Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


Rede Social


Edição francesa


» Blancs ou noirs, tous les shérifs se ressemblent

» Des chaînes « tout info » bien peu dérangeantes

» Edelweiss et lutte des classes dans les Alpes

» « Ils voulaient des bras, ils ont trouvé des hommes »

» Une holding économico-criminelle

» Ce que furent les « années de plomb » en Italie

» En France, des archives bien gardées

» Résilience partout, résistance nulle part

» Les enseignants entre combativité, apathie et sirènes managériales

» Mexico secoue la tutelle américaine


Edição em inglês


» Saudi Arabia's diplomatic volte-face

» Global trade in plastic waste

» Gas pipelines and LNG carriers

» Rise and rise of the Israeli right

» Decline of Israel's Zionist left

» Knight who shed his shining armour

» How to sabotage a pipeline

» No more plastics in Southeast Asia paradise

» Whiteout for the skiing industry?

» Brussels rewrites history


Edição portuguesa


» "Catarina e a beleza de matar fascistas": o teatro a pensar a política

» Edição de Abril de 2021

» A liberdade a sério está para lá do liberalismo

» Viva o «risco sistémico!»

» Pandemia, sociedade e SNS: superar o pesadelo, preparar o amanhecer

» A maior mentira do fim do século XX

» Como combater a promoção da irracionalidade?

» A Comuna de Paris nas paredes

» Como Donald Trump e os "media" arruinaram a vida pública

» Edição de Março de 2021


AMORES DA SOMÁLIA

Quando o próprio nome fere

Imprimir
enviar por email

Ler Comentários
Compartilhe

Forçado ao exílio em 1974 pela junta militar, Farah só pode rever seu país, destruído, vinte anos mais tarde. O pano de fundo desta bela trilogia é, como diz o autor, a nação órfã. Uma Somália pós-ditadura que não deve nada aos clichés da CNN

Abdurahman A. Waberi - (12/05/2000)

Nuruddin Farah, único romancista de língua inglesa da Somália, é também um dos mais talentosos do mundo anglofônico. Nada impede àqueles que vêm das regiões socialmente desfavorecidas de subir aos mais altos níveis artísticos, a exemplo de um Mahmud Darwish, o poeta palestino que vagou por campos de refugiados e no exílio.

Tendo conseguido a independência em julho de 1960, a Somália nasceu entre sangue e violência. Objeto de disputa do Império britânico com a Etiópia e a Itália fascista do pós-guerra, esteve no centro da rivalidade Leste-Oeste durante a guerra fria. Desde 1991 - com a queda do ubuesco ditador Siyad Barre -, o país é presa da guerra civil.

Um livro tão excitante quanto exigente

Nascido em 1945 em Baidhoda, no Sul do país, Nuruddin Farah cresceu em Ogaden, uma província da Etiópia próxima à sua terra natal, e estudou na Índia e na Inglaterra. Forçado ao exílio em 1974 pela junta militar, só pode rever seu país destruído vinte anos mais tarde. Depois de Territoires e Dons, [1] as duas primeiras partes de uma trilogia tão excitante quanto exigente, surge agora a tradução francesa da terceira parte, Segredos, que fecha a obra, intitulada Blood in the Sun.

O pano de fundo é, como declara o autor, a nação órfã. Uma Somália pós-ditadura que não deve nada aos clichés da CNN ou às imagens retocadas e inofensivas da National Geographic.

"Poderes animais mais fortes"

Em 1991 Mogadiscio está a beira do caos. Kalaman, jovem técnico em informática, protagonista desse grosso e palpitante romance, sempre soube que segredos estranhos envolviam as origens e as circunstâncias de seu nascimento. Na sua vida tudo é obscuro, até o significado de seu nome: "Meu nome, Kalaman, traz à tona as lembranças de uma paixão infantil... Como uma resposta fácil a uma charada aparentemente difícil, meu nome provoca em muitas pessoas reações surpreendentes".

A trama do romance se complica quando Kalaman confessa que está apaixonado por Sholongoo, uma mulher duugan, ou seja, destinada a ser enterrada por ter nascido num dia desgraçado e de "poderes animais mais fortes" que os dela. Nesse ponto se reconhece o talento do autor em pintar personagens femininas sem nenhum traço angelical ou de feminismo militante.

De braços dados com o destino

A obra de Nuruddin Farah mama na história e na cultura da península somali. Seu estilo, trespassado por mitos, lendas, alusões ao Corão e pela poesia da terra, está a serviço de um imaginário barroco e fabuloso que Günter Grass não negaria. Como sempre, na obra de Nuruddin Farah a busca pessoal segue de braços dados com o destino de toda a comunidade, para não dizer continente.

Ele possui segredos que são revelados apenas por um grande escritor a seus leitores. Alguém falou em Segredos?

Nuruddin Farah, Segredos , terceiro volume da trilogia Blood in the Sun, traduzido do inglês por Jaqueline Bardolph, ed. Le Serpent à plumes, Paris, 1999, 450 páginas.

Traduzido por Denise Lotito.



[1] Territoires (ed. Le Serpent à plumes, 1995) e Dons (ed. Le Serpent à plumes, 1998). A primeira trilogia está disponível em francês pela ed. Zoé (Du lait aigre-doux, Sardines et Sésame ferme-toi).


Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos