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dezembro 2007



LITERATURA

Palavra 10

Ambição total
Para um escritor com ambição total, a busca por todos os leitores possíveis não implica condescendência ou simplificação; ao contrário, ela implica excelência e versatilidade.
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Individualidade e história
No romance Uma questão de loucura, Ismail Kadaré empresta ao narrador aguda capacidade de observação e de fantasia, para recuperar, como em outras obras, a história da Albânia.
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Leda
Ao dar o título do seu livro a uma personagem obscura e que pouco aparece na narrativa, o autor sugere uma visão sobre o lugar que a literatura possui nos dias de hoje.
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Eu ficava ali, chamando Deus
“As provas da existência do inimigo interior são imensas e as de seu poder esmagadoras. Creio no inimigo porque, todos os dias e todas as noites, eu o encontro em meu caminho. O inimigo é aquele que, do interior, destrói o que vale a pena. É aquele que lhe mostra a decrepitude contida em cada realidade”.
Amélie Nothomb, Cosmética do inimigo
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Rodrigo Gurgel

Palavra abre sua 10ª edição com o artigo Ambição total, de Lucas Murtinho. O que é um romance de “ambição total”? Quais as suas características? Ele é possível nos dias de hoje? E, principalmente, ele é possível em um país como o Brasil? Essas são algumas das questões que Murtinho esgrima, sem se furtar à crítica e à fina ironia.

Em Individualidade e história, Dida Bessana analisa o romance Uma questão de loucura, de Ismail Kadaré. Entrelaçando individualidade e história, o autor não apenas recupera lembranças de seu país, a Albânia, mas denuncia a desintegração de suas próprias certezas, sob a promessa, jamais cumprida, de se construir um mundo novo, absolutamente libertador.

Leda, de Roberto Pompeu de Toledo, seria, ainda que parcialmente, uma metáfora sobre o papel da literatura no mundo contemporâneo? Essa é a pergunta que Marco Polli faz a si mesmo e aos leitores, enquanto disseca o romance inspirado, segundo seu autor, em uma biografia de Graham Greene.

Fechando esta edição, um conto de Saint-Clair Stockler, um mergulho no eu dividido não só dos amantes, um encontro com o “inimigo interior”, aquele que nos perscruta e nos instiga, não a quase divindade que Sócrates dizia inspirá-lo, mas aquele que nos confunde e, subitamente, toma as rédeas da nossa vida.

Boa leitura a todos!

Rodrigo Gurgel