Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» 10 de julho de 2020

» A luta decisiva contra o reconhecimento facial

» “Austeridade”, uma concha vazia

» Um vírus que revela nosso dissídio com a Natureza

» (Auto)cuidado – coletivo, político e inadiável

» Por que aproxima-se uma onda de fome no Brasil

» 9 de julho de 2020

» A formação da personalidade autoritária

» A estratégia indígena para enfrentar o vírus

» Brasão da PM: coleção de massacres em nome da elite

Rede Social


Edição francesa


» Primes pour stimuler la production et sanctions contre les pratiques illégales

» Les difficultés de l'économie soviétique ravivent le débat entre traditionalistes et partisans de la réforme

» Comment le Sahel est devenu une poudrière

» Tout commence, tout finit à Gaza

» Cette « double autorité » qui écartèle les Palestiniens

» Aux origines de la secte Boko Haram

» Michel Onfray, le dernier nouveau philosophe

» Les forces de l'ordre social

» Vous avez dit « systémique » ?

» Un pays miné par les homicides policiers


Edição em inglês


» Cities: the power of the urban

» July: the longer view

» Fossil fuel disarmament

» Oil production and consumption around the world

» OPEC's share of production in a changing oil market

» Passport power

» Prato's migrant workforce

» No going back to business as usual

» Trade war in strategic minerals

» When oil got cheaper than water


Edição portuguesa


» Edição de Julho de 2020

» Metáforas bélicas

» Alguém disse «sistémico»?

» Dois ou três lugares a preencher – a propósito de José Saramago

» A Jangada de Saramago

» Um homem chamado Saramago

» «O desastre actual é a total ausência de espírito crítico»

» Edição de Junho de 2020

» A fractura social

» Vender carros Audi na Birmânia


CHEGA DE AUTO-SUFICIÊNCIA

A França vista de dentro e de fora

Imprimir
enviar por email

Ler Comentários
Compartilhe

Um ex-correspondente do Financial Times na e dois altos funcionários do governo francês lançam livros onde analisam a França e suas indiossincrasias

Sylvie Braibant - (12/04/2000)

Por toda parte tem-se um pouco a impressão de que alguns autores querem mal à França. Dois ensaios retomam as lendárias particularidades francesas que foram a causa de sua grandeza e decadência. O primeiro foi escrito por Andrew Jack, jornalista britânico do Financial Times, depois de ter passado quatro anos como correspondente em Paris. O outro é assinado por Joseph K., em referência a O Processo, de Kafka. O pseudônimo oculta dois altos funcionários do governo que querem preservar seu anonimato em nome do dever de discrição. As duas obras revelam um objetivo similar: localizar os defeitos franceses, examiná-los, analisá-los e resolvê-los, para destruir os anacronismos e pôr um fim ao declínio do país na cena internacional, e mesmo dentro de suas próprias fronteiras.

Centralismo e auto-suficiência

Andrew Jack, com um certo humor e bastante indulgência — provavelmente pelo distanciamento de ser britânico — e os Joseph K., polêmica e severamente — talvez devido à proximidade —, descrevem exemplos cabais das particularidades francesas mais excepcionais. Começando pelo centralismo irredutível, herança de vários séculos de história, e reproduzido nas elites via Escola Nacional de Administração, Escola Politécnica ou ainda Escola de Minas. O jornalista britânico refaz assim o percurso cheio de obstáculos daquilo que é um dos orgulhos franceses: o TGV (Trem de Grande Velocidade), obra emblemática do predomínio parisiense sobre o país. Fala também do atraso impressionante no desenvolvimento da Internet por causa dos engenheiros apegados ao "seu Minitel" [1] Enquanto isso, o outro livro aponta os fiascos do Concorde e da Superphénix.

Decisões apressadas e irrefletidas, tomadas por diplomatas paranóicos e obcecados pelo medo da perda de influência, também salpicam a política externa da França, em particular no que se refere às sua antigas colônias. Essas atitudes podem ter conseqüências dramáticas, como em Ruanda, ou ridículas, como o "empréstimo para construção de uma pista de patinação no gelo em um país do golfo da Guiné". Essa sucessão de pequenos fatos não muito brilhantes seria divertida, porém pouco construtiva sem uma perspectiva histórica, bastante presente particularmente no livro dos funcionários do governo.

A história se resume, assim, na incapacidade dos franceses — cidadãos, funcionários, jornalistas, etc — de enfrentar aqueles que detêm a autoridade, sobretudo o Príncipe —Chefe de Estado: "A França ficou profundamente marcada pela decapitação de seu rei", [2] assinalam os funcionários. A causa é um complexo levado ao extremo na era de Mitterand, observa o outro autor.

Democracia e humanismo

A originalidade desses dois pontos de vista é que, apesar de comparações muitas vezes sensatas, não colocam os comportamentos alemão ou anglo-saxão como exemplos a serem seguidos. É justamente para melhor combater a hegemonia americana que constróem suas constatações mais ou menos pessimistas. Então, o que fazer? Há urgência em reformar a administração, a justiça ou o equilíbrio dos poderes, em revolucionar as mentalidades, proclamam os autores franceses, se Paris quiser conservar sua imagem de modelo democrático ou humanista, colocando um ponto final em sua decadência. Apesar, mas ao mesmo tempo graças a suas particularidades, a França continua sendo uma grande potência, afirma o correspondente do Financial Times — e seriam necessáriás poucas iniciativas para superar seus arcaísmos. Andrew Jack, Sur la France-vive la différence, Odile Jacob, Paris, 1999. Joseph K. Desclée de Brouwer, Stratégie du déclin — Essai sur l’arrogance française, Paris, 2000.

Traduzido por Denise Lotito.



[1] Rede de comunicação que uniu, muito antes da Internet, a linha telefônica ao computador - e pode ser usada para obter informações práticas, fazer reservas de passagens e entradas de teatro, conversar, etc. Porém, para os padrões atuais, é lenta, limitada e e graficamente muito pobre. (Nota da Tradução)

[2] Alusão à execução na guilhotina do rei Luís XVI, em 1793, pelos revolucionários franceses. (Nota da Tradução)


Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» França
» História
» Desigualdade e Fraturas Sociais

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos