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DOSSIÊ ENERGIA

O álibi político das utopias tecnológicas

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Para conjurar nossos pesadelos, muito mais do que novos encantamentos e novos profetas, é da escolha de uma sociedade o que necessitamos, atacando, desde já, nosso modo de vida e de consumo

Benjamin Dessus - (01/01/2005)

Se quisermos evitar a catástrofe, a ação com a qual devemos nos comprometer para lutar contra a mudança climática é de absoluta urgência

Petróleo a 50 dólares o barril, reaquecimento climático, alerta ao terrorismo nuclear, poluição das cidades: todos os alertas energéticos estão no vermelho. Então, como em todos os períodos de crise aparecem os novos profetas que, por menos que os escutemos, afirmam que nos salvarão do desastre anunciado. Evidentemente é na ciência e na tecnologia que encontram sua inspiração. Da fusão termonuclear controlada aos abrigos subterrâneos contra o gás carbônico emitidos por nossas centrais a carvão, da “civilização do hidrogênio” aos satélites solares, os novos gurus e seus adeptos nos propõem uma ampla panóplia de “soluções” para o problema mundial da energia.

Os zeladores dessas soluções, mais ou menos verossímeis do ponto de vista das leis da física, lhes atribuem algumas características evidentemente sedutoras:
- uma capacidade potencial para resolver, definitivamente ou quase, por séculos senão pela eternidade, os problemas energéticos crescentes aos quais a humanidade se verá em confronto;
- uma total inocuidade ambiental, a ínfima probabilidade de ocorrência e a benignidade dos acidentes que poderiam eventualmente decorrer;
- o baixíssimo custo, desde que sejam transpostas as etapas indispensáveis da demonstração da factibilidade e do desenvolvimento industrial.

Resta, é claro, encontrar os recursos financeiros para transpor essas etapas. Porém, levando-se em conta a amplitude do desafio, isso não passa de uma gota d’água já que, no espaço de 30 a 100 anos, segundo as tecnologias propostas, a humanidade estará definitivamente a salvo de qualquer preocupação energética. Como não se ficar convencido com essas perspectivas entusiasmantes?

Custo energético do ITER

Para obtermos os hectares necessários de floresta na África, na América Latina e na Ásia é imperativo que seus rendimentos agrícolas atinjam valores comparáveis aos europeus

Como quase todo mundo admite, sem discussão, a amplitude dos desafios em questão, o debate é focado nas chances de sucesso, sobre os prazos, sobre os custos de realização, até mesmo sobre o país que terá a vantagem e a honra de ver implantados em seu solo os primeiros protótipos. É o caso, atualmente, do International Thermonuclear Experimental Reactor (ITER), o famoso projeto de fusão nuclear: ante a recusa dos Estados Unidos e do Japão em participarem da aventura, o governo francês acaba de propor duplicar seu aporte inicial de 457 milhões de euros para o financiamento do reator Cadarache. Essa soma de 914 milhões de euros representa, no ritmo atual, mais de trinta anos de financiamento da pesquisa realizada na França sobre as energias renováveis.

Por outro lado, ninguém, na França, parecer ter se perguntado, nem por um instante, porque o Japão e os Estados Unidos, implicados nesse projeto desde sua origem o deixariam na surdina. Ora, é aí que se situa o problema! É bom calcular as chances de sucesso, mas é ainda mais importante analisar suas conseqüências. Para realizar a reação prevista no ITER é preciso provocar a fusão de dois átomos: um de deutério, encontrado em pequena quantidade na água do mar, o outro de trítio, não encontrável na Terra e que se pretende produzir a partir do lítio. Obtém-se pela fusão do hélio e dos nêutrons de grande energia que depois precisam ser captados e transformados em calor para produzir vapor ou gás em alta temperatura. Após esse processo é preciso pôr tudo isso em uma turbina, expandi-los para, enfim, produzir eletricidade. Mas com qual custo energético? As publicações dos defensores desse projeto são mudas sobre essa questão crucial.

Omite-se, desse modo, que tal reator produz nêutrons dez vezes mais poderosos que os dos reatores de fissão. Eles fragilizarão e usarão muito rapidamente as paredes de revestimento do reator, que precisarão ser substituídas regularmente. A cada operação de substituição das paredes (um quinto a cada ano) deve ser descarregada uma massa de materiais utilizados cuja radioatividade será da ordem de grandeza da que existe em um coração das atuais centrais atuais à fissão. Evita-se, cuidadosamente, o debate sobre os meios de prevenção contra os riscos de proliferação engendrados pelo trítio, componente muito apreciado em pequenas doses (alguns gramas) de bombas atômicas “modernas”.

Em caso de “sucesso”, vê-se que a solução proposta pode suscitar questões ainda mais terríveis do que as já colocadas: as do provimento mundial de energia. Acima de tudo, ninguém imagina uma difusão em massa da tecnologia de fusão antes do final do século, quando, se quisermos evitar a catástrofe, a ação com a qual devemos nos comprometer para lutar contra a mudança climática é de absoluta urgência.

