado saudosista. Não é culpa nossa se a língua portuguesa - ou brasileira, como a chamam na França - é a única a possuir a palavra "saudade". Não é como o "tu me manques", que fala de sentir falta. É saudade. Fácil de entender e difícil de explicar.

27 de fevereiro de 2009

O encontro marcado

Nunca reparei se havia realmente um KFC em République. Fui conferir no dia seguinte, na internet, e para a minha surpresa havia mesmo um, exatamente em uma das esquinas. Nem preciso dizer que a minha manhã foi simplesmente a espera da hora do encontro

5 de fevereiro de 2009

Paris para crianças II

É que os adultos falam bobagens para as crianças, talvez com medo de que a gente não entenda a explicação de verdade. Mas o que eu acho mesmo é que eles nunca sabem as respostas, então inventam uma história qualquer. Ou então dizem "é complicado explicar isso", "pergunta pro seu pai"...

2 de fevereiro de 2009

Breve história nasal da França

A França foi fundada por Asterix, o herói narigudo. Luís XIV adorava enfiar o nariz onde não era chamado. Gérard Depardieu fez suspirar metade das mulheres do mundo com seus dois órgãos sexuais. E hoje, o país ainda honra sua tradição de grande sugador de oxigênio com Nicolas Sarkozy

7 de janeiro de 2009

Explicando o verão francês

Percebe-se, pois, que já no vernáculo - été - o conceito de verão na França é completamente ligado ao passado. A estação parece nunca vir. Já foi. E não tem perspectivas de volta

30 de novembro de 2008

Sartre em si

Já dizer que o Para-si tenha consciência, é questionável. Discute-se nos meios filosóficos se um cidadão que pendura a bandeira do Vasco na janela pode ou não ser enquadrado como um grande conhecedor do mundo. Não sou eu quem diz, é Sartre.

9 de novembro de 2008

Meu vizinho Chico Buarque

— E como é que ele é?
— Nem alto, nem baixo. Cabelo curto, olhos azuis, seus sessenta e poucos anos...
— Mas isso todo mundo sabe. Quero saber da vida dele. Como ele é pessoalmente?

26 de setembro de 2008

Joue-nous Raoul!

— O canhestro.
— Hein?
— O príncipe das trevas.
— Paulo Coelho adorando o capeta? Agora embolou tudo.
— Avisei...

8 de setembro de 2008

Praias, pandeiros e limoncelos

As primeiras notas foram facilmente reconhecidas. E todos entraram juntos no refrão de No Woman No Cry. Todos, menos o próprio violeiro, que ficou novamente pelo caminho, mais estático que a Vênus de Milo

22 de agosto de 2008

Sene-Sene-Senegal

— Táxi?
— Não, obrigado.
— Tem certeza?
— Tenho.
— Mas alguém vem te buscar?

7 de agosto de 2008

Pequenos espaços, grandes problemas

— E aí escolheram a resposta mais criativa.
— Que pergunta?
— "Qual a diferença entre a mulher e a televisão?"
— E o que você respondeu?
— O controle remoto!

27 de junho de 2008

Leres em tilt

— Sabe, adoro escutar essa língua.
— E você entende?
— Sim, claro. Sou brasileira.
— Ué. E por que não fala com a gente em português?
— Boa idéia! Sabe, j’aime beaucoup morar em Paris.

23 de junho de 2008

Arigatô, monsieur

. No bairro chinês tem um McDonalds com cardápio em chinês. Ou em japonês, sei lá.
. Apesar de ter sido criado por um japonês, o Miojo e seus derivados são chamados aqui de "macarrão chinês".
. O bairro chinês, na verdade, fica na Praça da Itália.

16 de junho de 2008

Um quadro, três histórias

Verdadeiros samurais modernos, munidos de máquinas fotográficas ao invés de espadas, os japoneses não se importaram com as dimensões da obra e nem com o aviso, e saíram clicando em uma velocidade digna de Guiness. Do livro dos recordes, claro, não da cerveja

9 de junho de 2008

Salamaleque!

— Bra bra bra minha mulher bra bra bra bra.
— Eu sei, eu sei. Também acharia estranho o fato de a moto sumir.
— Bra bra bra bra bra loja... Gentil bra bra.
— Que isso... Precisando é só chamar.

2 de junho de 2008

Roteiro de viagem

— Essa, não.
— Não quer visitar a Torre Eiffel?
— Quero não.
— Mas todo mundo que vai a Paris visita.
— Pois eu vou ser o primeiro a não ir.

26 de maio de 2008

Calendário de inverno

— No fim das contas, o que importa é que o verão está chegando. Quais são seus planos?
— Eu vou pro Brasil.
— Pro Brasil, pro inverno de lá? E vai fazer o quê?
— Como assim? Usar todos esses casacos que comprei, claro.

18 de maio de 2008

Eu x Zidane

"Senti o peso e a responsabilidade. 160 milhões de brasileiros e 60 milhões de italianos esperavam ansiosos por alguma ação minha. Respirei fundo e, imitando o meio-campista francês, meti a testa no peito do cara, com mais força do que o previsto"

9 de maio de 2008

Paris para crianças

— Você sabe o que é escargot?
— Não.
— É um caramujo.
— Eca.
— Os franceses comem.
— É por isso que eles fazem aquele biquinho?

29 de abril de 2008

Protesto!

Todo dia tem uma manifestação em Paris, pelos motivos mais diversos. Ontem, esbarrei em uma passeata pelo direito dos cães. Quando cheguei em casa, encucado, comecei a fazer uma lista de possíveis novas campanhas, organizações e movimentos, caso a inspiração dos parisienses acabe um dia

23 de abril de 2008

Como falar francês sem falar francês

Quanto boiar completamente, marque um ponto no horizonte e fixe o olhar. Se te perguntarem alguma coisa, arregale os olhos e repita a seguinte frase: "pardon, j’ai été inattentif". Em bom português, "desculpa, estava desatento". Mas nunca peça pra repetir

10 de abril de 2008

Pinga ni mim

Eram eles de novo, acompanhados por três policiais. Entraram e pegaram nossos dados. Enquanto um escrevia, os oito restantes ollhavam pra parede. Tinha tanta gente admirando os pingos que tombavam, como se fosse uma instalação, que se eu abrisse umas cervejas pareceria um vernissage

31 de março de 2008

Alô, Hugo

— É o Hugo, mexicano?
— Não. É o Daniel, brasileiro.
— Mas você fala espanhol? (...) Que estúpida eu sou. Você fala brasileiro, né?
— Também não.

25 de março de 2008

A Terceira Guerra Mundial

O argelino suava. Sua hegemonia estava em jogo. Se tivesse razão, teria o ego tão inflado que voltaria voando pra casa. Se estivesse errado, perderia o posto de professor de Deus, que ele mesmo se concedera. A russa só ria, mostrando sua milionária arcada dentária para a turma.

11 de março de 2008

Procura-se pão francês

— É o pão do dia-a-dia no Brasil.
— E vocês o chamam de pão francês? Olha, acho que ele não existe na França.
— Quer dizer que temos sido enganados esse tempo todo?
— Lamento te revelar isso assim, de sopetão.

4 de março de 2008

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