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junho 2008



LITERATURA

Palavra 33

Um presidente negro que a história esqueceu
Se tivesse nascido uns trinta ou quarenta anos antes, Lobato provavelmente teria sido convidado para fazer parte da Fabian Society, que tinha entre seus membros H. G. Wells e Bernard Shaw, pregava o socialismo científico ou utópico e previa o progresso da humanidade por meio da ciência
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A lira múltipla de Lope de Vega
Lope Félix de Vega Carpio, chamado por Miguel de Cervantes de “monstro da natureza”, é um caso singular de fertilidade criativa
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A morte contemporânea
Em “Ruído branco”, tecnologia e consumo são citados em profusão, e não apenas como parte do modo de vida prático, mas como elementos com que os personagens também criam ligações íntimas de pavor ou fascínio
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A pequena e valiosa glória dos prêmios literários
No caso de Joanna Kavenna, apesar de ter 34 anos, foi preciso um amadurecimento de sete romances terminados e rejeitados pelas editoras para que finalmente tivesse um reconhecimento
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Rodrigo Gurgel

Abrimos esta edição com um dos mais imprescindíveis nomes não apenas da nossa literatura, mas do pensamento brasileiro: Monteiro Lobato. Em fase de releitura, graças à reedição de sua obra completa pela Editora Globo, Lobato, mais que imprescindível, é vital. Fábio Fernandes analisa O presidente negro, estranha obra de futurologia, e nos oferece um pouco da inteligência, do estilo e da ironia de Lobato, esse gênio inquieto, insatisfeito com seu próprio tempo, com seu país, mas sempre pronto a dar o máximo de si mesmo.

E já que estamos falando dos clássicos, Marco Catalão, em sua coluna Vozes hispânicas,escreve sobre Lope de Vega e traduz alguns de seus poemas. O espanhol que enfrentou todos os gêneros – a épica, o drama, a narrativa, a lírica – e submeteu-os a uma fecundidade literária impressionante sofre de um mal terrível em nosso país: escassez de traduções. Aliás, como sói acontecer na terra da Bruzundanga.

Marco Polli dedicou-se à leitura de Don DeLillo, especificamente de seu romance Ruído branco. Ao ler a resenha de Polli, lembrei-me imediatamente de American beauty, de Sam Mendes, e sua crítica implacável ao american way of life. Talvez os dois, livro e filme, respectivamente de 1985 e 1999, possam resumir o exagerado culto à superficialidade e ao consumismo – que, aliás, não é apanágio somente dos norte-americanos.

A escritora Joanna Kavenna – que ganhou o Orange Broadband Award for New Writers 2008 por seu romance Inglorious – é objeto da atenção de Renata Miloni. Quantos escritores têm o pulso, a força de vontade e o equilíbrio emocional para ver sete romances rejeitados pelas editoras e, mesmo assim, não desistir? Joanna Kavenna surge não somente como um exemplo de tenacidade e de amor à escrita, mas também de que a verdadeira arte pede muito mais que a vulgar inspiração ou ter os pistolões certos nas editoras certas.

Boa leitura – e até a próxima semana.

Rodrigo Gurgel, editor de Palavra