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Comentários sobre esse texto:

Prouni: qualidade é democracia

Vou contar um pouco da minha história, era babá e sempre estudei em escolas públicas, quando prestei vestibular pela primeira vez vi que não estava preparada para essa grande concorrência que é o vestibular, a meritocracia tornou os bons descartáveis, os ótimos ruins e apenas quem presta são o s excelentes os fenomenais, esse tipo de concorrência se tornou desumana, uma coisa fora do normal, há exames de vestibulares que nem os maiores estudiosos de nossa sociedade conseguem passar. Será que vocês acham mesmo que quando o ensino público estiver em pé de igualdade com os ensinos privados será diferente? Creio que os excelentes e os fenomenais serão descartados, e o ensino público sempre estará à margem dos ensinos privados, a elite nunca vai permitir uma coisa dessas, afinal de contas eles precisam de suas empregadas, garis, atendentes de supermercados, faxineiras, motoristas, ou seja, quem nunca ouviu que o trabalho dignifica o homem, ops, o pobre, porque a classe média os seus filhos estudam e não trabalham, é muito comum ver um filho da elite de 20 anos apenas estudando e fazendo cursinhos, enquanto que o pobre está desde a tenra idade vendendo balas no sinal, e ainda escutamos os falsos moralistas dizendo “é melhor está trabalhando que roubando”, não era melhor dizer que pena era melhor ele está na escola. É uma inversão de valores, não devemos esquecer que somos os maiores responsáveis pela violência de amanhã, pois, o futuro do nosso país hoje vende balas nos sinais e amanhã serão aos grandes precursores da violência. Eu estou cursando Direito em uma das melhores faculdades privadas a PUC-RIO, sou ProUni e estou no 6º período o meu desempenho acadêmico é maravilhoso, acompanho em pé de igualdade com qualquer um de meus amigos de classe, tenho uma bolsa de iniciação científica, já estou inserida na pesquisa acadêmica e o tema da nossa pesquisa é justamente o ProUni e o a cesso ao ensino superior, trabalho em uma Multinacional e ainda tenho muito que caminhar. Tudo isso graças ao ingresso na Universidade, que me abriu uma gama de conhecimentos novos científicos, de mundo e de vida, ou vocês acham que dariam um emprego como este a uma simples babá? Hoje tento mudar não Sá minha vida, reescrevendo uma nova rota a trilhar mais quero muito poder ajudar as pessoas, o ProUni não só formará uma gama nova de profissionais, mas profissionais que um dia estiveram do outro lado apenas como coadjuvantes e que hoje é o ator principal, ou seja, médicos que acolherão seus pacientes com mais carinho e respeito, advogados, Juízes, Promotores, Economistas, professores, etc... Eu ganho, você ganha, a sociedade ganha e o mundo fica bem melhor.

O ProUni foi a única maneira de o governo recolocar os bons e os ótimos na faculdade!
Temos um blog, Orkut e Comunidade que trás a polêmica: Faculdade Para que ou quem.

Vão lá dar sua opinião:
www.orkut.com.br/Main#Profil...

http://www.orkut.com.br/Main#Commun...

http://prouni-prouni.blogspot.com/


Alessandra Monteiro
2009-02-26 17:14:47

Diferenças...

O que é preciso entender é que o Prouni foi feito para que estudantes pobres sirvam futuramente de mão-de-obra para o empresariado brasileiro, para que consigam um emprego digno, e só.
O papel da universidade, que é o de formar de maneira crítica o ser humano que nela estuda, fica em segundo plano quando um plano do governo federal fornece bolsas a alunos carentes sem fornecer a eles as condições para que tornem-se agentes de uma mudança social verdadeira em nosso país.
Eles conseguem o que antes seria impossível, que é fazer uma faculdade, mas graças ao reconhecimento por parte do "esforço" do governo federal, não questionam os métodos de aprendizado a que todos são expostos durante o período em que permanecem estudando.
É simplista demais reconhecer o programa como salvador da pátria sem que, ao mesmo tempo, haja um projeto para a revitalização da qualidade das escolas do ensino fundamental e médio.
Enquanto os mais velhos conseguem a inclusão na universidade, os mais jovens sofrem, assim como eles, com a precariedade das instituições públicas de ensino nos degraus inferiores da escala do conhecimento acadêmico.


