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Fórum Social Mundial: de Paris a Porto Alegre

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Bernard Cassen retrata o nascimento dos fóruns sociais mundiais que vieram coroar um movimento nascido com o “grito de Chiapas” e que desembocou em Porto Alegre, desenhando uma nova cartografia internacional das lutas pela emancipação humana

Emir Sader - (01/11/2003)

O Fórum Social Mundial (FSM) deveria ser realizado na periferia do capitalismo – em alguma parte do mundo “globalizado”, e não nos países “globalizadores”

Tudo (re)começou, mas não em Porto Alegre1 e, sim, em Paris, onde tudo terminara. Foi, efetivamente, na capital francesa que Bernard Cassen recebeu, em fevereiro de 2000, a visita de dois diretores de organizações não-governamentais brasileiras que lhe fizeram a proposta de organizar um Fórum anti-Davos. O então presidente do Attac na França reagiu favoravelmente à idéia, porém imprimindo-lhe características que se tornariam o núcleo central do movimento que estava em vias de nascer: o Fórum Social Mundial (FSM) deveria ser realizado na periferia do capitalismo – em alguma parte do mundo “globalizado”, e não nos países “globalizadores”. No Brasil, por exemplo, devido ao peso que tinha a esquerda neste país e, mais precisamente, em Porto Alegre, devido à notável e singular experiência de uma política pública: a do orçamento participativo.

Era a oportunidade de reatar a teia rasgada cerca de quinze anos antes, quando o presidente François Mitterrand, empenhado na consolidação da hegemonia liberal com a dupla Reagan-Thatcher, optou por se alinhar às novas tendências dominantes, abandonando o papel histórico da esquerda francesa, de solidariedade e aliança com os movimentos da periferia do capitalismo. Os futuros fóruns sociais mundiais iriam reativar os vínculos entre os movimentos do centro e da periferia do sistema, desenhando, dessa maneira, uma nova cartografia internacional das lutas pela emancipação humana.

Bernard Cassen faz o inventário dos avanços dos fóruns e dos problemas a serem ainda resolvidos para passar da “acumulação primitiva” para a “reprodução ampliada”

Em seu livro, Bernard Cassen narra na primeira pessoa o nascimento dos fóruns sociais mundiais que viriam coroar um movimento nascido com o “grito de Chiapass”, em janeiro de 1994, prosseguindo em Seattle, cinco anos depois, e desembocando em Porto Alegre, em janeiro de 2001. Um processo que o autor qualifica, corretamente, como de “acumulação primitiva” da construção de um modelo alternativo à hegemonia neoliberal e para o qual o Attac e o Monde diplomatique – cada um à sua maneira – seriam referências básicas fundamentais. Foi deles que nasceram expressões – como a luta contra a “ditadura dos mercados”, ou “Um outro mundo é possível” (título de um artigo de Ignacio Ramonet, em maio de 1998) – que, longe de serem meros slogans, passaram a fazer parte da identidade do próprio movimento.

Bernard Cassen faz o inventário dos avanços dos fóruns e dos problemas a serem ainda resolvidos para passar da “acumulação primitiva” para a “reprodução ampliada”. Entre esses problemas, alguns são o do poder das instâncias do FSM, o da representatividade dos movimentos participantes, o da exclusão dos partidos políticos de um processo que não pretende se limitar à chamada “sociedade civil”, o dos conceitos de liberalismo, antiestatismo, antipartidarismo ou antipolítica. O livro de Bernard Cassen é, desde já, um instrumento de referência para todos aqueles que, na luta por um outro mundo (ou, para retomar a expressão do subcomandante Marcos, “por outros mundos possíveis”), pensam que esta deverá ser uma luta consciente, organizada e travada por coalizões da maior amplitude possível.

(Trad.: Jô Amado)

1 - Ler, de Mohammed Larbi Bouguerra, Les Batailles de l’eau. Pour un bien commun de l’humanité, col. “Enjeux Planète”, Edições do Atelier e Edições Charles Léopold Mayer, Paris, 2003; e L’Eau, res publica ou marchandise, org. Riccardo Petrella, ed. La Dispute, Paris, 2003.




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