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UM ’NOVO MILAGRE’

A Tailândia evitou o pior

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Um ano antes do prazo, graças à rápida reconstituição de suas reservas monetárias, o país quitou, no início de agosto, sua dívida com o FMI e seu primeiro-ministro jura que eles nunca mais se tornarão “vítimas das forças do capital estrangeiro”

Philip S.Golub - (01/10/2003)

n t

O país que parecia condenado no mínimo a longos anos de austeridade são – alcança índices de crescimento próximos aos dos anos do “milagre”: quase 6% em 2003

Símbolos de uma economia à beira do abismo no final da década de 90, as ruínas dos prédios cuja construção foi suspensa por ocasião da grave crise financeira de 1997-1998 apodrecem lentamente no clima úmido e abafado de Bangkok. A alguns minutos a pé do luxuoso hotel Oriental, situado às margens do rio Chao Praya, e da embaixada da França, uma carcaça de cerca de trinta andares de concreto domina o horizonte. Ninguém lhe presta atenção, assim como às dezenas de outras ruínas disseminadas pelo centro e pela periferia da capital tailandesa: atualmente, aqueles vestígios insólitos fazem parte do passado. Ao lado dos escombros, os guindastes reapareceram no céu de Bangkok.

Na Tailândia, a tão temida volta às condições que antecederam o “milagre” não ocorreu. É verdade que a situação social continua muito difícil, mas a economia reagiu e o país – que parecia, na melhor das hipóteses, condenado a longos anos de austeridade e, na pior, a uma longa depressão – alcança índices de crescimento próximos aos dos anos do “milagre”: quase 6% em 2003, segundo as estimativas. Graças à rápida reconstituição de suas reservas monetárias, o país quitou, no início de agosto, sua dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A proeza do acerto, um ano antes do prazo, foi saudada pelo primeiro-ministro, Thaksin Shinawatra, que jurou que “a Tailândia nunca mais [seria] vítima das forças do capital estrangeiro”.

Nacionalismo econômico

O governo se esforçou para se libertar das pressões externas estimulando a demanda interna, protegendo os setores estratégicos e incentivando as empresas nacionais

Pode parecer surpreendente este nacionalismo econômico por parte de um país conservador que, até bem pouco tempo atrás, era considerado um exemplo bem-sucedido da liberalização global. Mas, como disse Philip Bowring1 , ele reflete a rejeição do Consenso de Washington – não só na Tailândia, mas também em outros países. A Malásia, por exemplo, conseguiu se manter à margem da crise adotando medidas de controle de capitais logo no início. Sua economia revelou índices de crescimento respeitáveis nos últimos cinco anos (projetado em 4,5% para 2003).

Nos últimos dois anos, e com algum êxito, o governo tailandês se esforçou para se libertar das pressões externas estimulando a demanda interna, protegendo os setores estratégicos e incentivando as empresas nacionais. É nesta última área que os resultados se mostraram mais convincentes, pois conseguiu conservar o controle sobre os setores de energia, transportes e telecomunicações, ainda que Bangkok tivesse assinado com o FMI, em 1998, um protocolo que previa sua privatização total, ou parcial, em 1999. Quatro anos depois, nenhum desses setores foi privatizado.

Num prazo mais longo, o país – cujas exportações envolvem um espectro específico de produtos (principalmente, componentes vinculados às tecnologias da informática e da comunicação) – terá que diversificar sua economia para reduzir esta dependência, aumentando a renda e o consumo internos. Uma tarefa que a Tailândia acaba de começar.

(Trad.: Jô Amado)

n t

1 - Ler, de Philip Bowring, “A Signal From Thailand”, International Herald Tribune, Paris, 7 de agosto de 2003.




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