Giovanni Giocondo
2008-02-13 20:09:19

Diferenças...

O que é preciso entender é que o Prouni foi feito para que estudantes pobres sirvam futuramente de mão-de-obra para o empresariado brasileiro, para que consigam um emprego digno, e só.
O papel da universidade, que é o de formar de maneira crítica o ser humano que nela estuda, fica em segundo plano quando um projeto do governo federal fornece bolsas a alunos carentes sem fornecer a eles as condições para que tornem-se agentes de uma mudança social verdadeira em nosso país.
Eles conseguem o que antes seria impossível, que é fazer uma faculdade, mas graças ao reconhecimento por parte do "esforço" do governo federal, não questionam os métodos de aprendizado a que todos são expostos durante o período em que permanecem estudando.
É simplista demais reconhecer o programa como salvador da pátria sem que, ao mesmo tempo, haja um projeto para a revitalização da qualidade das escolas do ensino fundamental e médio.
Enquanto os mais velhos conseguem a inclusão na universidade, os mais jovens sofrem, assim como eles, com a precariedade das instituições públicas de ensino nos degraus inferiores da escala do conhecimento acadêmico.


Giovanni Giocondo
2008-02-13 20:07:35

Prouni: qualidade é democracia

apenas que: é falsa a oposição entre prouni e expansão do ensino "público" superior, que alguns querem estabelecer; é baseada nesta oposição - falsa - que se organizam as críticas ao programa; mencionado no artigo, um ponto definitivo é a relação com o tempo: os jovens pobres não devem ter de esperar pela construção de novas unidades e a contratação de profissionais, unidades estas que estão sendo implantadas, porque a "esquerda" quer, não há tempo;

além disso, outro ponto bem complicado, e que a abordagem do texto deixa um pouco a desejar, é a distinção entre universidades "pública" e "privada", distinção esta meramente jurídica pois, na prática, sabemos que as diferenças de extração social dentre os estudantes, tomando como base as grandes universidades "públicas" e "privadas", são muito pequenas - dentro dos cursos socialmente consagrados são praticamente nulas; ou seja, tomados em relação ao universo da população brasileira, tanto nas ditas "públicas" quanto nas "privadas", os estudantes são de altíssima extração social. Assim, esta distinção entre "pública" e "privada", de muito pouco efeito em termos de acesso ao ensino, é apenas um objeto a mais na disputa política entre militantes profissionais; com o prouni e as cotas sociais, o quadro talvez começa a mudar, em termos de composição social dos estudantes;

agora, o mais lamentável, é que o texto - de resto até bem razoável - reproduz a percepção social dos dominados, que é a dos dominantes, no caso, resultante da preferência das elites sociais por determinados cursos - e que gera os cursos socialmente valorizados e consagrados; disitinção esta inteiramente arbitrária, socialmente estabelecida e favorável aos dominantes, e que não guarda qualquer relação de ordem científica, de importância na divisão do trabalho científico; no entanto, o arbitrário social que promove a dominação é, infelizmente, assumido como válido pelo autor do artigo, quando este refere algo como "qual pai ou mãe nunca sonharam...", frase onde figuram apenas cursos socialmente consagrados. No limite, o autor, neste artigo, corrobora a brutal discriminação entre trabalho manual e trabalho intelectual, favorável aos dominantes.

em tempo: cursei o ensino médio estadual noturno, recebendo o sálario mínimo numa fábrica de calçados desde os 14 anos - felizmente, algo hoje juridicamente proibido; faço parte da primeira geração da minha família a realizar estudos universitários, em universidade "pública" federal e mais, residi em casa de estudante pública federal, reservada aos alunos "carentes".

bastardo apócrifo, porto alegre, rs.



