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fevereiro 2002



RÚSSIA

Zonas sujas

Nos últimos cinco anos, o órgão governamental de controle dos níveis de radiação destruiu, em Moscou, cerca de 450 toneladas de materiais potencialmente perigosos, indo de terrenos de construção aos cogumelos vendidos nos mercados


Nathalie Melis

Algumas regiões da Rússia foram poluídas na época soviética e depois de 1991:

- pela produção a longo prazo de armas nucleares, como as regiões próximas de Mayak, Severska (Sibéria ocidental), Zheleznogorsk (Sibéria do sul);

- por muitos testes de armas nucleares no Ártico russo, como em Altai (região de fronteira com a Mongólia) e o sul da Sibéria. Em junho de 1998, a revista mensal Silence (editada em Lyon) publicava a esse respeito dados interessantes: os resíduos de Tchernobyl representam cerca de 1,6 milhões de curies1 . Ora, os outros resíduos produzidos essencialmente por três locais militares (em Tomsk, Tcheliabinsk e Krasnoiarsk) representam, no total, mais de 1,7 bilhões de curies! A poluição atinge essencialmente os cursos d’água da Sibéria que desaguam no Oceano Ártico;

- por 85 explosões nucleares “pacíficas” como em Iakutie (grande norte), em Irkutsk (Sibéria do sul), em Perm (Urais), em Astrakhan (Depressão Caspiana);

- por vários acidentes nas centrais e nos centros de pesquisa ou de processamento de material radioativo, como o que ocorreu em 29 de setembro de 1957, no complexo Mayak. A nuvem radioativa espalhou-se, na época, por três regiões, ou seja, por uma superfície de 23 mil quilômetros quadrados.

21 acidentes em um ano

É preciso acrescentar a essas regiões os mares árticos e do leste – poluídos pela decomposição da frota de submarinos nucleares ou pelo despejo de resíduos radioativos – assim como os riscos de poluição provocados pelos vários locais de armazenamento mal conservados, ou ainda pelos vários acidentes a que estão submetidas as centrais atualmente. Em 1999, por exemplo, a central de Kursk batia o recorde do ano com 21 acidentes declarados. Resultado: em Moscou, nos últimos cinco anos, o Radon, órgão governamental de controle dos níveis de radiação, destruiu cerca de 450 toneladas de materiais potencialmente perigosos, indo de terrenos de construção aos cogumelos vendidos nos mercados2 .
(Trad.: Regina Salgado Campos)

1 - Unidade de medida da atividade radioativa de uma matéria.
2 - The Christian Science Monitor, Boston, 4 de julho de 2001.