O uso complicado do hidrogênio

Para que esse cenário, é necessária a forte intensificação da agricultura dos países em vias de desenvolvimento, o que tem efeitos perversos sobre o emprego dos camponeses

O que será do hidrogênio e das baterias? Com certeza a pesquisa permitiu progressos importantes nos últimos dez anos. Hoje, as baterias transformam o hidrogênio em eletricidade com rendimentos bem superior aos dos motores à gasolina: 60% contra 35% - 40%, para os últimos. Porém, esquece-se, na maior parte do tempo, de lembrar que o hidrogênio não existe em estado livre na natureza e que é preciso extraí-lo quer seja de hidrocarburetos, quer seja da água. Isso acarretará gastos de energia, grandes gastos e, portanto, novos problemas.

Tomando o metano como ponto de partida, por exemplo, obteremos hidrogênio com um rendimento da ordem de 60%: consumindo-se, portanto, um recurso fóssil que se queria economizar, de um lado, e de outro, a reação desprende o gás carbônico que queremos evitar. É preciso gastar, em média, 5 kWh de calor para obter 1 m³ de hidrogênio, que fornece, por sua vez, 3kWh de calor por combustão ou 1,8 kWh de eletricidade em uma bateria. Tomando a água como ponto de partida, o mais simples é decompô-la com eletricidade por meio eletrólise a fim de separar o oxigênio do hidrogênio. Porém, com as técnicas atuais é preciso 5kWh de eletricidade para obter 1 m³ de hidrogênio. A produção de eletricidade necessária, por sua vez, traz perdas.

Se a eletricidade for de origem fóssil, o gasto total de energia por m³ atinge de 7,7 a 9 kWh, com uma emissão associada de 2,4 a 2,8 kg de CO2. Se ela for de origem nuclear, não há emissão de CO2, há, porém, os riscos específicos do nuclear. Se for de origem renovável, ela escapa das duas críticas precedentes, mas deixa em suspenso o problema do rendimento global, da intermitência e da dispersão de algumas de suas fontes (solar, eólica) que se adaptam mal aos procedimentos industriais da fabricação do hidrogênio. Em resumo, o balanço global da operação está longe de ser tão brilhante como querem fazer parecer. Isso não significa que não exista nenhum espaço para a inovação, nichos de utilização se abrirão, com certeza, tanto para o transporte como para a produção descentralizada de energia, porém nos próximos 50 anos eles devem permanecer limitados.

Captação de gás carbônico

A fascinação pelo progresso técnico parece acabar com qualquer senso crítico; o gosto desmesurado pelo “é preciso fazer tal coisa” porém, de preferência, em terras alheias

Ocorre o mesmo problema com a captação e armazenamento, no subsolo terrestre, do gás carbônico (CO2) produzido por centrais térmicas a carvão ou a gás, muitas vezes elas são apresentadas como a solução milagrosa ,ao alcance das nossas mãos, para escondermos a questão da emissão e evitarmos o aquecimento climático sem nos privarmos de energia. Deveríamos poder armazenar uma boa parte do CO2 produzido por essas centrais, mas com a condição de permitir um crescimento do consumo de energias fósseis de 20 a 30% (e portanto, de gás carbônico) necessários para separar do CO2 as fumaças e para o transporte até os poços secos em bacias petrolíferas, onde se planeja armazená-las.

À primeira vista, levando em conta a extensão das necessidades mundiais de eletricidade que serão, provavelmente, satisfeitas a partir de energias fósseis, 20% das emissões acumuladas de CO2, do próximo século (ou seja 10% das emissões totais de gás do efeito estufa) poderiam ser diminuídas por essa técnica caso ela se expandisse, sistematicamente, em nível mundial. Porém quando se examinam as capacidades de armazenamento nos campos petrolíferos (onde há o maior conhecimento, atualmente) é preciso moderar o entusiasmo, por duas razões. A primeira é a localização dos poços. Os mapas das centrais térmicas e dos poços petrolíferos não se superpõem muito bem, salvo em algumas regiões do mundo (os Estados Unidos, por exemplo). A capacidade de armazenamento do Oriente Médio ou da Rússia está distante há muitos milhares de quilômetros dos grandes centros de concentração humana ou industriais europeus ou asiáticos onde serão implantadas a maior parte das centrais.

Países como a Índia ou a China que deveriam multiplicar o número de suas centrais a carvão, dispõem de muito pouca capacidade de armazenamento nos campos de hidrocarburetos em relação a sua emissão de CO2. Além disso, o armazenamento deve respeitar a dinâmica de depleção1 dos poços em atividade. Ao nos darmos conta desses limites, percebemos que a quantidade realmente armazenável de CO2 se reduz juntamente com a contrapartida2 da possibilidade de fazê-lo para cair em torno de alguma porcentagem das emissões acumuladas do século XXI (ou seja trata-se de uma redução ilusória). Certamente, podemos pensar em outros locais de armazenamento como os aqüíferos salinos, os veios de carvão inexplorados ou, mesmo, as fossas oceânicas, porém, nesse caso, continuamos com a incerteza sobre os riscos ambientais associados. Isso não quer, evidentemente, dizer que a captação-armazenamento de CO2 não seja uma boa solução industrial pontual, ela tem, contudo, poucas chances de modificar fundamentalmente o problema da redução indispensável das emissões de CO2 ao longo do século.