2008-02-06 01:24:42

Prouni: qualidade é democracia

A tão comentada meritocracia liberal, segundo os liberais igualitaristas, em que John Rawls é um dos expoentes, deve haver a todo momento da disputa condições iguais. Ou seja, para alguém que nasce rico, para disputar uma vaga na USP junto com uma pessoa que nasça na periferia, para que haja condições iguais o jovem da periferia deveria ter as mesmas condições do rico. Assim, ele deveria somente estudar, a escola teria de ter o parâmetro de uma Bandeirantes, Anglo, São Luiz ou outra que coloca um número expressivo de alunos nas universidades públicas. Assim, quando não há as mesmas condições, o único mérito dos alunos ricos é ter nascido rico. Com as vantagens conseguidas ele não dispara na corrida de 100 metros no ponto zero e sim no ponto 90, ou seja, não há disputa. Falar que quem entra numa universidade pública é puramente meritocracia é pura demagogia, num país desigual como o Brasil. E isso também em relação aos negros, que constituem a grande maioria dos deserdados desse país. Dessa forma, cota para alunos das escolas públicas, para negros e indígenas e Prouni é apenas uma forma de tentar fazer o jogo mais igual numa disputa que só tem privilegiado os mais aquinhoados do país. Isso atrasa o país, pois há muitas pessoas extremamente inteligentes que nascem nas periferias que não têm oportundade de desenvolver seus talentos. O Brasil não pode abrir mão da capacidade do seu povo, em nome de uma pseudo meritocracia. Por essa gente que fala mal das cotas e do Prouni a escravidão nem teria sido abolida ainda no país. Assim como a meritocracia eles inventariam alguma asneira para tentar justificá-la. Um país que queira ser potência e desenvolvido precisa oferecer oportunidades para todos os seus cidadãos. Do contrário será sempre um país subdesenvolvido. É o que essa pseudo-elite almeja, com visão tacanha e reducionista. É ISSO.


Sérgio
2008-02-01 12:15:53

Prouni: qualidade é democracia

Sou professor de História, de escola pública. Sempre estudei em escola pública. Minha companheira, também, sempre estudou em escola pública. Nossos filhos, sempre estudaram em escola pública. Mas, de todos, só eu consegui fazer curso superior em escola pública, na UFRGS.
Por quê? Porque as elites, as verdadeiras, não as supostas, mencionadas no artigo, sempre trabalharam para sucatear os serviços públicos. E a bola da vez é a educação.
Meus filhos fazem curso superior em universidade privada via Prouni. Mas, eles têm muito claro que poderiam estar na UFRGS ou outra pública se os milhões que fazem a alegria dos empresários da educação fossem direcionados à melhoria e ampliação das públicas.
É certo que os mais bem nascidos é que estudam nas públicas. Sempre foi assim. E o governo Lula não faz nada para mudar esta realidade. O Reuni é a política que governos estaduais, estes sim, liberais, de direita, brancos e excludentes, como o de Yeda Crusius, aqui do Rio Grande do Sul, estão implementando, de superlotar as salas de aulas sem a nomeação via concurso de mais professores. É a concepção de escola-depósito.
O Prouni tem que ser aproveitado pelos filhos dos trabalhadores, sim, porque é dinheiro público que está enchendo as burras desses empresários.
A UNE e outras entidades ditas representativas de movimentos sociais há muito foram cooptadas pelo governo Lula e pelo PT.
Aqueles que ousam criticar o atual governo pela esquerda são espertamente comparados pelos advogados do petismo às elites brancas, excludentes, etc.
Ah, diga-se, eu fui militante e dirigente local do PT. Me filiei em 1982. Amassei muito barro para construir o partido. Não isso que está aí, claro. Me desfiliei no dia seguinte à aprovação da aliança com o PL-PARTIDO LIBERAL (!!!). Hoje sou só um comunista sem partido que defende o voto nulo por falta de alternativa eleitoral decente. Aliás, a via eleitoral tem se demonstrado uma fraude cabal. Não sou um desbundado, entretanto. Milito no meu sindicato e junto com outros camaradas busco construir uma alternativa partidária que mereça a confiança da classe trabalhadora brasileira.
Ainda estou para ouvir e ler argumentos substantivos que rebatam o ANDES-SN e o professor Roberto Leher. Não as usuais e conhecidas desqualificações dos adversários feitas pelos petistas e seus aliados.


