Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


Rede Social


Edição francesa


» Changements d'échelle, tranquillité perdue

» Les scientifiques, responsables et inquiets

» Blancs ou noirs, tous les shérifs se ressemblent

» Des chaînes « tout info » bien peu dérangeantes

» Edelweiss et lutte des classes dans les Alpes

» « Ils voulaient des bras, ils ont trouvé des hommes »

» Une holding économico-criminelle

» Ce que furent les « années de plomb » en Italie

» En France, des archives bien gardées

» Résilience partout, résistance nulle part


Edição em inglês


» Saudi Arabia's diplomatic volte-face

» Global trade in plastic waste

» Gas pipelines and LNG carriers

» Rise and rise of the Israeli right

» Decline of Israel's Zionist left

» Knight who shed his shining armour

» How to sabotage a pipeline

» No more plastics in Southeast Asia paradise

» Whiteout for the skiing industry?

» Brussels rewrites history


Edição portuguesa


» "Catarina e a beleza de matar fascistas": o teatro a pensar a política

» Edição de Abril de 2021

» A liberdade a sério está para lá do liberalismo

» Viva o «risco sistémico!»

» Pandemia, sociedade e SNS: superar o pesadelo, preparar o amanhecer

» A maior mentira do fim do século XX

» Como combater a promoção da irracionalidade?

» A Comuna de Paris nas paredes

» Como Donald Trump e os "media" arruinaram a vida pública

» Edição de Março de 2021


IMPRENSA

Os grevistas, esses doentes mentais

Imprimir
enviar por email

Ler Comentários
Compartilhe

Para os “analistas” da grande imprensa, os professores em greve contra as reformas neoliberais pretendidas pelo governo francês são “descerebrados” e seu movimento, uma atitude “revanchista e irracional” que defende propostas “irreais”

Serge Halimi - (01/09/2003)

No canal France 5, um cientista político falou da “esquizofrenia das pessoas”, enquanto um economista denunciava uma “greve pré-racional”

Contestar o desmante lamento do Estado social remeteria à psiquiatria. Já em dezembro de 1995, o jornalista François de Closets se alarmava com uma “onda esquizofrênica” por parte dos manifestantes, enquanto, na TF1, Gérard Carreyrou comentava “um movimento em que os fantasmas e o irracional confundem com freqüência a realidade”.

Oito anos depois, quase nada mudou. Para Nicolas Beytout, diretor de Echos e comentarista da Europe 1, certas reivindicações provêm da fantasmagoria, como esta “posição totalmente irreal: 37,5 anos para todos, coisa em que ninguém acredita” (14 de maio). Stéphane Paoli explora na France Inter as razões de uma recusa: “Que povo somos nós que diz ‘sim, as reformas são necessárias’, que aceita seus princípios, mas que rejeita sua realidade?” (12 de maio). “Os franceses adoram os reformistas, na condição de que eles não passem à ação”, acrescenta Gérard Dupuy no jornal Libération (12 de maio).

Angústia, medos coletivos e fantasmas

O editorialista do Courrier Picard cria por sua vez, com zombaria, uma “SARS, Síndrome da Aposentadoria dos Segurados Sociais” (13 de maio), enquanto Alain Duhamel ausculta, mais uma vez, uma França “alérgica às reformas” (RTL, 15 de maio). No canal France 5, o cientista político Stéphane Rozès menciona “uma esquizofrenia nas pessoas” (13 de maio), contra o economista liberal Christian Saint-Etienne, preocupado com uma “greve pré-racional”. “Atitude revanchista e irracional”, indica a revista Marianne (16 de junho) num artigo sobre “as razões da desrazão” dos professores em greve.

Segundo a hipótese de um diretor de redação, a greve é “uma crise de transe social”, uma “insurreição de massas arcaicas” típica da França, uma “nau de insensatos”

Denis Jeambar, diretor do semanário L’Express, ficou muito irritado: “Educadores descerebrados cometem um crime pedagógico e destroem um livro sob o pretexto de que seu ministro o escreveu: nem Ray Bradbury, em Fahrenheit 451/i< e seus autos-da-fé, o poderia ter imaginado na França de 2003” (22 de maio). Se “a França está doente da cabeça”, acrescentaria, “cabe à cabeça da França curá-la” (5 de junho). Um mês antes de homenagear o ministro do Interior pela “pacificação de uma rebelião educacional” (Le Nouvel Observateur, 26 de junho) Jacques Julliard acompanhava, à cabeceira, este “corpo psicótico em que todos – professores, alunos e pais – são esfolados vivos, organismos nas garras da angústia, dos medos coletivos e dos fantasmas” (22 de maio).

Também Joseph-Macé-Scaron, diretor de redação do Figaro magazine, sustenta uma hipótese psiquiátrica, ao analisar a greve como “uma crise de transe social”, uma “insurreição de massas arcaicas” típica da França, uma “nau de insensatos” sacudida por “convulsões que deixam perplexos nossos vizinhos estrangeiros” (24 de maio).

(Trad.: Fabio de Castro)




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» França
» Educação
» Jornalismo de Mercado
» Resistências ao Neoliberalismo
» Greves

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos