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junho 2003



ESTADOS UNIDOS

Os operários e a guerra do Vietnã

Estudantes contra a guerra, de um lado; operários pró-guerra, do outro. Essa é a imagem freqüentemente veiculada sobre o engajamento militar norte-americano contra o Vietnã, mas está longe de ser a verdade .


Rick Fantasia

A maioria das pesquisas indica que, até 1967, foram os norte-americanos mais ricos e com um maior nível de escolaridade, e não os operários e empregados, que apoiaram mais ativamente a política imperial de seu país. 1 Bastou ser colocada em questão a determinação que permitia aos estudantes adiarem a incorporação ao exército até o final de sua escolaridade, para que a oposição à guerra nos meios privilegiados aumentasse. A repressão policial contribuiu, em seguida, para endurecê-la.

Em um contexto de conflitos raciais, a generalização do apelo às drogas e a animosidade crescente entre soldados rasos e seus comandantes atingiram proporções de crise aberta

A hostilidade dos meios operários ao conflito no Vietnã progrediu a partir de 1968, na retaguarda, mas também no front. Em um contexto de conflitos raciais e de desenvolvimento da contracultura, a generalização do apelo às drogas e a animosidade crescente entre soldados rasos e seus comandantes atingiram proporções de crise aberta. Foram registradas centenas de casos de tropas que se recusaram a atacar e, pelo menos, dez rebeliões significativas.

A orientação bélica da central sindical AFL-CIO não coincidiu como se esperava com os sentimentos dos soldados mais jovens e dos combatentes que acabavam de chegar da Indochina.

(Trad.: Wanda Caldeira Brant)

1 - Ler, de Bruce Andrews, Public Constraint and American Policy in Vietnam, ed. Sage Publications, Beverly Hills, 1976.