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agosto 2003



GLOBALIZAÇÃO

PNUD reconhece recuos

Chefes de Estado de 189 países reunidos durante a Cúpula das Nações Unidas em 2000 definem os « Objetivos do Milênio » reconheceendo os recuos da globalização e que a pobreza é frequentemente um problema político


Ricardo Petrella

No decorrer dos anos 90, 54 países registraram um recuo de sua renda média e 21 regrediram em matéria de desenvolvimento humano

O Relatório 2003 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) é dedicado aos « Objetivos do Milênio » aprovados pelos chefes de Estado de 189 países reunidos durante a Cúpula das Nações Unidas em Nova York, em setembro de 2000. Quais são estes objetivos? Vamos citá-los em quatro: reduzir à metade o número de pessoas « extremamente pobres » (menos de 1 euro por dia de renda); garantir a educação primária para todos; parar a propagação do HIV/AIDS e controlar a malária e outras grandes doenças; reduzir à metade a população que não tem acesso à água potável e aos serviços sanitários...

O Relatório parte das seguintes constatações: 1) no decorrer dos anos 90, 54 países registraram um recuo de sua renda média e 21 regrediram em matéria de desenvolvimento humano; 2) os progressos realizados no decorrer das três últimas décadas em matéria de expectativa de vida e de luta contra o analfabetismo mostram que é possível atingir os objetivos do Milênio. « A pobreza não tem nada de fatalidade (...). A pobreza é freqüentemente um problema político », diz o Relatório.

Repartição da riqueza

O Relatório admite que a visão otimista da globalização se revelou amplamente inoperante para centenas de milhões de pobres

Os autores pensam que não é preciso focalizar a estratégia de desenvolvimento apenas no crescimento econômico e que é preciso agir em favor de uma repartição mais equitável das riquezas e dos serviços, mas eles permanecem convencidos da primazia do crescimento (as palavras "capitalismo" ou "capitalista" não aparecem aí) e do desenvolvimento científico e técnico como soluções mestras. "Bastaria – escrevem eles – utilizar as tecnologias existentes e canalizar melhor os meios financeiros para resolver vários problemas encontrados em grande parte do mundo em desenvolvimento".

Testemunha disso é a maneira como eles evocam a globalização liberal. Lembrando a idéia disseminada nos anos 90 que fazia da globalização "o novo motor do progresso econômico em escala planetária", o Relatório acaba admitindo que "esta visão otimista se revelou amplamente inoperante para centenas de milhões de pobres".

(Trad.: Fabio de Castro)