Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» 24 de setembro de 2021

» Dissidência jovem no coração do sistema

» Ainda não acabou: o mal-estar na pandemia

» Para entender as três crises do Haiti

» Uma cineasta à altura dos desafios de nosso tempo

» 23 de setembro de 2021

» Evergrande: falência e oportunidade na China

» Tecnologia e política para reconstruir mundo em ruínas

» Cinema: Aranha e nossas raízes fascistas

» 22 de setembro de 2021

Rede Social


Edição francesa


» Le vieux monde et la mer

» Émergence de l'Asie sur la scène scientifique

» Singapour, Malaisie, Indonésie : triangle de croissance ou triangle des inégalités ?

» Les rêves déçus et la colère rentrée des harkis

» Conflits d'usages en mer Baltique

» Autocritiques cathodiques en Chine

» L'Australie séduite par la Chine

» Que faisons-nous en Irak ?

» De la mer en partage au partage de la mer

» La Russie à la conquête du Grand Nord


Edição em inglês


» China's post-communist Communist Party

» The Manet effect

» The race to be German chancellor

» September: the longer view

» Meandering through Paraguay

» Don't expect tech giants to build back better

» Long hot nights on the Paraguay river

» Can Pedro Castillo unite Peru?

» Tensions mount over Yemen's contested islands

» Hungary's Fidesz builds a parallel state


Edição portuguesa


» O mundo em mutação e o Estado - em crise?

» Edição de Setembro de 2021

» Transformação e resiliência

» O caminho de Cabul

» Edição de Agosto de 2021

» Ditadura digital

» Desigualdades digitais

» O direito à alimentação no mundo continua por cumprir

» Filho da Preguiça

» Boca de Cena


LIVROS

Uma odisséia imprudente

Imprimir
enviar por email

Ler Comentários
Compartilhe

Um livro que discute, principalmente, a busca pela justiça social nas Filipinas. Primeiro país asiático a se insurgir contra o imperialismo, jamais se libertou das relações feudais de propriedade e de poder que o acorrentavam – e acorrentam até hoje

Philip S.Golub - (01/02/2002)

“Mas que tipo de homem estaria disposto a sofrer, em nome da verdade e da justiça, quando todo mundo sabe que só prosperam o mal e a avareza, que só suas mesas são fartas cheias e que moram em palácios?” Mais de cem anos de história social das Filipinas estão contidos nessa interrogação angustiada que encerra o segundo volume da saga da cidade de Rosales, da autoria de Francisco Sionil José, um dos grandes nomes da literatura contemporânea mundial de língua inglesa.

A voz, preocupada e indecisa, é de um homem que nasceu e cresceu em meio ao conforto de um latifúndio, ao lado de empregados e meeiros miseráveis, a voz de um homem cujo pai, administrador da propriedade, só chorou uma vez na vida. É a voz de uma consciência incipiente, mas paralisada diante da iniqüidade de uma ordem social imóvel que, como as raízes aéreas que envolvem a balete, a árvore mais comum em Rosales, asfixia, lentamente, a vida. É a voz de uma personagem lúcida, que viu “homens quebrados, sem sequer conseguirem sair desse chiqueiro que é a miséria”, que os viu sem nada fazer. Porque é o filho de seu pai. Porque “se tornou [um] escravo do conforto”, porque “adora os antros escuros, frios e úmidos [...] e as delícias da culinária” dos príncipes que, para chegarem a uma “posição elevada”, tiveram que “massacrar seus compatriotas”. E nada fez, como ele próprio diz, “porque sou eu, porque já morri há muito tempo”.

Em busca da identidade

O objetivo das lutas foi sempre a terra e a dignidade que ela propicia, essa terra quase sagrada, mas confiscada, que é o tema central deste livro

Não por acaso, percebe-se no livro um reflexo de Steinbeck, particularmente das Vinhas da Ira. Finalmente disponível em francês, graças à elegante tradução de Amina Saïd, A l’ombre du balete1 (À sombra da balete) explora um destino contrariado, uma identidade ferida e, principalmente, a busca pela justiça social nas Filipinas. Primeiro país colonizado da Ásia Oriental a se insurgir contra o imperialismo europeu e a fundar uma República, após a revolução de 1896, jamais se libertou das relações feudais de propriedade e de poder que o acorrentavam – e acorrentam até hoje. O domínio externo europeu e, depois, norte-americano e japonês, foi substituído, após a independência, pelo que o autor chama uma “colonização interna”, exercida pelas elites oligárquicas. Estas reproduziram as hierarquias sociais anteriores, monopolizaram a riqueza e o poder e, cinicamente, saquearam o Estado. O objetivo das lutas foi sempre a terra e a dignidade que ela propicia, essa terra quase sagrada, mas confiscada, que é o tema central deste livro.

Crítica social profunda, ainda mais eficiente porque a indignação é dominada, A l’ombre du balete faz-se acompanhar pela música de um belo texto, preciso e poético, que nos leva, numa “odisséia imprudente que toma caminhos apagados”, na viagem passada e presente de um povo que, até hoje, busca sua identidade. br<(Trad.: Jô Amado)

1 - A l’ombre du balete, de Francisco Sionil José, ed. Fayard, Paris, 240 páginas, 19,80 euros (41,75 reais).




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» Imperialismo
» Filipinas

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos