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Comentários sobre esse texto:

Do limão à limonada

Talvez haja o exagero. Talvez eu tenha sido rude para os padrões nacionais de críticas. A auto-estima nacional encontra-se tão desprovida de conhecimento que se vê chorosa diante de críticas mais contundentes. É uma questão de filtro.

Mas é que sou um velho, de 31 anos, cansado de ler, ouvir e ver bobagens sendo repetidas como verdades absolutas. E no século da internet qualquer informação repassada de maneira superficial ao leitor é sinal de preguiça intelectual, já que praticamente todas as fontes de informações estão disponíveis.

Desculpe fugir ao tema, mas há necessidade aqui de se explicar o que fundamenta o sumo do limão à crítica feita.

Não se é possível ser xingado de ignorante de uma maneira tão superficial tendo por base um levantamento encomendado a uma revista americana que fala de economia. Desculpe-me, mas extrapola a minha capacidade absorção.

Se a crítica for bem digirida por editor e repórteres servirá de referencial sobre a necessidade de se fundamentar opiniões, afirmações e informações. Se não, paciência, vão continuar levando bordoadas nesses tempos de comentários.

Estamos na era da internet! O jornalismo não pode mais ser fabricado à velha maneira dos linotipos.

Tampouco o pensamento deve vir à reboque do mouse, eu sei. É preciso, portanto, que o profissional que vai editar uma informação cujo a análise requer imenso preparo não o faça de modo tão desrespeitoso como o caso aqui, em que uma pergunta nem sequer fora abordada pela matéria. Isso é um crime, e hediondo!

Não se trata portanto de conservadorismo, novo ou velho. Trata-se de respeito ao leitor e compromisso com a divulgação das informações - duas características cuja ausência estão enterrando o prestígio do jornalista, que, antes de se meter num esforço de correção e melhoramento do trabalho, prefere o choro e o desmerecimento de quem lhe critica. E isso não é opinião minha, mas de gente que estuda o assunto, gente comprometida, evidemente.


Marcelo Nogueira
2008-04-04 23:17:30

Personagens de todos nós

Eu não discordo dos problemas apontados pelo Marcelo.
Concordo que os comentários esclarecem as dúvidas do leitor ou acrescentam informações ao texto.
Apenas entendo que o tom de críticas deve ser esclarecedor, não quase difamatório, que se assemelha muito a linguagem neconservadora, estilo adotado por alguns meios de comunicação do mundo. Do qual eu sou contra

Discussões sim adoro

valeu


Natássia
2008-04-04 21:28:55

Personagens de todos nós

"sem mais discussões" é ótimo... então, pra que mesmo um sistema de comentário, hein? Pra ler apenas elogiozinhos que fazem bem ao ego? Concordo com o Marcelo, a matéria está superficial e o editor mostrou que não tem preparo para debater o assunto.

Vamos ser menos arrogante e entender que os assuntos debatidos podem ser complementados pelos leitores, que, nesse caso, parecem ter mais conhecimento do que os profissionais.

Mais discussões, por genteliza.


Mauro Ferreira
2008-04-04 20:03:28

... o jornalismo tem dessas mesmo

Carolina, li alguns textos que você escreveu e achei todos muito bons.
Todo jornalista que escreve bem está sujeito a críticas tanto boas, quanto ruins. É isso que leva a profissão para frente.
Adorei seu texto e independente de dados do analfabetismo, da renda familiar, dos preços que também são assuntos importantíssimos, realmente as pessoas deveriam ter o prazer de ler autores como Jorge Amado.

Sem mais discussões....

Abraço


Natássia
2008-04-04 19:21:02

a situação é ainda mais grave...

Senhor Antônio,

Agora compreendo que as duas repórteres mais foram vítimas de uma coordenação insatisfatória do que do deslumbramento provocado pelas celebridades que estiveram presentes no evento da Cia das Letras. Seu comentário é um amontoado de palavras vazias, com uma argumentação colegial e centrado numa lógica tão desvairada que, por si só, já lhe denuncia como um profundo desconhecedor do tema que o senhor se propõe editar. Lamentável é o resumo.

Mas, como o senhor me pareceu um sujeito esforçado, vou lhe repassar algumas informações, para que se evite novo vexame, numa provável futura argumentação.

Em 2003, o governo federal sancionou a lei do livro, que estabelecia uma política nacional. (Das 12 diretrizes especificadas, quatro interessavam diretamente aos editores e distribuidores de livros.)

Em 2005, o IBGE passou a mensurar especificamente a variação do volume de livros, jornais, revistas e papelaria vendidos no país. O primeiro levantamento mostrou que no acumulado de janeiro a dezembro de 2004, o volume vendido caíra 1,16%.

A choradeira nos corredores do ministério da educação e da cultura foi grande.

Em 2006, a revista The Economist nos chama de bugres, (preste atenção é uma revista que fala sobre economia – quem o senhor acha que pautou a revista? Nem imagina?).

O governo Federal entendeu o recado. Mas precisava de um produto para justificar o que faria nos anos seguintes. Então reuniu, às pressas, uma série de ações que estavam espalhadas em órgãos do governo e chamou o pacote de Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL).

Era algo esquisito que, apesar de bonitinho e bem intencionado, nem sequer contava com uma destinação orçamentária própria, nem amarração legal das metas e objetivos. Era um pacote dividido em quatro eixos e (ohhhhhhh!) um deles voltado para o mercado editorial.

O que aconteceu com o índice de leitura do brasileiro de 2003 a 2008? Não faço a menor idéia, mas, em janeiro desse ano, o volume de vendas do comércio varejista de livros, revistas, jornais e papéis registrou uma variação 7,3% no acumulado de 12 meses, de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio feita pelo IBGE.

E sabe de algo mais interessante, senhor Antônio? Em nenhum desses anos houve queda na receita nominal do comércio varejista de livros, revistas, jornais e papelaria.

O senhor tem idéia do que significa redução no volume vendido com aumento de receita nominal?

Menos pessoas pagando mais caro por livros, revistas, jornais e papelaria. E o senhor tem idéia de em quais desses segmentos se registraram os maiores aumentos? Não, o senhor não faz a menor idéia!

E o senhor vem me falar que a questão não está relacionada ao consumo mercantil?!?

O senhor é um distraído, senhor Antônio Martins!

E de onde o senhor retirou a informação de que não houve aumento no volume vendido? Da sua comunidade predileta do orkut!

Francamente... haja alienação!

E o senhor ainda me utiliza como argumento de que o brasileiro não lê o fato de, na internet, os brasileiros preferirem o entretenimento!

Que brasileiros são esses, senhor Antônio? Porque, de acordo com o Comitê Gestor da Internet, 47% da população desse país nunca (NUNCA) utilizaram um computador! Dos que possuem, 83% não têm internet em casa! Quem acessa o Orkut, senhor Antônio?

Porque eu fico me perguntando de que brasileiros os senhores estão falando, afinal?

Dos que vivem no Brasil tenho certeza que não é.

Francamente, antes de insinuar que uma crítica à ignorância de repórteres e editores se aproxima é algo ranzinza, estude a realidade do país em que você vive e das pessoas de quem você ousa falar.

Não saia por aí, distraído, repetindo informações das quais o senhor nem pensou a respeito. É feio e vergonhoso.

valeu, "brodi"!


Marcelo Nogueira
2008-04-02 21:33:00

Personagens de todos nós

Caro Marcelo:

A matéria de Carolina e Marília não é uma análise, nem se propõe a responder à questão muito complexa do baixo índice de leitura no Brasil. É uma crônica sobre um acontecimento cultural destacado. Compare-a com outros relatos do evento e verá que as autoras não buscaram fazer colunismo social. Ao contrário: narraram os fatos, mas fugiram da tietagem. Procuraram destacar os momentos que realçam a importância da obra de Amado e sua contribuição para uma maior difusão da leitura e da literatura no Brasil.

Você levanta dados muito importantes, mas que não esgotam o assunto. Os números da parte final de nossa matéria referem-se à *leitura* de livros, não a seu consumo mercantil. A rede de bibliotecas do país é muito insuficiente, mas existe. Nos últimos anos, quando aumentou a renda dos mais pobres, houve enorme aumento na venda de itens como eletrodomésticos — mas não na de livros. Na internet, os brasileiros (de todas as classes sociais) são bem mais presentes em ferramentas multimídia (o Orkut, o YouTube, os comunicadores online) que, por exemplo, na Wikipedia.

O texto de Carolina e Marília destaca, justamente, que somos um país de cultura popular riquíssima (contrariando, também aqui, o pensamento dominante) e que isso *pode* se estender também à leitura e à literatura. Obrigado: suas observações nos estimulam a persistir no tema e a nos aprofundar sobre ele. Mas os mesmos pontos de vista podem ser expressos, também, com bom humor. Para construir uma nova cultura política, precisamos desfazer a imagem de que o bom crítico é sempre ranzinza.

Abraço forte,
Antonio Martins, editor do Diplô na internet


Antonio Martins
2008-04-02 14:58:28

Personagens de todos nós

Marcelo,

Os dados que vc traz melhoram a conversa. É cansativo ficar ouvindo o bordão de que brasileiros não lêem, de que as editoras levam prejuízos, etc., etc. Quem reproduz essa conversa, às vezes até inocentemente, precisa começar a ver que o jogo é outro, o que vc esboça tão bem. Parabéns, meu caro.


Pedro Marques
2008-04-02 01:35:50

Personagens de todos nós

É,não se faz de uma simples apresentação teatral,a educação de um povo com graves deficiencias na cultura mais elementar,VONTADE DE LER.

Tomaz Pübur


Tomaz Pübur
2008-04-01 15:53:41

colunismo social não entende de literatura

Classificar um texto que mais se assemelha a colunismo social como pertecente ao "caderno" Literatura é um acinte!

Editá-la com uma pergunta dessas, sem que,minimamente, esteja proposta a discussão no correr do texto é um escarro no rosto do leitor. É chamá-lo, abertamente, de burro e desinformado.

Francamente, causou-me vergonha o nível da análise.

E porque o texto é um enorme desrespeito, algo para ser classificado em “Como não se fazer um jornalismo crítico, sério e responsável”, permito-me a um comentário superficial, mas infinitamente melhor aprofundado do que o “oba-oba” a que essas duas profissionais se dispuseram.

O debate sobre leitura, no Brasil, pertence quase que exclusivamente ao campo da matemática financeira. Em nada se aproxima da literatura.

E a conta é simples.

O rendimento médio mensal das famílias varia entre R$ 653 e R$ 2.210 (IBGE, 2003) e o preço dos livros, no Brasil, varia assustadoramente. As melhores leituras custam, mais ou menos, R$ 60, enquanto a média aproxima-se dos R$ 40 (leitura impressionista da realidade, já que não fui atrás dos dados).

Ou seja, UM livro chega a significar 10% do rendimento médio da FAMÍLIA. Vamos conversar honestamente agora sobre o assunto?

Os editores brasileiros, preguiçosamente, acomodaram-se em atender uma parcela reduzida e elitizada (infelizmente estamos falando de grupo de pessoas com rendimento médio mensal em torno de R$ 10 mil – não se trata de milionários).

Se tomarmos o “valor popular” das obras de menor custo, aquelas de papel têm menor qualidade e não há a incidência de direitos autorais, o valor das obras permanece – absurdamente- alto. Em média R$ 15.

Em dólar, esses R$ 15 representa a aquisição de livros vencedores de Pulitzer, Caldecott, Newbery (U$ 8) – vide amazon.com!

O discurso dos editores permanece o mesmo há, pelo menos, 20 anos. “O brasileiro não lê e, para manter a indústria, não podemos baixar os preços”. Uma balela que encontra ressonância na cabeça de quem por preguiça recorre tão-somente a um estudo importado para fazer a leitura da realidade.

Em Brasília há um projeto montado por um empresário (dono de um açougue!) que consiste exatamente em uma biblioteca popular, na tradução mais perfeita.

O projeto oferece gratuitamente, em paradas de ônibus, livros para a população. Qual foi a motivação dele? Na infância, queria ler, mas não tinha dinheiro!

O brasileiro não lê porque os livros são caros, são impressos para 10% da população! Se se pegar esse público, logo vamos perceber que o índice de obra lida por ano supera a média mundial!

E mais: se avaliarmos o custo de produção dos livros no Brasil (segmento conta com isenção fiscal), perceberemos que o custo unitário da produção de uma obra varia entre R$ 0,50 e R$ 5 (a evolução tecnológica barateou o processo absurdamente, mas, a compensação foi absorvida pelos empresários do setor).

É uma margem de lucro assustadora, desrespeitosa, absurda! Peça-os para abrirem a planilha de custo....

Então, senhores, não me venham com essa conversa mole de que o brasileiro não lê. Se isso acontece é porque antes da cultura os empresários engordam seus próprios bolsos de uma maneira criminosa, do ponto de vista social.

Não acusem de maneira genérica e irresponsável quem, a duras penas, tenta mais sobreviver do que viver... sejamos honestos, pelo menos na hora debatermos os assuntos!


Marcelo Nogueira
2008-04-01 02:31:14

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