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ORIENTE MÉDIO

Um livro devastador

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O jornalista Alain Ménargues revela em seu livro que os massacres de Sabra e Chatila foram por etapas: na primeira delas, um comando especial israelense invadiu os campos com uma lista – e o endereço – de 120 militantes palestinos, todos executados

Pierre Péan - (01/09/2002)

Sem hesitação, os soldados dirigiam-se a determinadas casas e davam um nome. A pessoa chamada era forçada a sair e friamente abatida com um tiro na nuca

Um livro vem sendo muito esperado por todos os que querem esclarecer os massacres de Sabra e Chatila, mas muito temido pelo governo de Ariel Sharon, pois acrescenta novas provas ao processo de acusação contra o ex-ministro da Defesa. Alain Ménargues, correspondente da Rádio France em Beirute entre 1982 e 1995, realizou uma extensa pesquisa sobre o tema. Teve acesso a uma enorme quantidade de documentos inéditos e entrevistou inúmeros participantes militares – israelenses, libaneses e palestinos. Temendo pôr em risco a vida de testemunhas libanesas, atrasou a publicação de seu livro. Finalmente, a editora Albin Michel deverá publicá-lo antes do final deste ano.

Alain Ménargues afirma que, algumas horas depois da decisão de Ariel Sharon, na manhã de 15 de setembro de 1982, de mandar os soldados israelenses entrarem em Beirute Ocidental para liquidar os “ninhos de terroristas”, uma unidade de comandos, também israelenses, penetraram nos campos de Sabra e Chatila. A unidade, chamada Sayyeret Matkal, teria uma lista de cento e vinte nomes de militantes palestinos e seus endereços. Os soldados israelenses “se deslocaram rapidamente, em silêncio, seguindo itinerários que pareciam conhecer perfeitamente, e se dirigiram, com precisão, a casas determinadas. Sem hesitação, forçaram as portas e, por intermédio de um tradutor falando um árabe com sotaque não-libanês, davam um nome aos moradores aterrorizados. Logo que se apresentava, a pessoa chamada era instada a sair e era friamente abatida com um tiro na nuca”. Essa unidade especial israelense, a mesma encarregada das liquidações nos territórios palestinos ocupados, teria abatido 63 palestinos. “Todos, advogados, médicos, professores e mesmo enfermeiras, ao ser anunciada a ofensiva, comunicaram às pessoas de suas relações a decisão de permanecer no local, persuadidos de que sua condição de não-combatentes os colocaria acima do conflito.”

Participação direta israelense

Elie Hobeika, chefe do serviço secreto libanês, enviou seus homens mais incontrolados. Foi essa equipe – a terceira – que praticou os piores horrores...

Terminada essa missão – que tinha por objetivo desmantelar as infra-estruturas palestinas –, os israelenses deram o lugar para uma segunda leva de matadores, formada por libaneses do Exército do Sul do Líbano, comandado pelo major Haddad, chefe dos reservistas do exército israelense. A unidade encarregada de continuar a limpeza dos campos foi chefiada pelo capitão Camille Khoury, a quem Rafaël Eytan, chefe do Estado-Maior israelense, teria dito: “Faça-os sentirem tanto medo que saiam e nunca mais voltem.” Depois do retorno dessa segunda equipe, o Estado-Maior israelense pediu ao Estado-Maior das forças libanesas que terminasse a limpeza dos campos de Sabra e Chatila. É aí que intervém Elie Hobeika, chefe do serviço secreto de Béchir Gemayel, assassinado no dia 14 de setembro. Hobeika enviou seus homens mais incontrolados. Foi essa terceira equipe que praticou os piores horrores...

A participação direta dos soldados israelenses constitui, evidentemente, a grande revelação de Alain Ménargues. Sem trazer provas absolutas, apresenta um conjunto de elementos capazes de forjar a convicção íntima. Ele retoma um dos elementos da comissão Kahane (leia, nesta edição, o artigo “História de um massacre anunciado”, de Pierre Péan). Para explicar a presença insólita, no interior do campo, dos papéis e de uma cartucheira pertencentes ao sargento israelense Benny Haim - quando a versão oficial israelense era a de que seu exército não havia entrado em Sabra e Chatila - a comissão israelense afirmou, sem provas, que esses objetos tinham sidos colocados naquele lugar. Alain Ménargues baseia-se, também, nas conclusões de um médico legista que examinou os cadáveres e encontrou três calibres diferentes, correspondentes às armas das três equipes de assassinos.

(Trad.: Celeste Marcondes)




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