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novembro 2007



LITERATURA

Palavra 7

Os buracos da máscara
As histórias de Karen Blixen – em Sete narrativas góticas – negam as obviedades da tradição que evocam no título. Antes, sugerem novas sombras, disfarces e duplos. A começar por aquele que é o grande tema do livro, a identidade.
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Três canções
De Marco Catalão
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A morte sólida e terrível
Em A estrada não há gratidão ou reconhecimento, mas apenas o impacto causado pelo encontro entre seres de uma raça que se aproxima da extinção, num pessimismo similar ao de Samuel Beckett.
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O caso dos pensadores mortos
"O corpo de um matemático de renome, professor de cursos disputados, pesquisador das equações mais abstrusas, foi encontrado sentado em seu gabinete, a cabeça sobre uma pilha de papéis, os olhos arregalados, fixos, a boca escancarada, os dedos ainda apertando a caneta"
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Rodrigo Gurgel

O insólito sempre será um instrumento útil à literatura. É o que comprova a resenha de Gregório Dantas, na qual ele analisa os contos da escritora Karen Blixen reunidos no volume Sete narrativas góticas. O exotismo, os sonhos, as referências a superstições e bruxarias – Blixen utiliza todos os conhecidos elementos que compõem o fantástico para criar as histórias que, segundo Dantas, “negam as obviedades da tradição que evocam no título”.

Os três poemas de Marco Catalão, escolhidos pelo autor para iniciar sua participação em Palavra, evocam um lirismo singular. O delicado ritmo, a precisão das imagens e, no poema “Amor, não palavras”, a verdade sobre o inevitável limite dos vocábulos, tudo conflui na direção de uma leitura mais que prazerosa.

O mais recente lançamento do norte-americano Cormac McCarthy, A estrada, romance vencedor do Prêmio Pulitzer de 2007, é comentado por Leandro Oliveira, que ressalta o cenário no qual pai e filho descobrem que os valores da civilização ocidental soçobraram: não há mais direito, o cristianismo desapareceu e os princípios da filosofia estão deturpados pelo crime e pelo cinismo.

Na crônica bem-humorada de Diego Viana, os intelectuais estão sendo assassinados. De quem é a culpa? A sociedade deve ficar alarmada? Como a mídia se comporta? Matemáticos, historiadores, físicos e antropólogos – ninguém escapa do misterioso assassino. Haverá salvação para os intelectuais? O Estado poderá protegê-los?

Estes são os textos desta semana. Boa leitura!

Rodrigo Gurgel