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LEGIÃO ESTRANGEIRA

Legionários são heróis na França

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Desde 1831, quando o exército mercenário foi criado pelo rei Luís Felipe, mais de 35 mil de seus membros já morreram, em dezenas de batalhas mundo afora

Maranúbia Barbosa - (19/05/2008)

Se quiser pisar nos calos de um francês, experimente chamar os legionários de mercenários ou de vira-casacas. Esses soldados estrangeiros são considerados filhos da França, não por laços biológicos, mas pelo sangue que derramaram em nome dessa nação européia, conforme bordão propagado dentro da própria Legião. Desde 1831, quando esse exército foi criado pelo rei Luís Felipe, mais de 35 mil legionários já morreram, em dezenas de batalhas mundo afora.

Dentre todos os conflitos, nenhum ficou mais célebre do que o de Hacienda Camarone, no México. No dia 30 de abril de 1863, uma patrulha composta por 62 legionários e três oficiais, liderada pelo lendário capitão Danjou, enfrentou três batalhões de infantaria e cavalaria mexicanos. Do confronto desigual restaram somente três legionários. Acuados, armados apenas com baionetas, eles continuaram dispostos a lutar até o fim, sem nenhuma intenção de se render. Impressionados com a bravura dos soldados, os mexicanos liberaram a saída deles, que só aceitaram com a condição de resgatar o corpo de Danjou e a bandeira da Legião. O chefe dos mexicanos teria dito: "Eles não são soldados, são demônios."

Os despojos do capitão Danjou foram levados à França, sendo que a mão de madeira do oficial (ele usava uma prótese desde que fora mutilado em uma batalha) é exposta todo ano no museu da Legião, em Aubagne.

Depois de Haciendas Camarone, os legionários já lutaram em todos os principais conflitos armados da era contemporânea, entre os quais a guerra da Argélia, da Indochina, as duas guerras mundiais, Somália, Ruanda, Congo, Iugoslávia, Afeganistão, e muitos outros. Reputados, sobretudo, pela coragem e lealdade, os legionários seguem à risca os sete artigos do código de honra: servir, honrar e ser fiel à França; ser solidário aos companheiros; respeitar as tradições, a hierarquia e a disciplina; portar a farda com elegância; não descuidar da forma física; executar a missão até o fim, mesmo que isso custe a própria vida; não deixar que a paixão e o ódio lhe subam à cabeça, respeitar os inimigos vencidos, não abandonar jamais os companheiros mortos, nem os feridos, e muito menos as armas.

Segundo pesquisas divulgadas pela própria Legião Estrangeira, os soldados que se alistam procuram sobretudo uma ruptura com o passado. Cerca de 80% dos recrutas têm problemas de ordem social ou familiar, e só 20% são motivados por ideais. A Legião tem um índice baixíssimo de delinqüência, se comparado ao exército oficial francês. O índice médio é de 0,08% (199 delitos), contra 0,61% do efetivo oficial.

A Legião Estrangeira é composta por 10 regimentos: sete locados em território francês; um instalado em Kourou (Guiana Francesa), um em Mayotte (ilha francesa), e outro em Djibuti, na África.

Mais:

Mercenários brasileiros na Legião Estrangeira
Atraídos por salários, a chance de apagar o passado e aventuras, dezenas de brazucas alistam-se, todos os anos, no legendário exército de aluguel francês. Nossa repórter conseguiu deles revelações sobre a condição de soldados de um pátria alheia, em missões cujo sentido desconhecem

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Ex-sargento do exército brasileiro, Luís da Costa, já lutou pelos interesses da França em dois países africanos



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