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AIDS

O fator guerra

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As guerras têm um papel fundamental na propagação do vírus da Aids. A complexa interação entre sabotagem econômica, destruição das infra-estruturas e banditismo cria bolsões nos quais as populações marginalizadas são expostas ao risco de infecção

Pilar Estébanez - (20/12/2000)

Os conflitos armados e as fraturas sociais que provocam têm um papel fundamental na propagação do vírus da Aids. É o caso de Moçambique, após muitos anos de guerra civil. A complexa interação entre a sabotagem econômica, a destruição das infra-estruturas e o banditismo cria bolsões nos quais as populações marginalizadas são bastante expostas ao risco de infecção pelo HIV, especialmente devido a contatos sexuais ocasionais. A situação se agrava ainda mais por causa do acesso limitado aos serviços sanitários e à assistência médica.

A precária situação das pessoas refugiadas e deslocadas, reunidas nos campos, contribui para a contaminação. Na verdade, não existem programas de pesquisa (principalmente para os doadores de sangue), enquanto a cirurgia e a medicina são praticadas sem esterilização (por ocasião do parto, por exemplo, o que aumenta a taxa de transmissão materno-infantil). Por outro lado, nessas zonas onde não existe o planejamento familiar, os homens rejeitam o preservativo. [1]

Ausência de prevenção

Ruanda constitui um exemplo significativo do papel da guerra na propagação da Aids. Os estudos [2] realizados antes da guerra demonstram que suas taxas de infecção para o HIV em zonas rurais eram muito inferiores às detectadas nas zonas urbanas: 1% das mulheres grávidas eram soropositivo nas zonas rurais, e 10% nas cidades. Depois do conflito e os deslocamentos de populações que ele provocou, estes índices aumentaram e, principalmente, se alinharam "por cima"(11%). As populações refugiadas tiveram seus índices de infecção multiplicados por seis. Calcula-se que estes tinham aumentado de 1,3% para 8,5% durante o período passado nos campos. Isso é o resultado das aglomerações e da violência sexual, mas também do fato do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (HCR) não ter publicado advertências nem ter realizado programas de prevenção; 3,2% das mulheres pesquisadas depois da guerra tinham sido violadas, metade dentre elas durante o conflito; 17% dessas mulheres eram soropositivo.

Em outros lugares do mundo, o caso dos soldados do Camboja ou de El Salvador são exemplos dos riscos decorrentes dos comportamentos sexuais ligados à guerra ou ao pós-guerra. No Camboja, um estudo realizado em outubro de 1998 pela Onusida revelou que 35% dos soldados tinham tido contatos com prostitutas durante o mês anterior.

Traduzido por Celeste Marcondes.



[1] Talvez numa tentativa ( consciente ou inconsciente) de compensar as perdas humanas provocadas pela guerra

[2] Ler, de Rashid Mkanje, "Report of the seminary on ONG action", African Medical and Research Foundation Health for All in Africa (Amref), Londres, 1996.


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