RUY GUIMARÃES
2008-01-28 22:09:05

Prouni: qualidade é democracia

E a Universidade Pública e de qualidade fica esquecida... Façamos a fortuna dos empresários com dinheiro do povo! Crítica, produção de conhecimento, pra quê? Somos e sempre seremos subdesenvolvidos, precisamos de técnicos que sirvam às grandes empresas.

Haja pobreza.


RiFoF
2008-01-28 19:21:23

A matéria é interessante, mas falta crítica

Governar é fazer escolhas. Se você escolhe dar mais dinheiro ao Prouni, você deixa de colocar dinheiro para acelerar a ampliação da universidade pública. No entanto, reforçar a universidade pública e não programas do tipo Prouni é distribuir renda de maneira mais eficiente, já que se atinge as pessoas mais pobres. Porém, é preciso olhar criticamente a qualidade das universidades que aderiram ao Prouni.

Basta ver onde foi sediado o encontro dos Prouneiros, uma das piores universidades do Estado. O programa é bom, mas melhorá-lo significa fazer uma triagem mais adequada no que diz respeito à qualidade das instituições que merecem receber o dinheiro do contribuinte e ensinar os mais pobres com a mesma qualidade de uma universidade pública.

Apesar de ser um bom programa, o Prouni incorre no mesmo erro das cotas: não faz uma crítica ao modo de acesso (vestibular) e nem implica numa melhoria do ensino básico, já que dá um arsenal estatístico importante para o governo se refestelar e se acomodar. E todos sabem que qualquer governo só trabalha sob pressão.

Por fim, acho que é extremamente nocivo fazer um programa, como o Prouni, ter um caráter racista (ou racial), em vez de ter critérios apenas sócio-econômico, mas isso já é outro assunto...


Tito
2008-01-23 23:59:28

Prouni: qualidade é democracia

É certo que a universidade, especialmente a pública, precisa se abrir aos diversos segmentos étnico-culturais da sociedade, já que ela se tornou, ao longo do tempo, locus privilegiado da formação dos filhos dos estratos de maior renda (ainda que não somente - muito antes do sistema de cotas, uma parcela interessante, numericamente falando, de estudantes provenientes dos segmentos mais pobres buscaram e encontraram ascensão social, cultural e profissional nos bancos das universidades públicas).

Todavia, não se percebe, de maneira objetiva, qualquer movimento social de massa mais consistente no sentido da construção de uma escola pública que, pelo menos, contribua para a redução do imenso fosso econômico, material e cultural que existe entre os filhos das classes médias, classes médias-altas e classes altas e as crianças e jovens dos setores populares. Para que possamos formar engenheiros, advogados, professores, arquitetos, cientistas sociais, médicos, etc, provenientes das classes populares, necessário se faz que estes setores entendam a educação como um setor tão ou mais fundamental que saúde, segurança ou emprego.

Claro que não se pode esperar que a escola fundamental e de ensino médio públicas "melhorem" para que os setores populares possam entrar na universidade! Mas acreditar que somente o PROUNI ou o sistema de cotas resolverá o problema é não enfrentar as desigualdades educacionais brasileiras de maneira adequada. E aí torna-se imperativo que a escola pública seja apropriada pelo desejo político de transformação por parte das classes populares, propiciando a seus filhos uma educação adequada à formação de cidadãos competentes no uso do idioma, na aplicação de conhecimentos das mais diversas áreas (da história, da geografia, das ciências naturais, da matemática, das artes) e na participação político-cultual crítica, questionadora (poder-se-ia dizer demolidora-construtiva) nos destinos da sociedade da qual fazem parte.

A competência não está somente na universidade. Muitas vezes ela é apenas um espaço de produção de um discurso "embolorado", mas com grande capacidade de cooptação para o atendimento das demandas de dominação por parte dos grupos que tradicionalmente exercem o poder.

Se queremos pensar e produzir uma outra sociedade (e viva a utopia!) temos que ir muito além do PROUNI e das cotas.


Paulo Jorge dos Santos Fleury
2008-01-23 22:47:51

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