Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Capital, pandemia e os papéis do feminismo

» Na pandemia, fermenta o Comum

» Literatura periférica, borbulhante e singular

» Epidemias e a queda do céu

» A Quarentena, o desencanto e os homens de gravata

» Contra o cinismo de 1%, a Reforma Tributária

» O fantasma de 1929 está vivo

» Contra a pandemia, a opção solidária

» Pandemia implodirá a Segurança Pública?

» Filmes para desembrutecer o coração

Rede Social


Edição francesa


» Hobsbawm (1917-2012), un itinéraire dans le siècle

» L'Afrique, cobaye de Big Pharma

» Dépeçage des libertés publiques

» Punir le viol

» Stefan Zweig ou l'horreur de la politique

» Le refus de Sartre

» Une guerre tous azimuts

» Parrain privé, chaîne publique

» « Big Pharma », ou la corruption ordinaire

» Ravages cachés du sous-emploi


Edição em inglês


» To our readers

» Bangsamoro: Philippines' new Muslim-majority region

» Artist and filmmaker

» Looking without blinking

» Politics of city diplomacy

» The return of the city-state

» Philippines revives self-rule for Bangsamoro

» Marawi, the Philippines' ruined city

» Impasse in Morocco

» And now get lost, France!


Edição portuguesa


» Edição de Março de 2020

» Um Brexit para nada?

» A precariedade não é só dos precários

» Edição de Fevereiro de 2020

» O que Donald Trump permite…

» As marcas do frio

» Edição de Janeiro de 2020

» Embaraços externos

» De Santiago a Paris, os povos na rua

» Que prioridades para uma governação mais à esquerda?


LIVROS

Panorama do marxismo

Imprimir
enviar por email

Ler Comentários
Compartilhe

Do final da II Guerra Mundial até meados da década de 70, o marxismo prosperou, principalmente no sul da Europa e na América Latina, e, de maneira inesperada, foi para o universo anglo-saxão, deslocando-se de seu centro de gravidade

Alain Bihr - (01/10/2001)

Quantas vezes, desde 1883, se terá anunciado, para alegria ou desespero, a morte de Marx? No entanto, a julgar pelo mercado editorial atual, a referência à obra de Marx continua surpreendentemente viva. Prova disso é o Dictionnaire Marx Contemporain que, sob a coordenação de Jacques Bidet e Eustache Kouvélakis1, analisa as mudanças das últimas décadas. Dicionário: o termo não é muito apropriado, uma vez que a obra não organiza artigos temáticos em ordem alfabética. Trata-se, principalmente, de uma espécie de panorama das “formas diversas, muitas vezes subterrâneas, a exemplo da obra da célebre toupeira da história, por meio das quais os debates teóricos das três últimas décadas trabalharam e continuam a trabalhar a referência [a Marx]”.

Essas mudanças, estudadas na primeira parte do livro, são de ordem geopolítica e temática. Do final da II Guerra Mundial até meados da década de 70, o marxismo prosperou, sobretudo no sul da Europa e na América Latina, e, de maneira inesperada, foi para o universo anglo-saxão, deslocando-se de seu centro de gravidade ao longo das duas décadas seguintes. Isso levou a formas originais de marxismo, tais como o marxismo analítico, retomado especialmente por Alex Callinocos; ou ainda problemas heterodoxos, como o “socialismo de mercado”, sobre o qual Tony Andréani se debruça. O marxismo teve a oportunidade de se defrontar com novos contextos sociais, políticos e culturais e ainda dar conta de fenômenos que saíam habitualmente do campo de sua reflexão, tais como a violência racista, a dominação masculina e a crise ambiental

A “evolução” do pensamento de Marx

O livro é um panorama de “formas subterrâneas, como a da célebre toupeira da história, por meio das quais se continua a trabalhar a referência a Marx”

A segunda parte da obra – a mais importante por sua amplitude –, denominada “Configurações”, é também, sem dúvida, a mais original. Ela explora “as conexões do ‘marxismo’ com seu alter”; em outras palavras, o processo pelo qual a referência a Marx impregna, a maioria das vezes implicitamente e até mesmo inconscientemente, toda uma série de correntes teóricas e políticas contemporâneas; e, reciprocamente, como essas mesmas correntes, por sua vez, alimentaram e trabalharam o marxismo. Dessa maneira, são questionados os encontros, ora conflituosos, ora osmóticos, entre marxismo e ecologia, marxismo e feminismo, marxismo e pós-colonialismo, marxismo e teologia da libertação etc. Do todo, emana a idéia de que nenhum aspecto das transformações do mundo contemporâneo seria estranho ao marxismo, mesmo que ele não seja sempre o mais indicado para abordá-los. A herança deixada por Marx revelou-se fecunda, ainda que à custa do abandono de qualquer sonho (ou pesadelo) de uma ortodoxia qualquer.

A terceira parte do livro investiga como a referência a Marx está presente em um certo número das mais importantes obras teóricas, quer seus autores defendam, de uma maneira ou de outra, o marxismo (tais como Louis Althusser ou Henri Lefebvre), ou o critiquem (tais como Michel Foucault, Gilles Deleuze e Pierre Bourdieu). A escolha das obras, evidentemente arbitrária, continua marcada por um certo centrismo-europeu (somente um artigo é consagrado a um autor não-europeu, o economista japonês Kozo Uno), quando seria esperada uma maior abertura para que se possa compreender a “evolução mundial” do pensamento de Marx.

Terminando com uma ampla bibliografia e, sobretudo, com uma lista dos periódicos e revistas que mantêm uma relação com a obra de Marx em todo o mundo, o Dictionnaire Marx Contemporain cumpre perfeitamente sua função de ferramenta de trabalho para todos aqueles que pretendem continuar a compreender o mundo contemporâneo com o objetivo de transformá-lo em um sentido emancipador.
(Trad.: Wanda Caldeira Brant)

1 - Dictionnaire Marx Contemporain, coord. Jacques Bidet e Eustache Kouvékalis, ed. Presses Universitaires de France (PUF), col. “Actuel Marx Confrontation”, Paris, 2001.




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos