Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Oito teses sobre a Revolução Feminista

» As feridas da Guerra com Paraguai ainda latejam

» A última chance de salvar Julian Assange

» Quando a polícia bandida quer mandar na sociedade

» Zé do Caixão, herói do Cinema Popular Brasileiro

» Poderá Francisco salvar a Economia e o planeta?

» Auschwitz: os portões da memória ainda abertos

» As democracias engolidas e o erro de Piketty

» Eles lutam por todos nós

» Paulo Guedes, o bravateiro velhaco

Rede Social


Edição francesa


» Israël-Palestine, entériner l'occupation

» Toulon, la folie des grandeurs

» De l'État d'Assam au sous continent indien, une mosaïque religieuse

» Les échecs de la démocratisation et le lourd héritage de M. Moubarak

» Les paradoxes d'un régime libéré de l'héritage nassérien

» Départ sans gloire pour M. Anthony Blair

» Précurseurs et alliés du nazisme aux Etats-Unis

» Une Internationale… de la santé

» Wal-Mart à l'assaut du monde

» Réalité en quête de fictions


Edição em inglês


» Trump's Palestine plan: enshrining occupation

» Religion in India

» Wakaliwood forever

» Copenhagen, cycle city

» Walmart's planned economy

» In the name of the rose

» Serbia's strongman tightens his grip

» The Sanders-media showdown

» The Bernie threat

» Indian citizenship, but not for Muslims


Edição portuguesa


» Edição de Fevereiro de 2020

» O que Donald Trump permite…

» As marcas do frio

» Edição de Janeiro de 2020

» Embaraços externos

» De Santiago a Paris, os povos na rua

» Que prioridades para uma governação mais à esquerda?

» Edição de Dezembro de 2019

» Uma fractura social exposta

» «Uma chacina»


IMPRENSA

Os grevistas, esses doentes mentais

Imprimir
enviar por email

Ler Comentários
Compartilhe

Para os “analistas” da grande imprensa, os professores em greve contra as reformas neoliberais pretendidas pelo governo francês são “descerebrados” e seu movimento, uma atitude “revanchista e irracional” que defende propostas “irreais”

Serge Halimi - (01/09/2003)

No canal France 5, um cientista político falou da “esquizofrenia das pessoas”, enquanto um economista denunciava uma “greve pré-racional”

Contestar o desmante lamento do Estado social remeteria à psiquiatria. Já em dezembro de 1995, o jornalista François de Closets se alarmava com uma “onda esquizofrênica” por parte dos manifestantes, enquanto, na TF1, Gérard Carreyrou comentava “um movimento em que os fantasmas e o irracional confundem com freqüência a realidade”.

Oito anos depois, quase nada mudou. Para Nicolas Beytout, diretor de Echos e comentarista da Europe 1, certas reivindicações provêm da fantasmagoria, como esta “posição totalmente irreal: 37,5 anos para todos, coisa em que ninguém acredita” (14 de maio). Stéphane Paoli explora na France Inter as razões de uma recusa: “Que povo somos nós que diz ‘sim, as reformas são necessárias’, que aceita seus princípios, mas que rejeita sua realidade?” (12 de maio). “Os franceses adoram os reformistas, na condição de que eles não passem à ação”, acrescenta Gérard Dupuy no jornal Libération (12 de maio).

Angústia, medos coletivos e fantasmas

O editorialista do Courrier Picard cria por sua vez, com zombaria, uma “SARS, Síndrome da Aposentadoria dos Segurados Sociais” (13 de maio), enquanto Alain Duhamel ausculta, mais uma vez, uma França “alérgica às reformas” (RTL, 15 de maio). No canal France 5, o cientista político Stéphane Rozès menciona “uma esquizofrenia nas pessoas” (13 de maio), contra o economista liberal Christian Saint-Etienne, preocupado com uma “greve pré-racional”. “Atitude revanchista e irracional”, indica a revista Marianne (16 de junho) num artigo sobre “as razões da desrazão” dos professores em greve.

Segundo a hipótese de um diretor de redação, a greve é “uma crise de transe social”, uma “insurreição de massas arcaicas” típica da França, uma “nau de insensatos”

Denis Jeambar, diretor do semanário L’Express, ficou muito irritado: “Educadores descerebrados cometem um crime pedagógico e destroem um livro sob o pretexto de que seu ministro o escreveu: nem Ray Bradbury, em Fahrenheit 451/i< e seus autos-da-fé, o poderia ter imaginado na França de 2003” (22 de maio). Se “a França está doente da cabeça”, acrescentaria, “cabe à cabeça da França curá-la” (5 de junho). Um mês antes de homenagear o ministro do Interior pela “pacificação de uma rebelião educacional” (Le Nouvel Observateur, 26 de junho) Jacques Julliard acompanhava, à cabeceira, este “corpo psicótico em que todos – professores, alunos e pais – são esfolados vivos, organismos nas garras da angústia, dos medos coletivos e dos fantasmas” (22 de maio).

Também Joseph-Macé-Scaron, diretor de redação do Figaro magazine, sustenta uma hipótese psiquiátrica, ao analisar a greve como “uma crise de transe social”, uma “insurreição de massas arcaicas” típica da França, uma “nau de insensatos” sacudida por “convulsões que deixam perplexos nossos vizinhos estrangeiros” (24 de maio).

(Trad.: Fabio de Castro)




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» França
» Educação
» Jornalismo de Mercado
» Resistências ao Neoliberalismo
» Greves

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos