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setembro 2002



DOSSIÊ 11 DE SETEMBRO

Hajibirgit, 22 de maio de 2002

Estamos vários meses depois do colapso do poder dos taliban, mas a guerra continua no Afeganistão. Robert Fisk, jornalista britânico, investigou uma das “ações” das forças especiais norte-americanas e de seus aliados contra a pequena aldeia de Hajibirgit, na noite de 22 para 23 de maio de 2002 (The Independent, 6 de agosto de 2002). Depois de cercar a povoação e matar seu chefe local, um velho de 85 anos, os soldados prenderam 55 homens. Depoimento de Abdul Sattar: “Dois norte-americanos tiraram minha roupa. Prenderam-me nu e rasparam-me a barba antes de me fotografar. Por que me rasparam a barba? Eu sempre usei barba.” Um outro, Mohamedin, foi interrogado: “Havia um intérprete afegão ao lado dos soldados norte-americanos, homens e mulheres. Eu estava nu diante deles, com as mãos amarradas.” Hakim, um homem de 60 anos, conta: “Perguntaram-me: ‘Há muitos árabes, talibans, iranianos ou estrangeiros em sua aldeia?’ Respondi que não.”

Os prisioneiros foram detidos durante cinco dias, em jaulas, como em Guantanamo. Em seguida foram libertados e assessores militares norte-americanos pediram desculpas. Levados para casa, os camponeses descobriram que, em sua ausência, a aldeia havia sido saqueada por um grupo de homens dirigido por Abdul Rahman Khan, um comandante mudjahidin, aliado do presidente Hamid Karzai.

“A guerra do presidente Bush contra o terrorismo, seu combate entre o bem e o mal, chegou à inocente aldeia de Hajibirgit”, concluiu Robert Fisk.

(Trad.: Regina Salgado Campos)