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Jean Radvanyi - (12/12/2007)

A Assembléia Federal é o órgão representativo e legislativo da Federação Russa. É composta da Duma (câmara baixa, 450 deputados) e do Conselho da Federação (câmara alta, 178 membros). Com a nova lei eleitoral, os deputados da Duma são doravante eleitos pela proporcional integral, mas esta é reservada aos partidos registrados segundo um procedimento muito limitador, únicos habilitados a apresentar chapas. Toda uma parte do quebra-cabeça político, portanto, não estará representada na Duma por não ter podido atender às novas normas de registro. São estes os grandes partidos em cena:

* Rússia Unida (ER, centro-direita). A formação de Vladimir Putin foi criada em 2001 pela fusão dos partidos Pátria, Toda Rússia e Unidade. Boris Gryzlov, atual presidente da Duma, está à sua frente desde 2002. Único grande partido político verdadeiro do país, com mais de 1,5 milhão de filiados, soube agrupar uma grande parte da elite política por trás do presidente russo, permitindo-lhe obter a maioria das cadeiras na Duma (222 cadeiras em 450, com 37,57% dos votos) durante as eleições legislativas de dezembro de 2003.

* Partido Comunista da Federação Russa (KPRF, ex-Partido Comunista da União Soviética). Nascido em 1993 e dirigido por Guennadi Ziuganov, o KPRF é o maior partido de oposição. Conheceu um revés em 2003 ao obter somente 12,61% dos votos (52 cadeiras), ou seja, 11,5 pontos a menos em relação à eleição anterior. Conquistou a prefeitura de Volgogrado (antiga Stalingrado), em maio de 2007, em conseqüência de uma eleição municipal antecipada.

* Partido Democrático Russo (dito “Iabloko”, centro). O partido reformista-liberal Iabloko foi fundado em 1993 por Grigori Iavlinski, Iuri Boldriev e Vladimir Lukin. Favorável, sobretudo, à economia de mercado regulada pelo Estado e à participação na União Européia, é dirigido por Iavlinski. Obteve somente 4,3% dos votos (4 cadeiras) em 2003.

* Partido Liberal Democrata da Rússia (LDPR, ultranacionalista). Dirigido por Vladimir Jirinovski, também vice-presidente da Duma, o LDPR foi criado em 1989 sob o nome de Partido Liberal Democrata da União Soviética. Xenófobo, anti-semita, nostálgico da Grande Rússia, representa hoje a terceira força política do país, atrás de Rússia Unida e do Partido Comunista. Obteve 11,46% dos votos (36 cadeiras) em 2003.

* Rússia Justa (centro-esquerda). Esta formação, constituída em 2006 com as bênçãos do Kremlin, surgiu do agrupamento de três pequenos partidos: Rodina (“Pátria”, uma coalizão de movimentos nacionalistas de esquerda que tinha obtido 9,02% dos votos e 37 cadeiras em 2003), o Partido dos Aposentados e o Partido da Vida. Conduzida por Serguei Mironov, presidente do Conselho da Federação, pretende representar uma força alternativa de esquerda. Rússia Justa obteve 11,6% dos votos na eleição parcial regional de março de 2007, contra 15,7% para o Partido Comunista e 46% para Rússia Unida.

* União das Forças de Direita (SPS). O partido conservador, pró-ocidental, opositor de Putin, apareceu em 1999 a fim de consolidar as múltiplas correntes surgidas dos “jovens reformadores” (Anatoli Tchubais, Boris Nemtsov, Yegor Gaidar etc.). Nikita Belykh foi eleito à sua presidência em maio de 2005. Nas eleições de 2003, o partido sofreu uma pesada derrota (3,97% dos votos, 3 cadeiras), que provocou sua saída da Duma e a demissão de seu líder, Nemtsov, em janeiro de 2004.

* Outra Rússia. Esta coalizão heteróclita instalada em 2006 agrupa diversas correntes políticas – liberais, socialistas, nacionalistas como o movimento de Eduard Limonov – unidas por sua oposição a Putin. O ex-jogador de xadrez Gary Kasparov foi designado como seu candidato à eleição presidencial de março de 2008. Será também um dos três cabeças de chapa do movimento por ocasião das eleições legislativas.

Leia mais:

As duas faces de Putin
A mídia ocidental insiste em enxergar apenas autoritarismo no presidente russo. Mas as verdadeiras fontes de sua imensa popularidade são o recoesionamento do país e a recuperação da auto-estima nacional — duas conquistas reais, que tornam extremamente improvável um retorno à era Yeltsin

O peso da política externa




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