Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Oito teses sobre a Revolução Feminista

» As feridas da Guerra com Paraguai ainda latejam

» A última chance de salvar Julian Assange

» Quando a polícia bandida quer mandar na sociedade

» Zé do Caixão, herói do Cinema Popular Brasileiro

» Poderá Francisco salvar a Economia e o planeta?

» Auschwitz: os portões da memória ainda abertos

» As democracias engolidas e o erro de Piketty

» Eles lutam por todos nós

» Paulo Guedes, o bravateiro velhaco

Rede Social


Edição francesa


» Le numérique carbure au charbon

» Israël-Palestine, entériner l'occupation

» Toulon, la folie des grandeurs

» De l'État d'Assam au sous continent indien, une mosaïque religieuse

» Les échecs de la démocratisation et le lourd héritage de M. Moubarak

» Les paradoxes d'un régime libéré de l'héritage nassérien

» Départ sans gloire pour M. Anthony Blair

» Précurseurs et alliés du nazisme aux Etats-Unis

» Une Internationale… de la santé

» Wal-Mart à l'assaut du monde


Edição em inglês


» Trump's Palestine plan: enshrining occupation

» Religion in India

» Wakaliwood forever

» Copenhagen, cycle city

» Walmart's planned economy

» In the name of the rose

» Serbia's strongman tightens his grip

» The Sanders-media showdown

» The Bernie threat

» Indian citizenship, but not for Muslims


Edição portuguesa


» Edição de Fevereiro de 2020

» O que Donald Trump permite…

» As marcas do frio

» Edição de Janeiro de 2020

» Embaraços externos

» De Santiago a Paris, os povos na rua

» Que prioridades para uma governação mais à esquerda?

» Edição de Dezembro de 2019

» Uma fractura social exposta

» «Uma chacina»


CHÉRI À PARIS / CRÔNICAS FRANCESAS

Paris para crianças

Imprimir
enviar por email
Compartilhe

— Você sabe o que é escargot?
— Não.
— É um caramujo.
— Eca.
— Os franceses comem.
— É por isso que eles fazem aquele biquinho?

Daniel Cariello - (29/04/2008)

— Tem passarinho em Paris?

— Tem muito.

— Eles falam francês?

— Eu acho que já percebi um sotaque.

— E eles voam perto da Torre Eiffel?

— Voam. E perto da Notre Dame também.

— Mas as gárgulas não os comem?

— E você nessa idade sabe lá o que é uma gárgula?

— Vi no Google.

— Então você devia saber que elas estão petrificadas.

— Deve ser cansativo ficar petrificado.

— Elas nem sentem. São obras de arte, como a Mona Lisa.

— A Mona Lisa é aquele quadro de uma mulher?

— Isso mesmo. Ele está em Paris. Tem filas para vê-lo.

— Por quê?

— Porque é o mais famoso do mundo.

— Quando eu crescer eu quero ser famosa e quero que tenha fila pra me ver, mas não quero ser um quadro não.

— E quer ser o quê?

— Presidente da França.

— Pra fazer o quê?

— Pra comer escargot.

— Você sabe o que é escargot?

— Não.

— É um caramujo.

— Eca.

— Os franceses comem.

— É por isso que eles fazem aquele biquinho?

— O biquinho é por causa do sotaque.

— Eu acho bonito o biquinho.

— Eu também.

— Só não quero mais comer escargot.

— Você pode comer pain au chocolat.

— O que é isso?

— É um pão com chocolate.

— Deve ser bom.

— É sim.

— Se eu morasse em Paris eu comeria pão com chocolate o tempo todo.

— Não seria legal pra sua saúde.

— Aí eu tomaria vinho depois. Eu vi na TV que é bom pro coração.

— ...

— Lá tem praia?

— Tem o rio Sena.

— É bonito?

— É. Só não dá pra tomar banho.

— Meu irmão já tinha me falado que francês não toma banho.

— Não é verdade. Todo mundo que eu conheço na França toma banho.

— E você conhece todo mundo na França?

— Não.

— Eu queria viajar pra Paris.

— E o que você iria visitar primeiro?

— A EuroDisney!

— Tem o Parque Asterix também.

— Quem é Asterix?

— É um desenho francês.

— Ele é amigo do Mickey?

— Acho que não.

— Eu prefiro o Mickey.

— Mas o Mickey não fala francês.

— Mas o Pato Donald fala.

— Como você sabe?

— Por causa do biquinho, né?

Mais

Daniel Cariello assina a coluna Chéri à Paris. Também mantém o blog de mesmo nome e edita a revista bilíngüe Brazuca, publicada e distribuída na França e Bélgica. Edições anteriores:

Protesto!
Todo dia tem uma manifestação em Paris, pelos motivos mais diversos. Ontem, esbarrei em uma passeata pelo direito dos cães. Quando cheguei em casa, encucado, comecei a fazer uma lista de possíveis novas campanhas, organizações e movimentos, caso a inspiração dos parisienses acabe um dia

Como falar francês sem falar francês
Quanto boiar completamente, marque um ponto no horizonte e fixe o olhar. Se te perguntarem alguma coisa, arregale os olhos e repita a seguinte frase: "pardon, j’ai été inattentif". Em bom português, "desculpa, estava desatento". Mas nunca peça pra repetir

Pinga ni mim
Eram eles de novo, acompanhados por três policiais. Entraram e pegaram nossos dados. Enquanto um escrevia, os oito restantes ollhavam pra parede. Tinha tanta gente admirando os pingos que tombavam, como se fosse uma instalação, que se eu abrisse umas cervejas pareceria um vernissage

Alô, Hugo
— É o Hugo, mexicano?
— Não. É o Daniel, brasileiro.
— Mas você fala espanhol? (...) Que estúpida eu sou. Você fala brasileiro, né?
— Também não.

A Terceira Guerra Mundial
O argelino suava. Sua hegemonia estava em jogo. Se tivesse razão, teria o ego tão inflado que voltaria voando pra casa. Se estivesse errado, perderia o posto de professor de Deus, que ele mesmo se concedera. A russa só ria, mostrando sua milionária arcada dentária para a turma

Procura-se pão francês
— É o pão do dia-a-dia no Brasil.
— E vocês o chamam de pão francês? Olha, acho que ele não existe na França.
— Quer dizer que temos sido enganados esse tempo todo?
— Lamento te revelar isso assim, de sopetão.



Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» França
» Cultura
» Literatura
» Chéri à Paris


Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos