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Fábio Fernandes é doutorando em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e professor nessa mesma instituição. Traduziu cerca de 70 livros, entre os quais Laranja Mecânica, de Anthony Burgess, Neuromancer, de William Gibson, e A Era das Máquinas Espirituais, de Ray Kurzweil. Como escritor, publicou os livros Interface com o Vampiro (Writers, 2000, atualmente disponível para download grátis no site e A Construção do Imaginário Cyber (Editora Anhembi Morumbi, 2006). Tem um livro inédito aguardando publicação (Os Dias da Peste). É colunista dos sites Webinsider, Cibercultura (do Instituto Itaú Cultural) e escreve resenhas de ficção científica curta para o site norte-americano The Fix.
Quem gosta de cinema não vai se arrepender de percorrer as quase quinhentas páginas desse livro.
“O passado”, de Alan Pauls, é uma viagem, uma vertigem cortazariana ao fundo do coração de um homem dilacerado, feito em pedacinhos como os bilhetes e papelotes que consome sem nem mesmo saber ao certo por quê
O começo do livro é engraçado, cheio de brincadeiras do tipo perco-o-leitor-mas-não-perco-a-piada
A trama de Saramago é simples mas não é agradável. Seus personagens abandonaram toda a esperança, como se diz no pórtico do inferno dantesco
Solaris é uma revista-portal que não pode ser encontrada em livrarias ou nas bancas – porque ela é mais uma ação viral que uma publicação
Vladimir Nabokov escrevia um texto como quem tece uma estrutura delicada, respeitando a etimologia do texto como "tessitura", como tecido, algo que é mais tramado e costurado do que criado do nada.
A mão ensangüentada não segurava mais a gilete, mas ela não devia estar longe. Os dedos semidobrados estavam pretos, e em volta do pulso a branquidão extrema da pele era realçada por uma pulseira de sangue seco
Se tivesse nascido uns trinta ou quarenta anos antes, Lobato provavelmente teria sido convidado para fazer parte da Fabian Society, que tinha entre seus membros H. G. Wells e Bernard Shaw, pregava o socialismo científico ou utópico e previa o progresso da humanidade por meio da ciência
A história está longe de terminar para a FC brasileira. Graças às comunidades de Web, novos autores, que não tinham a menor ligação com o CLFC nem com os autores citados anteriormente, foram surgindo e ocupando um lugar fundamental na literatura do gênero e em suas discussões críticas
Lá fora, nos Estados Unidos e na Europa, a ficção científica já saiu da infância há muito tempo. A zona de sombra, a zona do crepúsculo, a Twilight Zone da incerteza aumenta cada vez mais. Os tons de cinza estão cada vez mais ricos. E é nessas frestas entre os tentáculos da besta que a ficção científica atual tem encontrado seu nicho