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julho 2002



MULHERES

E na Europa...

Nos países da União Européia, de cada cinco mulheres, uma sofre, ao longo de sua vida, algum tipo de violência infligida por seu marido ou companheiro. Na Grã-Bretanha, a cada três dias morre uma mulher devido a esse tipo de brutalidade


Elisabeth Kulakowska

Uma notícia na página policial contribuiu para acordar a sociedade espanhola. Numa noite de abril de 1995, Tani brigou com o marido, que a ameaçava com um revólver. Um tiro foi dado e matou o marido. A jovem foi condenada a catorze anos de prisão. A sentença provocou um escândalo e Tani foi absolvida poucos meses depois. Porta-bandeira dessa luta, Tani revelou a violência doméstica exercida contra as mulheres, que mata mais que o terrorismo do ETA.

Em todos os países da União Européia, de cada cinco mulheres, uma sofre, ao longo de sua vida, algum tipo de violência infligida por seu marido ou companheiro, revelou Anna Diamantopoulou, comissária européia do Trabalho e de Assuntos Sociais. 1 Na Grã-Bretanha, a cada três dias morre uma mulher devido a esse tipo de brutalidade e, na Áustria, de cada dois divórcios, um baseia-se em uma queixa da esposa por ser maltratada.

No resto do continente, um relatório publicado pela Unicef2 em setembro de 1999, avalia que “a violência contra as mulheres continua a violação mais freqüente dos direitos humanos fundamentais”, ao mesmo tempo que permanece amplamente invisível. Na Armênia, Geórgia, Azerbaijão e Bulgária, a violência familiar não é proibida por lei. Na Eslovênia, também não, no caso dos ferimentos denominados “ligeiros”, tais como “fraturas do nariz, das costelas, contusões leves e dentes quebrados”. O estupro conjugal não é punível na Albânia, na Croácia, na Romênia e na Ucrânia. Nesses países, a penúria da habitação pode obrigar as mulheres a ter relações freqüentemente com seus maridos, mesmo após o divórcio.
(Trad.: Wanda Caldeira Brant)

1 - Declarações em reunião dos ministros encarregados dos direitos das mulheres da União Européia nos dias 18 e 19 de fevereiro de 2002.
2 - Femme et transition, relatório da vigilância regional (MONEE) do Centro de Pesquisa Innocenti da Unicef, Florença, setembro de 1979.