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fevereiro 2009



LITERATURA

Palavra 55

Testemunha do horror
Vasily Grossman só foi salvo dos “gulags” porque Stalin morreu. Mas seus textos foram tirados de circulação. Censurado, reduzido à penúria e com poucos amigos, faleceu de câncer em 1964
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A palavra em compasso de urgência
“Trocando em miúdos”, segundo livro de contos de Luiz Paulo Faccioli, escapa das armadilhas do amor como tema capturando seus momentos mais sôfregos
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São Paulo: heterogenética cidade literária “Há uma história da literatura que se projeta na cidade de São Paulo; e há uma história da cidade de São Paulo que se projeta na literatura.”(Antonio Candido)
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O erudito
Colocou o papel com a citação à carne de ovelha na boca. Ele a macerou com a língua. Molhou-a. Tentou fazer brotar dela o enigmático sabor do animal estranho. Sentiu a tinta se desprender. Era a única coisa a conferir algum sabor exótico àquele repugnante alimento
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Rodrigo Gurgel

A Editora Galaxia Gutemberg/Círculo de Lectores, de Barcelona, Espanha, marcou o ano de 2008 com a publicação do romance-rio Vida y destino, de Vasily Grossman, traduzido diretamente do russo. No Brasil, infelizmente, ainda temos de nos contentar com Um escritor na guerra, que nos dá uma pequena amostra do poder descritivo desse incrível artista, martirizado, como tantos outros, pelo stalinismo. É sobre esse livro que Dida Bessana escreve, introduzindo o leitor de língua portuguesa no universo de dor e agonia da Segunda Grande Guerra.

Marina Della Valle leu a coletânea de contos Trocando em miúdos, do gaúcho Luiz Paulo Faccioli. Nossos leitores já conhecem o trabalho, sempre elogiável, de Faccioli como crítico. Agora, com a leitura de Marina, poderão adentrar no universo ficcional de uma das melhores novíssimas vozes da literatura brasileira.

Mauro Rosso extraiu um capítulo de seu livro São Paulo, a cidade literária para comemorar não só o aniversário da capital paulista, que ocorre aos 25 de janeiro, mas principalmente radiografar o papel da intelectualidade bandeirante no desenvolvimento da literatura nacional.

Fechamos a edição desta semana com a narrativa “O erudito”, de Tibor Moricz, conto integrante do recém-lançado Fome – onde restar vida, haverá fome, acurado exemplo da nossa – injustamente menosprezada – ficção científica.

Boa leitura – e até a próxima semana.

Rodrigo Gurgel, editor de Palavra