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EDUCAÇÃO

O que mata a Universidade

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Desde 1981, quando subitamente aumentou a carga horária de ensino em 50%, os professores universitários sofreram sem protestar a invasão das reformas, a multiplicação do número de alunos e a lenta degradação de sua condição de trabalho

Pierre Jourde - (01/09/2003)

Nos concursos, candidatos atravessam o país cheios de expectativa, para constar, como figurantes democráticos, em um espetáculo onde tudo já está decidido

A universidade francesa morreu. Morreu enquanto universidade, ou seja, comunidade científica onde a pesquisa se associa a um ensino especializado de alto nível. Ainda há alguns estabelecimentos de ensino de terceiro grau. Porém a universidade foi morta pela mediocridade.

Tem-se a idéia de que a universidade contrata os melhores professores. Era verdade, o que é cada vez menos. A especialização desaparece em proveito de cargos pedagógicos ou didáticos. Nesse campo, o ano de 2003 será um marco: em letras, nenhum cargo de doutor em literatura do século XIX foi oferecido, mas houve uma avalanche de cargos de “técnico de expressão”. Em outras palavras: a universidade não passa de uma espécie de ensino médio em que é preciso se esforçar para ensinar os alunos a construírem uma frase. São muitos os ensinamentos para os quais não se dispõe de um professor titular e são confiados a profissionais temporários emprestados do ensino médio. Ou ainda se contratam professores agrégés, paus-para-toda-a-obra na universidade1, pelo mesmo salário, mas que fazem o dobro de horas, são esmagados pelo trabalho e não têm tempo de se dedicar à pesquisa.

Carência de contratações

Ser professor universitário é hoje, antes de tudo, ser um burocrata. A administração central é obcecada pelo controle e pela invenção de novas estruturas

Quando um cargo concreto é oferecido em concurso, o “localismo” crescente faz com que ele seja atribuído, não ao mais merecedor, mas ao que já está no lugar e cuja permanência já fora anteriormente prevista. Os concursos tendem a se tornar falsos concursos. Candidatos enviam volumosos dossiês, atravessam toda a França, cheios de esperança e angústia, para constar, como figurantes democráticos, em um espetáculo onde tudo já está decidido. O ponto do exame para o cargo corresponde precisamente à tese do candidato local. Um reitor de universidade da área de eletrônica se infiltra numa comissão de literatura para eleger o candidato local. Um conselho de administração anula a escolha de um candidato que não é do lugar. São escolhidos a esposa, o filho, o cunhado, o filho do farmacêutico do centro da cidade, pouco importa a qualidade de seus títulos: nunca o melhor, se este for desconhecido. A reforma do ministro Claude Allègre facilitou essa evolução. Antigamente, todos os professores eram membros de direito das comissões de admissão, um sistema simples e eficaz que limitava os riscos de controle do ingresso. A educação nacional tem o dom da complicação. Atualmente essas comissões são eleitas por listas, o que as reduz muito e facilita a manipulação de alguns sobre as contratações. O projeto de descentralização só agravará as coisas.

Qualquer um que tenha freqüentado as universidades italianas ou inglesas pode medir a que ponto a maioria dos estudantes e professores vivem, na França, na feiúra cotidiana. Bunkers horrorosos, deteriorados, desoladores; salas de aula e escritórios em número insuficiente, suspeitos e repletos; bibliotecas miseráveis; campi sinistros, sujos, semelhantes a cidades da periferia, distantes dos centros das cidades, sem vida além dos cursos. A urgência, aparentemente, é a de se alinhar com a Europa na organização dos estudos. E se imitássemos a Europa na qualidade das instalações universitárias?

Mesquinharia financeira

A organização de conferências se tornou, para os professores encarregados, uma cansativa caça a financiamentos, um exercício de preenchimento de quilos de dossiês

As conferências representam um elemento importante da vida universitária e da difusão dos saberes. Porém, não há mais dinheiro para isso. A organização dessas manifestações e a publicação das atas tornaram-se, para os professores que disso se encarregam, uma cansativa caça por financiamento, um exercício de preenchimento de quilos de dossiês. As coletividades locais ainda concedem algumas subvenções, desde que o tema seja local. Quem quiser organizar uma manifestação internacional, sobre um tema internacional, em uma universidade de província, deverá ter muita imaginação e esperança. Se conseguir, acabará por receber os congressistas ou no camping, ou em hotéis escuros e mal-afamados. Além disso, deverá exigir o pagamento de uma inscrição de seus convidados que, portanto, deverão pagar para trabalhar. O regulamento prevê acomodar um conferencista pelo máximo de 38 euros (cerca de 120 reais, incluindo o café da manhã) e alimentá-lo sem ultrapassar 15 euros (menos de 50 reais). Para os deslocamentos mínimos, quando se trata de participar de uma banca de tese ou de uma comissão, é preciso preencher inúmeros e variados documentos e esperar semanas – às vezes, meses – pelo reembolso. Alguns, cansados de guerra, desistem.

