Jornalismo Crítico | Biblioteca e Edição Brasileira | Copyleft | Contato | Participe! |
Uma iniciativa


» Geopolítica das próximas Guerras pela Água

» Uma caminhada na cidade dos não-confinados

» O dinheiro que não existia reaparece

» Bolsonaro recuou. Por quê?

» China: as lições da pandemia e o depois

» Brasil: a insanidade vai muito além de Bolsonaro

» Vigilância em tempos de educação à distância

» Todos escrevem ao Presidente

» Mapas do coronavírus: desafios e direções

» Três medidas de emergência contra a crise social

Rede Social


Edição francesa


» Le refus de Sartre

» Une guerre tous azimuts

» Parrain privé, chaîne publique

» « Big Pharma », ou la corruption ordinaire

» Ravages cachés du sous-emploi

» Quand l'OMS épouse la cause des firmes pharmaceutiques

» Les confidences de M. Tietmeyer, architecte de l'euro

» Des services publics garants de l'intérêt général

» La citoyenneté au bord du gouffre

» À nos lecteurs


Edição em inglês


» To our readers

» Bangsamoro: Philippines' new Muslim-majority region

» Artist and filmmaker

» Looking without blinking

» Politics of city diplomacy

» The return of the city-state

» Philippines revives self-rule for Bangsamoro

» Marawi, the Philippines' ruined city

» Impasse in Morocco

» And now get lost, France!


Edição portuguesa


» Edição de Março de 2020

» Um Brexit para nada?

» A precariedade não é só dos precários

» Edição de Fevereiro de 2020

» O que Donald Trump permite…

» As marcas do frio

» Edição de Janeiro de 2020

» Embaraços externos

» De Santiago a Paris, os povos na rua

» Que prioridades para uma governação mais à esquerda?


LITERATURA

Uma simples pergunta ou um profundo questionamento?

Imprimir
enviar por email
Compartilhe

A literatura me atraiu porque nela encontrei histórias distintas, personagens mais humanos do que os reais, mundos que talvez eu nunca alcance

Renata Miloni - (28/06/2008)

Muito se reclama sobre a freqüência com que a seguinte questão é levantada: por que se escreve? Num primeiro instante, tal pergunta pode ser apenas um clichê ecoado. Mas e se analisarmos? Talvez existam nela intenções muitas vezes nobres que, infelizmente, são encobertas por apontamentos contrários, quase sempre em maioria.

Quando algo assim é perguntado à exaustão, com as devidas exceções, tudo se resume a uma efêmera curiosidade? Será toda curiosidade efêmera ou é possível não se satisfazer com uma simples resposta?

A literatura me atraiu porque nela encontrei histórias distintas, personagens mais humanos do que os reais, mundos que talvez eu nunca alcance. E com ela aprendi o que é autenticidade, mesmo que pela contramão. Mas nela me mantive porque sempre desperta questionamentos e neles a fonte de alimento é infindável.

Os escritores escrevem porque querem, porque precisam, porque gostam. Mas há aqueles que o fazem principalmente para ler. Eles provavelmente partem de um princípio um pouco complicado de lidar, tamanha a urgência que têm das palavras. Seria um outro tipo de alimento, talvez para o ego, talvez o mesmo?

Creio que quando um escritor chega ao ponto de ter em seu próprio livro aquele que gostaria de ler, o ego não é um dos primeiros sintomas a se manifestarem — apesar de, em outros casos, o ego ultrapassar tudo isso e resultar em uma literatura estagnada.

Faço referência aos que escrevem para ler não por quantidade, mas porque vêem neles mesmos mundos ainda inéditos. Sim, as pessoas que insistem em dizer que tudo já foi escrito (eu também digo às vezes, mas tenho lá minhas dúvidas) talvez sejam as mesmas a afirmarem que todos somos diferentes (caso contrário, o exercício da individualidade [1], por exemplo, não teria razão de existir).

O intuito não é se satisfazer, agradar leitores ou se expressar. Trata-se da leitura em forma plena, a possibilidade de ser alheio a si mesmo enquanto escreve, para se encontrar com surpresa nas palavras que, de certa forma, não partiram de sua consciência — talvez de uma outra freqüência dela.

Talvez alguém que decide perguntar a um escritor qual o motivo de escrever não entenda exatamente a importância do assunto, inclusive quem resolve escrever sobre isso (como agora). Não sei se é certo um escritor se perguntar todos os dias por que fez essa escolha. Mas também não é errado que assim se questione de vez em quando. E que desse questionamento nasçam diversos outros mais detalhados.

É uma pergunta que não traz nem impede a "inspiração" e jamais vai mudar qualquer aspecto ou rumo da literatura. Só que, ainda assim, tem algo de saudável se entregar a essa pequena indagação e até se revoltar contra ela. E a palavra, mesmo que freqüentemente maltratada, estará disponível e disposta, logo ali.



[1] Leia mais

Fórum

Leia os comentários sobre este texto / Comente você também

BUSCA

» por tema
» por país
» por autor
» no diplô Brasil

BOLETIM

Clique aqui para receber as atualizações do site.

Leia mais sobre

» Cultura
» Literatura
» Seção {Palavra}


Destaques

» O planeta reage aos desertos verdes
» Escola Livre de Comunicação Compartilhada
» Armas nucleares: da hipocrisia à alternativa
» Dossiê ACTA: para desvendar a ameaça ao conhecimento livre
» Do "Le Monde Diplomatique" a "Outras Palavras"
» Teoria Geral da Relatividade, 94 anos
» Para compreender a encruzilhada cubana
» Israel: por trás da radicalização, um país militarizado
» A “América profunda” está de volta
» Finanças: sem luz no fim do túnel
Mais textos