Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


Rede Social


Edição francesa


» Une ambiguïté fondamentale

» Le langage de la violence

» Quand la foi devient un enjeu politique

» Poids démographique des grandes religions

» Aux origines du soutien soviétique à Israël

» En Inde, les tribus courtisées par les nationalistes

» Le Bénin carbure à la contrebande

» Fulgurance de Tadeusz Kantor

» Les filles marginalisées

» Impérative transition vers une société du temps libéré


Edição em inglês


» The digital economy

» June: the longer view

» ‘Intelligence sources say'

» Belgium's role in Rwandan genocide

» Calabria's anti-mafia trial

» China consumes Gambia's waters

» Is an Asian NATO imminent?

» Istanbul, home to the new Arab world

» Colombia's growing repression

» India's second wave


Edição portuguesa


» Edição de Junho de 2021

» O jornalismo no novo negócio dos "media"

» Um povo de pé

» Na morte de Carlos Santos Pereira (1950-2021)

» Documentar o drama balcânico

» Recensão a "A Grande Guerra pela Civilização" (Robert Fisk)

» As feridas abertas da Guerra Civil

» Do bom uso do terror

» Srebrenica: a tragédia e a farsa

» NATO imune ao urânio empobrecido


IMIGRAÇÃO

“Condenados da terra”

Imprimir
enviar por email

Ler Comentários
Compartilhe

No final do século XIX e início do século XX, os estrangeiros que emigravam para a França foram vítimas de uma discriminação – principalmente, devido à escassez de emprego – que muitas vezes resultava em violência e mortes

Emmanuelle Fleury - (01/10/2003)

n t

Em Marselha, em 1881, cerca de 300 operários franceses atacaram imigrantes italianos. O balanço foi trágico: 50 mortos e 150 feridos

Muitos jovens franco-magrebinos se consideram como os principais “condenados da terra”. Por mais duro que seja seu destino, não é análogo ao calvário vivido por tantos estrangeiros que foram morar na França nos séculos XIX e XX. A ponto de, como destaca o historiador Gerard Noiriel2 , a maioria ter preferido migrar para regiões mais acolhedoras, mostrando assim seu ressentimento.

Marselha, 1881: os trabalhadores italianos são alvo de verdadeiros tumultos. A violência atinge o paroxismo em 1893, em Aigues-Mortes, local em que cerca de 300 operários franceses atacaram os imigrantes transalpinos. Balanço, segundo o Times: 50 mortos e 150 feridos.

Nesse meio tempo, em 1892, mineiros da região Nord-Pas-de-Calais atacam seus colegas belgas, que representam 75% da mão-de-obra. Muitos deles são obrigados a fugir da terra que os acolheu.

Continua hostilidade contra imigrantes

No final da década de 30, a França “acolheu” meio milhão de espanhóis anti-franquistas: foram amontoados em campos de concentração no sul do país

Paris, 1894: começa o caso Dreyfus. Nessa França, que foi a primeira emancipar os judeus, cortejos iriam percorrer as cidades, beirando freqüentemente o pogrom, conta Pierre Birnbaum no livro Le Moment antisémite. Meio século mais tarde, os judeus iriam sofrer o anti-semitismo de Estado: mais de 75 mil deles (num total de 330 mil) seriam deportados e somente 2.500 voltariam...

Anteriormente, a França “acolheu” cerca de meio milhão de republicanos espanhóis que fogem dos exércitos franquistas vitoriosos. A metade ficaria amontoada atrás do arame farpado dos campos de concentração do sul da França, antes de ser reunida nos grupos de trabalhadores estrangeiros (GTE), implementados em 1940 – “uma versão moderna da escravidão organizada3 ”.

Se a hostilidade contra os imigrantes e seus descendentes já não tem o caráter funesto do passado, nem por isso ela desapareceu. E, como por um revide da guerra da Argélia, os árabes são, na França, suas primeiras vítimas. Mas não são as únicas: além da violência contra os judeus provocada pela segunda Intifada, também os ciganos pagam o preço: o ministro da Habitação ainda lhes está prometendo, 13 anos depois, a aplicação da lei que deveria lhes garantir albergues de recepção4 ...

(Trad.: Regina Salgado Campos)

n t

1 - Fleury faz uma alusão ao livro de Frantz Fanon, Les damnés de la terre, traduzido por Condenados da terra.
2 - Gérard Noiriel, « Petite histoire da l’intégration à la française », Le monde diplomatique, fevereiro de 2002.
3 - Ler, de Louis Stein, Par delà l’exil et la mort. Les républicains espagnols en France, ed. Mazarine, Paris, 1981
4 - Discurso de Gilles de Robien em 27 de agosto de 2003.




Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» França
» Migrações
» Imigrantes e Cidadania
» Racismo

Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos