Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» 25 de outubro de 2021

» Clima: por que é possível vencer o fatalismo

» Sobre meninas, violência e o direito ao aborto

» Pochmann: É necessária nova abolição

» Seriam os QR Codes microespiões do capital?

» A complexa relação entre o neoliberalismo e a dor

» Boaventura: o poder cru e o poder cozido

» Mulheres com um jeito vagalume de ser

» 21 de outubro de 2021

» Para desvendar as lógicas do capital e da guerra

Rede Social


Edição francesa


» Trompeuses métaphores du cancer

» Etes-vous heureux, ravi ou enchanté de travailler dans un institut de sondage ?

» « Le Monde diplomatique » en Algérie

» Infernal manège des sondages

» Droit du travail : vers des « jugements automatiques »

» Mes vacances en Terre sainte

» Les bonnes recettes de la télé-réalité

» Mme Michèle Alliot-Marie emportée par la foule

» Jusqu'où obéir à la loi ?

» Ces « traîtres » qui sauvèrent l'honneur de la France


Edição em inglês


» ‘Le Monde diplomatique' in Algeria

» Millennial Schmäh

» UK: what happened to the right to food?

» Taiwan at the heart of the US-China conflict

» October: the longer view

» What do we produce, and why?

» Hunger in France's land of plenty

» In search of a good food deal

» Georgia's love-hate affair with Russia

» Latin America faces tough choices


Edição portuguesa


» Edição de Outubro de 2021

» Um império que não desarma

» Convergir para fazer que escolhas?

» O mundo em mutação e o Estado - em crise?

» Edição de Setembro de 2021

» Transformação e resiliência

» O caminho de Cabul

» Edição de Agosto de 2021

» Ditadura digital

» Desigualdades digitais


OCUPAÇÃO NAZISTA

Quando os patrões colaboravam

Imprimir
enviar por email

Ler Comentários
Compartilhe

Gilles Perrault - (12/02/2000)

Os industriais e banqueiros franceses se entregaram à colaboração econômica entre 1940 e 1944, ou os "escorregões" foram ações de alguns "bandidos e piratas" nada representativos do mundo dos negócios? Prefaciado com vigor por Jean Ziegler, outro especialista em destruir certezas que consolam, Annie Lacroix-Riz se afasta da historiografia dominante, desenhando o quadro de uma colaboração generalizada e muitas vezes entusiasta. Tem um defeito: sua fidelidade à linha de interpretação marxista, que a faz ser tachada por seus colegas, como ela mesma o diz, de "provocadora". Seu trunfo é o recurso sistemático ao arquivo, o que a distingue de muitos de seus colegas que hoje estão mais para ensaístas que escrevem sobre a História do que historiadores no sentido rigoroso do termo.

A condenação desse livro ao silêncio, como foi feito amplamente com obras precedentes desta franco-atiradora, será mais tranqüila que sua refutação. Fundamentando cada uma das suas demonstrações em um pedestal de arquivos de uma solidez granítica, a autora pulveriza os lugares-comuns mais bem estabelecidos. Vichy foi responsável por tudo, segundo a tese alegada pelo mundo dos negócios na época da Liberação? Nada mais falso. O regime de Pétain limitou-se, no mais das vezes, a ratificar acordos firmados diretamente pelos industriais e banqueiros franceses com o ocupante. Discrição patriótica da elite econômica diante das oportunidades oferecidas? A corrida aos negócios judeus para torná-los arianos atesta, ao contrário, uma voracidade indecente. A lista das aves de rapina, cujos herdeiros mantêm a cabeça alta, é de apertar o coração.

Desejando o nazismo

O ridículo soma-se aleatoriamente ao odioso. É o caso de propostas feitas, em 1941, ao ocupante, para uma exploração em comum das riquezas de uma União Soviética que parecia à beira do colapso, os franceses mostrando, é claro, uma modéstia razoável quanto à divisão do bolo. Na verdade, as associações de capitais entre empresas francesas e alemãs — sobre as quais a autora fornece copiosa documentação, assinalando de passagem a notável exceção de Michelin — demonstram que a perspectiva de uma Europa dirigida pelos nazistas era não só amplamente aceita como até mesmo desejada. Annie Lacroix-Riz concorda com Robert Paxton, que escreveu recentemente que as elites do dinheiro priorizaram o inimigo interno em relação ao inimigo externo.

A evolução da guerra acarretou lúcidos reacomodamentos. Era preciso ser um Pierre Taittinger para procurar, com uma tenaz energia, colocar seus parentes nos negócios judeus até a primavera de 1944. Seus pares evoluíram sabiamente em direção à paz americana, que eles viam esboçar-se no horizonte e que os garantia contra os exageros de um gaullismo estranhamente associado à revolução social e aos sovietes por todos os lados.

Fechado o livro, sonha-se com a famosa frase de François Mauriac, que certamente nunca se proclamou marxista, segundo a qual a classe operária francesa foi a única a permanecer fiel à pátria profanada. Annie Lacroix-Riz traz a apaixonante e esmagadora demonstração do contrário.

Annie Lacroix-Riz, Industriels et banquiers sous l’occupation. La collaboration économique avec le Reich , Prefácio de Jean Ziegler, Armand Colin, Paris.

Traduzido por Celeste Marcondes




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos