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Comentários sobre esse texto:

Um presidente negro que a história esqueceu

Acabei de terminar o livro (ô livrinho mal escrito) e confesso que não vi uma linha sequer em que Lobato pareça estar sendo satírico em sua descrição do futuro. Pelo contrário, a única sátira que vejo é ao presente, com a crítica ao amor pueril pelo automóvel e a mediocridade dos patrões do protagonista (a começar pelo trocadilho sem graça de Sá, Pato & cia.).

É verdade que o contexto dos anos 20 era largamente (não tão largamente assim, porém) favorável à eugenia, o que explicaria o entusiasmo com que Lobato (satiricamente? Não vejo indícios) defende a esterilização da raça negra (genocídio, aliás). O livro foi publicado em 1926, mesmo ano do segundo volume de Mein Kampf, coincidência um tanto quanto auspiciosa. O mesmo contexto, diremos.

Mas também é o mesmo contexto, por exemplo, dos modernistas que retratavam o negro como protagonista (para os quais Monteiro Lobato torcia o nariz, ridicularizando justamente esse "upgrade" do negro). Como julgar o passado? Sem condenar, talvez, mas certamente sem absolver com a mera desculpa do "contexto". Casa-grande e Senzala foi publicado em 1933, sete anos depois d’O presidente negro. Não é um contexto exatamente muito diferente.

Por fim, não vejo muita base para dizer que o Ayrton Lobo era enganado por uma Miss Jane fascista. Não tem uma linha no livro que demonstre isso, nem mesmo na última página, quando eles se tornam enfim um casal, um tanto "bestamente", mas enfim... De fato, não dá pra dizer que Monteiro Lobato tinha fumos de nazistóide, mas o mesmo pode ser dito de tanta, mas tanta gente no mundo inteiro que na verdade simpatizava com as idéias nazistas, (também fruto de seu contexto?) e que permitiu a ascensão de Hitler, o rearmamento da Alemanha, a ocupação da Áustria e dos Sudetos, a ocupação da França...

Está tudo no contexto.


Diego
2009-03-01 19:35:46

Um presidente negro que a história esqueceu

Olá!
E pensar que durante anos da minha infância esse livro mostrou sua lombada para mim. Ele ficava numa estante que meu pai (um rato de sebo) fez no quartinho de empregada do apartamento onde morávamos e onde eu dormia por opção. Não sei explicar o porquê, mas não peguei aquele livro para ler, porque na estante também havia Simulacron, a coleção quase inteira de Perry Rhodam, Pinocchio, Coleção Jovens do Mundo Todo, Magazine de Ficção Científica e tantas outras pérolas e nem tanto assim da ficção nacional e mundial. Mas ao ver Barack Obama me lembrei logo deste livro... tenho que correr para ver se o resgato na casa da minha mãe!
Obrigado pelo texto e a palavra "contextualizar" é tudo!


Alexandre Bersot
2008-11-10 18:34:16

Um presidente negro que a história esqueceu

Em uma época que promover a distopia é um contrasenso, o artigo discorre de maneira eloquente e instigante - desperta o interesse para rever a obra de Lobato destacando o papel da História neste contexto. Não obstante, abarca um curioso debate em relação ao papel de nossos intelectuais para entendimento da formação do Brasil. Afinal, a Ciência, não apenas retratada na perspectiva ingênua dos positivistas, é a melhor maneira para livrar os Homens dos grilhões da ignorância e, por conseguinte, da subserviência. A Ciência, vale ressaltar, em seu contexto histórico à luz da indignação do Homem. Belo artigo, obrigado Fábio.


Carlos Silva
2008-06-23 19:42:56

Um presidente negro que a história esqueceu

ótimo o texto, estou curiosa para ler o livro...vou buscá-lo hj mesmo.
claudia kras



2008-06-23 14:08:56

Um presidente negro que a história esqueceu

Interessante, mas não é espantoso saber que Lobato fosse um reacionário.
Afinal todo mundo pode ser de direita não é?


Site: O Presidente negro que ahistória esqueceu
Maria José
2008-06-22 17:20:15

Um presidente negro que a história esqueceu

Fábio, ótimo texto mesmo! Especialmente por lembrar do contexto em que foi escrito.

Abs!


Fernando S. Trevisan
2008-06-16 21:24:56

Um presidente negro que a história esqueceu

Belo texto, mas reforça a idéia de que Lobato sempre quis ser um Rockefeller dos trópicos.

Um abc!

Zé.



2008-06-15 18:26:44

Um presidente negro que a história esqueceu

Parabéns por abordar um elemento essencial para a compreensão de uma obra, que é o resgate do contexto. Nessa nossa época de falta de rigor em tudo o que se faz, encontrar lucidez assim está difícil.


Site: Parabéns
Rita Marioto
2008-06-14 14:35:24

Um presidente negro que a história esqueceu

Parabéns, Fábio.
Lindo texto. Análise contextualizada, equilibrada, isenta.

Beijo

Meu Nome Não é Johnny



2008-06-14 04:00:20

Um presidente negro que a história esqueceu

Excelente artigo, Parabéns Fábio, fazer uma análise temporal e tentar ser o mais distante possível críticamente a uma "postura de erradicação negra" não é fácil.

Não acho e nem considero livro chato ou confuso, muito menos perdido no tempo. Recomendo independente da atual semelhança com a atual eleição americana.

Legal mesmo>>> Texto salvo e repassando.


Fábio Neves
2008-06-13 22:21:45

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