Armazenamento pela biomassa

Diante de riscos maiores que podem questionar nosso modo de vida, o que é mais eficaz para o dirigente político do que prometer sair da crise pela ciência e pela técnica?

Último exemplo: o do armazenamento de CO2 pela biomassa. A idéia é simples e não supõe nenhuma revolução tecnológica: replantar florestas em qualquer lugar em que isso seja possível. Enquanto elas crescem o CO2 é armazenado. É claro, que algum dia, após 50 ou 100 anos, será preciso derrubá-las ou terão apodrecido no local. É possível fabricar estruturas ou móveis e continuar, desse modo, a armazenar o carbono por algum tempo, ou, até queimar a madeira. Claro que, novamente, lançaremos CO2 na atmosfera, mas ele será reabsorvido pelo crescimento da floresta e economizaremos os combustíveis fósseis. Todavia, onde pode crescer uma grande quantidade de florestas? Rapidamente percebemos que para conseguirmos as centenas de hectares necessários, particularmente, na África, na América Latina e na Ásia é imperativo que os rendimentos agrícolas dessas regiões atinjam valores comparáveis com os valores europeus.

Para que esse cenário seja significativo no plano mundial é necessária a forte intensificação da agricultura dos países em vias de desenvolvimento. Essa intensificação, contudo, ainda que tenha conseqüências positivas, tem também efeitos perversos sobre o emprego de dois bilhões de camponeses, por exemplo. Torna-se logo evidente que a importância real da solução “armazenamento através de biomassa” depende de considerações que a ultrapassam bastante.

A verdadeira questão

Duas constatações através desses exemplos: a fascinação pelo progresso técnico parece acabar com qualquer senso crítico; o gosto desmesurado pelo “é preciso fazer tal coisa ou tal outra coisa” porém, de preferência, em terras alheias. Os meios de comunicação se apoderam, voluntariamente, dessas utopias, muitas vezes com a cumplicidade dos grandes organismos de pesquisa, felizes em “fazer sonhar” o grande público. Quanto aos políticos, eles deleitam-se. A utopia dos “futuro feliz” lhes serviu, por muito tempo, de trampolim eleitoral. Hoje, na sociedade ocidental, apesar dos progressos consideráveis de segurança, dos quais ela se beneficia em termos de esperança de vida; ao deixarem-se levar pela ansiedade generalizada, talvez seja de nossos pesadelos que esses mesmos políticos se propõem a nos proteger.

Parece mais realista reforçar a pesquisa sobre a fusão nuclear do que incitar a construção de veículos muito mais econômicos e os motoristas a utilizar mais os próprios pés

Então, diante de riscos maiores que podem questionar nosso modo de vida, o que é mais eficaz para o dirigente político do que prometer sair da crise pela ciência e pela técnica, em 50 ou 80 anos? Ele pode até se permitir esboçar um quadro alarmista das catástrofes que nos espreitam e de dar, assim, corpo a nossos piores pesadelos. Porém, é capaz de dar uma resposta conceitualmente simples, com forte conteúdo científico que lhe confere seriedade. E essa resposta permite, por remeter a solução do problema à ciência e aos outros, evitar pôr em causa o modo de vida atual de seus eleitores.

Essa é a verdadeira questão. Pois, mesmo em caso de sucesso, as respostas trazidas pelas novas tecnologias continuarão parciais e bastante atrasadas. Para conjurar nossos pesadelos, muito mais do que novos encantamentos e novos profetas é da escolha de uma sociedade o que necessitamos, atacando, desde já, nosso modo de vida e de consumo, comprometermo-nos com programas sérios de gestão da energia. Em resumo, implicar os cidadãos e os consumidores que somos na reflexão e na ação coletiva.

Isso é claramente mais difícil... É notório pela alta do comércio do petróleo a qual o governo francês reage com total ausência de política econômica energética nos transportes, pela redução das taxas para profissões eleitoralmente sensíveis e pelo o anúncio da duplicação da participação francesa no ITER. Parece-lhe mais realista e mais eficaz reforçar a pesquisa sobre a fusão – para diminuir, em 80 anos talvez, a pressão sobre os carburetos – do que incitar, seriamente e desde já, a construção de veículos muito mais econômicos, o que eles sabem fazer, e os motoristas a utilizar mais os próprios pés ou os transportes comunitários.

(Trad.: Teresa Van Acker)

1 = Redução da importância da reserva de petróleo devido a sua exploração.
2 - Nota do Tradutor: O autor usa o termo “peau de chagrin” que é usado para designar a relação entre a expansão de um recurso e a sua contrapartida, que é diminuição daquilo que tornou possível sua expansão. O tema da finitude dos recursos cuja expansão sempre provoca diminuições é, exatamente, o tema do romance de Balzac, Peau de Chagrin. A definição do dicionário Robert é a seguinte: Peau de Chagrin é a diminuição constante de um bem material ou moral.




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