A universidade parece uma casa cuja reforma nunca mais terminará. Todo os anos, ou a cada dois anos, se refaz tudo, arranca-se o carpete, derruba-se uma divisória, acrescenta-se um campanário aqui, um anexo acolá, um andar mais adiante, de tal maneira que ao invés de ter um edifício funcional e habitável, vive-se em uma coisa que não é nada, sempre em vias de cair, equilibrando-se em entulhos.

Cada ministro, cada assessor de ministro acrescenta um dispositivo, inventa uma comissão suplementar, imagina sua pequena reforma, sempre com inúmeras reuniões, assembléias, circulares, relatórios, resumos, avaliações, interpretações e glosas dos textos sagrados, porém pomposos e incompreensíveis, publicados nos diários oficiais. Uma vez tudo terminado, desfaz-se e se recomeça. Mal temos tempo de compreender uma reforma e já estamos na seguinte, em um incessante e monstruoso gasto de energia.

Burocratização

Muitas vezes o professor tem duas possibilidades: ou renuncia a qualquer pesquisa para se dedicar ao ensino e à burocracia, ou anula sua vida pessoal

Ser professor universitário é hoje, antes de tudo, ser um burocrata. A administração central é obcecada pelo controle e pela invenção de novas estruturas. A organização dos estudos, dos exames e da avaliação tornou-se, pelo bizantinismo e contorcionismo, tão complicada que os estudantes não compreendem mais nada e os professores penam para se situarem. Chega-se ao paradoxo de que, sob o pretexto de facilitar os estudos, estes se tornaram opacos. Os meios quase substituíram por completo os fins.

Atualmente, a adequação às normas européias justifica qualquer reforma. Mas não se toca na particularidade do sistema francês com um ensino superior triplo: a universidade, as grandes escolas2 e os Institutos Universitários de Formação de Professores (IUFM). As grandes escolas permitem às elites fugirem da mediocridade universitária; os IUFM, encarregados de formar os futuros professores do primário e secundário, caricaturizam os defeitos da universidade: tornaram-se enormes e arruinadas fábricas burocráticas, onde a energia essencial se perde em reuniões, dossiês e relatórios, onde os estudantes se queixam constantemente (porém, em vão) de receberem ensinamentos quase sempre ineptos, demagógicos e desprovidos de utilidade real.

Carga de trabalho crescente

As universidades foram obrigadas a acolher massas de estudantes incapazes de seguir um curso rudimentar, de redigir um simples texto, ou compreendê-lo

Desde 1981, quando subitamente aumentou a carga horária de ensino em 50%, os professores universitários sofreram sem protestar a invasão das reformas, a multiplicação do número de alunos, a lenta degradação de sua condição de trabalho. Atualmente, na maioria dos casos, um professor universitário deve ensinar, preparar os cursos, corrigir trabalhos, receber os estudantes, participar das bancas de final de semestre, de reuniões de todo tipo, informar-se sobre a nova reforma em andamento e tentar aplicá-la, participar de comissões especiais (relatórios, dossiês, reuniões), de diversas comissões nacionais (idem), orientar teses ou mestrados (às vezes dezenas), participar de suas bancas, preencher inquéritos, relatórios e dossiês sobre tudo ou qualquer coisa, assumir tarefas administrativas – dirigir, por um ano, um departamento, uma Unidade de Formação e Pesquisa (UFR), um órgão da universidade, conselhos científicos ou de administração, conselhos de estudos e da vida universitária (CEVU), dar pareceres sobre exames e dossiês, presidir bancas de baccalauréat3, dirigir centros de pesquisa, revistas, coleções (portanto, examinar manuscritos), assistir a seminários e conferências, ou organizá-los, e ainda, se lhe sobrar algum tempo, ser um pesquisador, o que quer dizer, ir à biblioteca, escrever livros ou artigos. Freqüentemente ele se encontra diante de duas possibilidades: ou renuncia a qualquer pesquisa para se dedicar ao ensino e à burocracia, ou anula sua vida pessoal.

O sistema não concebe que um professor secundário ou universitário disponha de tempo. Nem mesmo concebe esse ingrediente necessário à reflexão que é a liberdade. Um pesquisador já não pode pesquisar sozinho ou com colegas de sua escolha; deve se integrar em equipes (outras pequenas máquinas administrativas) e seus programas de pesquisa, ou morrer. Se é normal oferecer tal possibilidade, é absurdo torná-la uma obrigação. Nada melhor para matar radicalmente qualquer veleidade de originalidade.

Ora, pela falta de tempo livre dedicado à reflexão e ao trabalho de longo prazo, há uma figura da sociedade francesa que está em vias de desaparecer: o intelectual. Quem poderá fazer o que a administração não previu e planejou que o fizesse? Quem poderá, ainda, se dedicar a escrever um grande romance, um ensaio importante? A proliferação burocrática está substituindo o intelectual ou o criador pelo pedagogo e o funcionário público. Teremos a vida cultural que as reformas do ensino nos têm preparado.

