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agosto 2001



RELIGIÃO

Quatro séculos de perseguições

Os mennonitas são descendentes dos anabatistas, seita alemã originária da Saxônia que, além do batismo de adultos após a conversão, reivindicava a abrangência da Reforma no plano social, por meio da coletivização dos bens


Bernard Cassen

O termo “mennonita” foi usado pela primeira vez em 1544, derivado do nome de Menno Simons, um ex-pregador católico, holandês, que se tornou batista

Ser mennonita significa pertencer a uma congregação evangélica mennonita, inscrita no movimento da Reforma, do século XVI, cujas principais personagens foram Lutero (1483-1546), Calvino (1509-1564) e Ulrich Zwingli (1483-1531). O termo “mennonita” foi usado pela primeira vez em 1544, derivado do nome de Menno Simons (1496-1561), um ex-pregador católico, holandês, que se tornou batista – ou seja, partidário de que o batismo não fosse ministrado às crianças recém-nascidas, mas aos crentes, confirmados com base em sua fé pessoal.

Os mennonitas podem ser considerados descendentes dos anabatistas, seita alemã originária da Saxônia, desenvolvida em torno de Thomas Muntzer, que, além do batismo de adultos após a conversão, reivindicava a abrangência da Reforma no plano social, por meio da coletivização dos bens. Veementes adversários de Lutero, os anabatistas foram perseguidos e levaram sua fé para o sul da Alemanha, onde participaram da guerra dos camponeses e foram esmagados em 1525. Os sobreviventes ocuparam a cidade de Munster, onde fundaram um reino do Sião Comunitário (1532-1535). Após serem militarmente derrotados, sofreram uma violenta repressão.

Migrações constantes

Veementes adversários de Lutero, os anabatistas foram perseguidos e levaram sua fé para o sul da Alemanha, onde participaram da guerra dos camponeses

Menno Simons discordou de Zwingli sobre a questão da simbiose entre Igreja e Estado, mas não acompanhou os revolucionários de Munster. Organizou, na Suíça, o chamado Movimento da Reforma Radical, cujos princípios são: a autoridade suprema da bíblia, o batismo com base na profissão de fé consciente, o pacifismo, a recusa do juramento ou do uso de armas e a separação total entre Igreja e Estado.

Desde os tempos de Carlos V, passando por Lutero e Zwingli e até Stalin, os mennonitas – assim como todos os anabatistas – foram vítimas de constantes perseguições que causaram a morte de centenas de milhares de pessoas. Seus quatro séculos de história caracterizam-se por um movimento migratório constante – da Holanda para a Alemanha, e depois para a Polônia, Ucrânia, Sibéria, Canadá, Estados Unidos, México e América do Sul (Bolívia, Brasil, Uruguai e Paraguai). Calcula-se, atualmente, que existam 700 mil mennonitas (batizados) no mundo (o que significa vários milhões de pessoas, com suas famílias). Desse total, mais de 350 mil vivem nos Estados Unidos (entre eles, os amish), onde fica a sede de sua organização mundial: o Comitê Central Mennonita. (Trad.: Jô Amado)

Desde os tempos de Carlos V, passando por Lutero, Zwingli e Stalin, os mennonitas foram vítimas de constantes perseguições

Desde os tempos de Carlos V, passando por Lutero e Zwingli e até Stalin, os mennonitas – assim como todos os anabatistas – foram vítimas de constantes perseguições que causaram a morte de centenas de milhares de pessoas. Seus quatro séculos de história caracterizam-se por um movimento migratório constante – da Holanda para a Alemanha, e depois para a Polônia, Ucrânia, Sibéria, Canadá, Estados Unidos, México e América do Sul (Bolívia, Brasil, Uruguai e Paraguai). Calcula-se, atualmente, que existam 700 mil mennonitas (batizados) no mundo (o que significa vários milhões de pessoas, com suas famílias). Desse total, mais de 350 mil vivem nos Estados Unidos (entre eles, os amish), onde fica a sede de sua organização mundial: o Comitê Central Mennonita. (Trad.: Jô Amado)