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junho 2008



LITERATURA

Palavra 35

Os contos de Flannery O’Connor
Há quem tenha comparado Flannery O’Connor com Tchekhov, o que pode não dizer muito, já que se popularizou certa idéia, bastante redutora, de que qualquer conto de “atmosfera” seria tchekhoviano. Mas a comparação pode ser procedente, se considerarmos a objetividade da frase de Tchekhov, e a materialidade de suas descrições, muito ao gosto de O’Connor
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Gente como a gente — ou algo parecido
Diferente de muitos de sua geração, Miranda July não é dada a pirotecnias visuais ou malabarismos narrativos. Suas histórias são bem diretas, e os personagens densamente construídos
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Uma simples pergunta ou um profundo questionamento?
A literatura me atraiu porque nela encontrei histórias distintas, personagens mais humanos do que os reais, mundos que talvez eu nunca alcance
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O grande concerto
A mão ensangüentada não segurava mais a gilete, mas ela não devia estar longe. Os dedos semidobrados estavam pretos, e em volta do pulso a branquidão extrema da pele era realçada por uma pulseira de sangue seco
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Gregório Dantas analisa os contos realistas de Flannery O’Connor. Aliás, da escola do melhor realismo norte-americano. Mais que uma segura introdução ao universo da escritora católica, Dantas dialoga com a tradição do conto universal, estabelecendo relações entre O’Connor e Tchekhov.

O jornalista Alysson Oliveira escreve sobre outra norte-americana, Miranda July, e seus contos, reunidos no volume, É claro que você sabe do que estou falando. Histórias sobre vidas pequenas e obscuras – é nos interstícios desses dramas anônimos que July busca sua inspiração.

Renata Miloni reflete sobre o ato da escrita, fazendo a sempre relembrada pergunta: por que escrever? A resposta parece estar profundamente ligada ao ato de ler. Realmente, nessa simbiose estão todas as explicações para a literatura.

O conto de Fábio Fernandes, que fecha esta edição, será uma ótima leitura para o inverno. Não é um exercício prazeroso antecipar-se à neve que, no futuro, cairá sobre as ruas de Ouro Preto, principalmente quando esse futuro vem acompanhado de melancolia e desesperança – mas, exatamente por todos esses elementos, “O grande concerto” merece leitores atentos.

Boa semana!

Rodrigo Gurgel, editor de Palavra