Diplomas desvalorizados

O sistema inteiro, desde o primário, confunde qualidade e quantidade. Regozijam-se com uma melhoria estatística que não corresponde a competências reais

Com o enorme aumento de seus ingressos, a universidade confrontou-se com um enorme número de reprovações no primeiro ano. Os reformadores recusam-se a admitir que esse fracasso se deve às profundas lacunas dos estudantes, herdadas do ensino primário e secundário, e que todo o sistema está sendo questionado. Não se trata de pretender que o “nível abaixou”, nem que os estudantes são, globalmente, incompetentes. Mas qualquer professor do ensino superior sabe perfeitamente que as universidades foram obrigadas a acolher massas de estudantes incapazes de seguir um curso rudimentar, de redigir um simples texto, ou compreendê-lo.

Isto foi feito de tal modo que estudantes com nível de incultura terrível, que não dominam nem a sintaxe, nem a ortografia, nem o vocabulário, podem obter o diploma de acesso à universidade. Segundo as autoridades, acompanhadas por um excesso de jornalistas especializados, a solução seria reorganizar os exames, as disciplinas e as práticas de ensino.

Explicação e simplificação

Primeiramente exigiu-se que os professores universitários fossem mais pedagogos. O que é, por obsessão pedagógica de princípio, ignorar a realidade do ensino. O mandarim que profere seu discurso sem tentar fazer-se compreender tornou-se uma espécie rara. Há muito tempo que os professores universitários explicam, simplificam. Mas há um grau de simplificação que provoca a perda de todo o conteúdo e qualquer significação do que se queira ensinar.

Depois, os primeiros ciclos universitários foram quase completamente esvaziados de qualquer especialização e os exames foram planejados para que as notas ruins fossem compensadas ao máximo. Atualmente, um estudante de letras que não saiba conjugar um verbo do terceiro grupo, que ignore os rudimentos de qualquer cultura literária ao confundir Hugo e Zola, a revolução francesa e o surrealismo, apesar de todos os esforços “pedagógicos”, pode esperar ter seu diploma de estudo universitário geral (DEUG) em letras cursando informática, esporte, técnica de expressão e a opção cinema.

Cada vez mais se confere maior peso à teoria do ensino, em detrimento do conteúdo. Esse sistema formará professores plenos de didática e de psicologia infantil

Depois avaliou-se - outra idéia genial - que o fracasso seria devido a uma má orientação na escolha do curso. Foi novamente necessário fazer malabarismos com os horários e a organização dos estudos, para preparar as mudanças de cursos e a passagem entre uma universidade e outra. Todavia, aparentemente, o fracasso maciço provém das lacunas de base que provocam problemas tanto em geografia, como em filosofia, em inglês ou em psicologia. “Semestralizaram-se” os estudos para acompanhar a Europa (ou seja, duplicaram-se os períodos de exame). Dito de outro modo, os jovens que saem do ensino médio, que nada sabem da universidade, têm 12 aulas, ao invés de 24, antes de se submeterem ao exame. Também aqui, dá para imaginar como essa medida irá diminuir os índices de reprovação.

Ilusão demagógica

O ensino tornou-se, em grande parte, assistencial. É preciso retomar todas as bases: como tomar notas, como utilizar uma biblioteca, como fazer uma frase, como conjugar um particípio. Multiplicam-se as bengalas, tutores, recuperações, cursos de metodologia. Evita-se ao máximo ensinar a disciplina em si. Inventa-se a cada ano o novo artifício que permitirá melhorar os números. O resultado dessas contorções permanentes para obter, a qualquer preço, bons índices de aprovação é a criação de uma gigantesca ilusão.

O sistema inteiro, desde o primário, confunde qualidade e quantidade. Regozijam-se com uma melhoria estatística que não corresponde a competências reais. Cada vez mais os jovens prolongam seus estudos em uma universidade que não tem outros caminhos a lhes oferecer. Os diplomas estão desvalorizados pela demagogia que tende a excluir qualquer seleção e oferecem poucas perspectivas profissionais claras, ao menos nas carreiras generalistas. Permanecem os concursos e aí, a seleção perdura, é claro. E as grandes escolas ficam com a parte do leão. Obrigatoriamente, os jovens serão levados a becos sem saída.

Quanto ao IUFM, este oferece a muitos estudantes a perspectiva de se tornarem professores do ensino fundamental, se passarem no concurso. Cada vez mais se confere maior peso à teoria do ensino, em detrimento do conteúdo. Esse sistema formará professores plenos de didática e de psicologia infantil. Não serão melhores pedagogos: estarão prontos a fazer a animação e a perpetuar a enganação que articula todo o sistema; mas, que pena!... serão incultos. E tudo recomeçará, desde o início.

(Trad.: Teresa Van Acker)

1 - N.T.: Os agrégés são professores graduados que, mediante um concurso nacional (PRAG), podem ministrar cursos no ensino médio e em algumas áreas na universidade.
2 - Grandes écoles : É cole Politechnique.. École Pratique de Hautes Études..(N. T.)
3 - Baccalauréat é o sistema de ingresso na universidade.(N. T.)




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